Você sabe qual atividade física pode fazer bem para a sua saúde?

Qualquer uma, da corrida à caminhada para o trabalho, desde que você faça de forma regular e na quantidade adequada

por Alexandre Kalache



Aqui, neste espaço, já falamos de alguns determinantes que influenciam o envelhecimento ativo. Neste mês, vamos falar de atividade física, um tema muito ligado à alimentação (que falamos na última coluna, pois a equação aporte/gasto calórico  é fundamental para mantermo-nos saudáveis e ativos. 

 

Se você não estiver “bem nutrido” atividade física demasiada lhe será prejudicial. Mas se houver um excesso de calorias - não sendo “queimadas” o sobrepeso e a obesidade serão inevitáveis: uma das maiores  preocupações da saúde pública atualmente  pois suas consequências podem ser  catastróficas. A inatividade física é a quarta causa de mortalidade em todo mundo. Para dar um exemplo, é responsável por 30% da carga de doenças cardíacas isquêmicas.

 

O que é atividade física e quais os benefícios?

 

Antes de tudo, acho importante lembrar que não estamos nos referindo apenas às atividades planejadas, estruturadas e repetidas, com o objetivo de nos mantermos “fit”. Há muitas outras formas relacionadas com movimentos do corpo quando a gente, por exemplo, brinca, se diverte, trabalha, se locomove ou executa tarefas domésticas (como já vimos no Viva a Longevidade.

 

Veja só: talvez você já tenha ciência de que os povos mais longevos do mundo são em geral os que vivem em áreas rurais, onde as pessoas estão em constante movimento. Há, portanto, várias maneiras de se manter ativo.

 

 

Praticar atividades físicas regularmente e na quantidade adequada leva a níveis mais altos de saúde e bem-estar com diminuição do risco de várias doenças responsáveis pela morte prematura – como a hipertensão, doenças cardíacas, acidentes cerebrovasculares, diabetes, e câncer como o de mama e do cólon. Além disso, combate a depressão, contribui para manter nossa capacidade cognitiva alta e ajuda a evitar quedas cujas consequências podem ser fatais.

 

A atividade física talvez seja o determinante mais importante para manter nossa capacidade funcional alta (veja o infográfico da minha coluna de abril). Quem sabe você esteja pensando “isso é distante... nada a ver comigo”. No entanto, procure lembrar se você já se sentiu melhor, mais disposto, mais forte e resiliente em períodos quando esteve fisicamente mais ativo?



Praticar atividades físicas regularmente e na quantidade adequada leva a níveis mais altos de saúde e bem-estar

Quanto de atividade física eu preciso fazer?

 

A Organização Mundial de Saúde recomenda para adultos entre 18 e 64 anos:

 

  • No mínimo, 150 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou, ainda, 75 minutos semanais de atividade física aeróbica vigorosa (ou uma combinação dos dois).
  • Que a atividade seja praticada em sessões de, no mínimo, 10 minutos.
  • Para benefícios maiores para a saúde, a atividade moderada deve ser aumentada para 300 minutos ou a atividade intensa para 150 minutos – por semana – ou uma combinação dos dois.
  • Atividades de fortalecimento dos músculos em dois ou mais dias por semana.

 

Atividades aeróbicas, por exemplo, são caminhar rápido, correr, pedalar, pular corda ou nadar. Mas se tiver dificuldade de incluir estas atividades no seu dia a dia, tente 10 minutos de caminhada na sua ida ao trabalho ou na volta para a casa. E repense se é necessário pegar o elevador, a escada rolante, ou até mesmo pedir uma encomenda se você pode caminhar até o comércio mais próximo.



Lembre-se também do mantra dessa plataforma: comece agora!

Quanto mais cedo você adotar uma vida mais ativa, melhor; mas, também, nunca é tarde demais!

 

Se sabemos que nos faz tão bem, por que grande parte da população continua inativa?

 

Os motivos são múltiplos e não estão necessariamente sob o controle dos sedentários. É comum que o meio ambiente, principalmente o urbano, não favoreça, por exemplo, uma caminhada ao ar livre ou a locomoção de bicicleta.  É o trânsito, a poluição, a má conservação de parques, ciclovias e calçadas (quando existem!), sem contar a violência e a insegurança.

 

Há também questões climáticas como o calor excessivo no Brasil. Além do mais, há incentivos grandes a utilização do carro particular para quem o tem e desincentivo, por outro lado, ao uso do transporte público (precário, inseguro e insuficiente). E aquela preguicinha... queremos ser levados até a porta, em vez de andar 10 minutos.

 

É preciso, portanto, não só conscientizar as pessoas, mas também criar entornos mais favoráveis para a atividade física. Se você trabalha numa empresa ou outra instituição, avalie se é possível incentivar seus colegas ou os funcionários  a irem até o trabalho a pé ou de bicicleta (ao menos numa parte do trajeto) e fazer intervalos ao longo da jornada de trabalho para que eles “se mexam”.

 

E no ambiente coletivo, vamos demandar mais espaços públicos de recreação em vez de mais espaço para carros? Há iniciativas incríveis do mundo inteiro onde vias públicas para uso predominante de carros foram transformadas em ciclovias, calçadas e áreas verdes.

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