Como o mundo está se preparando para lidar com a demência

Evento na Suécia debate os desafios e os planos de ação para lidar com o Alzheimer e outras formas de demência

11/06/2019 - Por Alexandre Kalache



Nas minhas próximas colunas, vou falar sobre o desafio global que o Alzheimer e outras formas de demência representam para o mundo hoje – e como enfrentá-los. Nesta, quero trazer algumas reflexões sobre o que vi no Dementia Forum X (DFX), que ocorreu em Estocolmo, em maio.

 

O Dementia Forum é organizado pela Swedish Care International (SCI), sob a chancela da rainha Silvia, por meio da Fundação Silviahemmet, criada por ela em 1996, para promover a qualidade de vida de pessoas que vivem com demência, de suas famílias e de cuidadores.

 

O DFX ocorreu no Palácio Real em Estocolmo e dele participaram outras Altezas Reais, como a rainha Sofia (Espanha), a princesa Takamado (Japão), princesas e nobreza de casas reais europeias,  primeiras damas (como as do Chile e da Islândia), embaixadores, ministros de Estado, professores titulares de diversas universidades de alto gabarito internacional, CEOs de grandes empresas multinacionais e CEOs de organizações da sociedade civil relacionadas aos temas de envelhecimento, longevidade e demência. Foi um privilégio estar entre os 105 convidados.

 

 

 

 

A rainha Silvia teve uma experiência pessoal muito próxima com demência, e foi nomeada Embaixadora Global Honorária da Associação Internacional de Alzheimer, em 2018. Por isso, tem propriedade para afirmar que, se para ela foi um desafio prover cuidados para a sua mãe, tendo todo o suporte e as facilidades, o que se poderia dizer em relação a famílias e cuidadores que não têm esses privilégios?

 

Esse foi um dos temas abordados durante o fórum, que dividiu a discussão nos seguintes aspectos:

 

Economia

 

A demência tem hoje um custo global de mais de US$ 1 trilhão, e 80% desse valor é absorvido pelos cuidadores, sobretudo os informais, que estão no seio da família. A OMS calcula que esses custos chegarão a US$ 2 trilhões nos próximos dez anos.

 

O custo global da demência é de mais de US$ 1 trilhão.

Esse valor, no entanto, não é facilmente quantificável, já que essa dedicação muitas vezes é de caráter pessoal, sem retribuição ou reconhecimento, e vem sobretudo das mulheres. Governos, instituições da sociedade civil e setor privado precisam se preparar para os desafios crescentes do cuidado relacionado à demência, já que o número de pessoas que dela sofrem aumentará dos atuais 50 milhões para mais de 152 milhões em 2050 – e 80% das pessoas estarão nos países em desenvolvimento.

 

Inovação

Desde 2003, nenhum novo medicamento foi aprovado para o tratamento da demência. Em contrapartida, novas formas de terapia para mitigar os sintomas têm sido desenvolvidas, inclusive usando tecnologias de ponta, entre elas as de comunicação. É indispensável investir mais, para encontrar respostas efetivas que possam minorar os problemas e reforçar a capacidade de cuidar da sociedade.

 

Questões de gênero

A maioria das pessoas que vivem com demência é do sexo feminino (em grande parte por viverem mais que os homens), e o cuidado com os portadores de demência é majoritariamente prestado por mulheres. No entanto, esses fatos não se veem refletidos nas atividades de pesquisa. É preciso reverter esse cenário.

 

O que fazer?

Em 2018, a OMS lançou um guia para que os países possam elaborar planos de ação para a demência. Isso envolve três etapas: preparação do plano (incluindo um diagnóstico analítico), desenvolvimento (objetivos, visão e áreas prioritárias de ação) e implementação (plano de trabalho operacional, planejamento orçamentário e monitoramento/avaliação).

 

Em maio de 2019, 30 países já haviam completado o processo e contavam com planos nacionais – quatro deles na América Latina: Chile, Costa Rica, Cuba e México. Outros 30 países estão em fase adiantada de elaboração de planos, como Argentina, Colômbia e Peru. De acordo com a ONG Alzheimer's Disease International (ADI), o Brasil ainda está no primeiro dos cinco estágios por ela considerados — ou seja, não há contato com o governo ou com o Ministério da Saúde.

2 Perguntas:

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Perguntas recentes:

PauloDePaula

23 de julho de 2019

Bons exerci'cio para demencia leve pode incluir o aprendizado frases em outras li'nguas, como saudaçoes, e perguntas sobre o cotidiano?

Viva a Longevidade

26 de julho de 2019

Olá, Paulo

Não há nenhuma contraindicação em estimular nossas funções cognitivas através de atividades como aprender outro idioma. Ser bilíngue diminui o risco de demência (sempre levando em consideração o mantra "quanto mais cedo melhor" ).

 

Porém não há evidência que estímulos como o aprendizado de frases ou saudações possa de fato postergar o declínio cognitivo. Como não há qualquer contraindicação e muitos ganhos , como uma atividade para a maioria das pessoas prazerosa, que aumenta a auto-confiança, estimula contatos sociais mais amplos e a curiosidade que vai mais além do que as primeiras frases...eu diria - prossiga!


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