O envelhecimento na agenda do Fórum Econômico Mundial

Faço parte de um dos conselhos que influenciam o trabalho da organização, e queremos que, em 2020, o fórum seja protagonista nas discussões sobre o envelhecimento com saúde

27/12/2019 - por Alexandre Kalache



Creio que todos já ouviram sobre o Fórum Econômico Mundial (ou WEF, a sigla em inglês para World Economic Forum). O WEF foi criado em 1971, como uma organização não governamental, e hoje é um dos mais influentes órgãos internacionais, já que ele abrange companhias do setor privado, assim como as altas lideranças políticas, acadêmicas e de organizações da sociedade civil.

 

Por meio das suas atividades, o WEF molda agendas globais e regionais, privadas e públicas, com um impacto político substancial.

 

 

Mesmo que você ainda nunca tenha ouvido falar do Fórum Econômico Mundial, certamente tem conhecimento das suas reuniões de cúpula anuais, que têm lugar em Davos, uma pequena cidade localizada nos Alpes Suíços.

 

Todo fim de janeiro, convergem para lá mais de 3 mil líderes das indústrias, políticos, representantes da mídia internacional e celebridades do meio artístico e cultural. Trata-se de uma reunião bastante fechada, mas uma vez que se consiga ter acesso, ficam todos como que “homogeneizados”, e cada participante pode interagir com todos os demais.

 

Pode ser uma Jane Fonda, um Elton John, um CEO do calibre de um Bill Gates, o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização das Nações Unidas (ONU), um primeiro ministro, um presidente.

 

E o que influencia a agenda de trabalho desse importante fórum? O resultado de discussões realizadas em uma iniciativa da qual eu tenho prazer de participar desde 2008.

 

Conselho Global do Futuro e Longevidade: aumentar a expectativa de vida com saúde

 

O que será preciso fazer para aumentar a expectativa de vida global com saúde?

O Conselho Global do Futuro (CGF) é uma das muitas iniciativas do WEF (falo sobre algumas delas no fim de desta coluna). Anualmente (em novembro), 700 pessoas — entre acadêmicos, representantes de organizações da sociedade civil e de órgãos intergovernamentais (como a OMS, o Banco Mundial e a própria ONU) — são convidadas para uma reunião em Dubai, um emirado dos Emirados Árabes Unidos.

Essas pessoas dividem-se em 41 subgrupos e, seguindo uma agenda intensa, discutem por três dias os temas em que são experts. Eu tive o privilégio de ser nomeado para esse conselho quando essas reuniões começaram em Dubai.

 

Os 41 CGFs se reúnem em paralelo e interagem também entre si. Alguns são centrados em um determinado país (como Japão, EUA e China). Outros, em temas estratégicos (como energia renovável, meio ambiente, economia digital, saúde pública e educação). E outros, em temas econômicos (como investimentos, infraestrutura e sistemas financeiros) ou tendências inovadoras na área cultural.

 

Eu faço parte do CGF focado no tema Longevidade desde que ele foi criado, em 2008, e assim tenho acompanhado e contribuído para a agenda do WEF sobre o tema envelhecimento.

 

A última reunião do CGF-Longevidade (realizada no início de novembro) contou com a presença de 14 de seus membros e foi coordenada pelo Presidente da Academia Americana de Medicina, Victor Dzau.

 

Nela ficou acordado o seu mandato central: o que é preciso fazer para aumentar a expectativa de vida global com saúde — não só no sentido de dar mais anos à vida, mas, também, mais vida aos anos. 

 

O trabalho do CGF-Longevidade ao longo do próximo ano será focado em tornar o WEF um protagonista na agenda internacional do envelhecimento com saúde. Para tanto, será necessário influenciar as agendas de outros conselhos e trabalhar de forma transversal.

 

Em outras palavras, fazer presente o tema do envelhecimento em todos os conselhos e, desta forma, influenciar todas as políticas.

 

O que é e o que faz o Fórum Econômico Mundial

 

A reunião em Davos — ainda presidida pelo fundador do WEF, Klaus Schawb — é o evento (ou a iniciativa) mais conhecido desse órgão. Mas não o único.

 

Da sua fundação aos dias de hoje, o WEF diversificou as suas iniciativas, que a cada ano geram dezenas de relatórios e publicações de grande influência – por exemplo, indexes que comparam países, não só sob o prisma de performance econômica (como competitividade e produtividade), mas também de viés social, da saúde ou da igualdade de gênero. Para tanto, o WEF utiliza compilação de dados e, por vezes, conduzindo estudos específicos.

 

O Fórum Econômico Mundial também realiza, além do encontro em Davos, reuniões de cunho regional (América Latina, África, Europa) ou nacional, no caso de grandes e influentes países como os Estados Unidos, a China e a Índia. A próxima reunião regional latino-americana será realizada em maio de 2020, em São Paulo.

 

Entre as atividades do WEF há não só as reuniões presenciais, mas também webinars, seminários e algumas reuniões de carácter pontual. Por exemplo, nos últimos quatro anos, foi o Fórum que lançou a ideia da Quarta Revolução Industrial, e muitas das atividades que desde então ocorrem têm esta pauta central: como ela está influenciando e irá continuar a influenciar a agenda socioeconômica e política, em nível mundial.

 

Além da sede em Genebra, o WEF tem escritórios em Xangai, Nova York, Londres e (o mais recente) São Francisco, precisamente por aí estar a concentração mais densa de startups e de tecnologia inovadora. Dali o WEF monitora as implicações dessa Quarta Revolução Industrial.

 

Há outras iniciativas-chave do WEF, por exemplo, que identificam jovens com menos de 30 anos que têm grandes chances de se tornarem “os líderes globais do futuro". Trata-se de um verdadeiro “caça-talentos”, seguido de múltiplas oportunidades presenciais e virtuais para trocas de experiências, possibilitando que esses jovens tenham uma voz ativa nessa organização tão influente.

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