Três casos no esporte que mostram: parceria não tem idade

3 casos no esporte que provam: parceria não tem idade

Conheça histórias de sucesso sobre a troca de experiência entre diferentes gerações

18/10/2017



A parceria Zé Roberto e Gabriel Jesus no Palmeiras

 

Gabriel Jesus ficou frustrado quando teve de adiar o sonho de fazer o gol do título na primeira final que jogou pelo Palmeiras, na Copa do Brasil de 2015. Foram só 11 minutos em campo até sair machucado. Sinceramente abalado, superou a frustração no dia da festa com a ajuda do lateral-esquerdo Zé Roberto, de 42 anos. “Até a dor sumiu um pouquinho e comemorei bastante. Vindo dele, foi um apoio ainda maior”, contou na época.

 

A dupla permaneceu unida e, no ano seguinte, a despeito dos obstáculos, acabaram com um jejum de 22 anos e celebraram o nono Campeonato Brasileiro do clube. O futebol é só uma pequena amostragem de como parcerias entre gerações, não importa a diferença de idade, podem ser vantajosas para todos os envolvidos.

 

O caso palmeirense é emblemático. Gabriel Jesus era visto como principal esperança dos torcedores para uma nova era. Talentoso, cheio de gás e vontade de vencer, o atacante carecia, por outro lado, de noções táticas mais complexas, algum timing e frieza em momentos de catimba adversária – coisas que se adquirem com o tempo.

 

Zé Roberto aceitou com prazer o papel de mentor. Com a experiência de duas Copas do Mundo e passagens pelos principais clubes brasileiros e do exterior, não lhe faltava autoridade para aconselhar o garoto.

 

 

“A nossa relação é muito boa, até porque passo mais tempo com os jogadores mais novos do que com os meus próprios filhos” Zé Roberto

Um exemplo? No primeiro semestre do ano passado, Gabriel demonstrava um certo grau de afobação, típico da idade, principalmente quando as coisas não saíam como se esperava. O mais velho passou tranquilidade, disse que repetiria o movimento nos próximos jogos e ele, mais atento, aproveitaria. Dito e feito, Gabriel foi o maior finalizador do campeonato, o quinto artilheiro da competição e uma das peças fundamentais para a conquista do título. “A nossa relação é muito boa, até porque passo mais tempo com os jogadores mais novos do que com os meus próprios filhos”, admitiu Zé Roberto, em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil. “Ele é um cara excepcional. Sempre vou respeitá-lo em tudo. É um paizão mesmo. Aprendi bastante coisa com ele, uma delas a trabalhar bastante e que nunca está bom o suficiente. Tanto dentro quanto fora de campo”, diz o agora atacante do Manchester City Gabriel Jesus.

Zé Roberto aceitou com prazer o papel de mentor. Com a experiência de duas Copas do Mundo, na França, em 1998, e na Alemanha, em 2006, e passagens pelos principais clubes brasileiros, como Flamengo, e timaços estrangeiros, caso do espanhol Real Madrid e do alemão Bayern de Munique, não lhe faltava autoridade para falar. Poderia até, quem sabe, resvalar num certo ar esnobe. Quem conhece o paulistano, porém, sabe que esse jamais seria seu comportamento. Ainda mais diante de uma joia rara que, na sua opinião, estaria no patamar de Dener, com quem trabalhou na Portuguesa, no começo de carreira, e de Neymar, maior estrela do futebol brasileiro e com quem também conviveu na Baixada. A grande diferença de Gabriel para os outros dois? “O foco diário na perfeição, na melhora. Isso você não vê em menino novo. O Gabriel veio trocar o carro dele agora porque eu incentivei. Não era nem objetivo dele”, contou em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil.



“Ele é um cara excepcional. Sempre vou respeitá-lo em tudo. É um paizão mesmo. Aprendi bastante coisa com ele, uma delas a trabalhar bastante e que nunca está bom o suficiente. Tanto dentro quanto fora de campo.” Gabriel Jesus

No primeiro semestre do ano passado, Gabriel demonstrava um certo grau de afobação, típico da idade, principalmente quando as coisas não saíam como se esperava. Perdeu ótima chance de marcar contra o Corinthians em um cruzamento de Zé Roberto. Ficou cismado com o lance e comentou com o parceiro. O mais velho passou tranquilidade, disse que repetiria o movimento nos próximos jogos e ele, mais atento, aproveitaria. O mais novo passou treinos a fio aperfeiçoando as cabeçadas e, na véspera do duelo contra o Figueirense, algumas semanas depois, avisou que estava afiado. Dito e feito. “A nossa relação é muito boa, até porque passo mais tempo com os jogadores mais novos do que com os meus próprios filhos”, admitiu Zé Roberto.“Ele é um cara excepcional. Sempre vou respeitá-lo em tudo. É um paizão mesmo. Aprendi bastante coisa com ele, uma delas a trabalhar bastante e que nunca está bom o suficiente. Tanto dentro quanto fora de campo.” Gabriel Jesus

 

Outras parcerias entre gerações

 

A medalha de ouro para um quarentão

 

Serginho estava há dois anos e nove meses aposentado da seleção brasileira de vôlei quando o técnico Bernardinho convenceu o líbero a retornar e jogar os Jogos Olímpicos Rio 2016. Chamado de “presidente”, por sua ascendência e o jeito brincalhão, mostrou-se decisivo para a virada do time no momento mais difícil da disputa. Com derrotas para Itália e Estados Unidos, por pouco não veio a eliminação na fase de grupos. Pediu que todos jogassem por ele, em homenagem à sua despedida com a camisa amarela. Funcionou. Dali em diante, apenas vitórias e o tão sonhado ouro. Tornou-se o maior medalhista olímpico brasileiro em esportes coletivos (quatro, no total).

 

Rivais somente nas águas

 

Onze vezes campeão mundial de surfe, Kelly Slater, de 44 anos, jamais demonstrou incômodo com a ascensão de um rival, talvez o principal expoente da nova geração: Gabriel Medina. Pelo contrário. Um dos primeiros a perceber o talento do brasileiro, antes mesmo do título de 2014, o americano sempre elogiou e, de certa forma, legitimou o talento e ajudou a pavimentar o crescimento do novato. Medina repetiu façanha de Slater e ficou com a taça aos 20 anos de idade. O mais jovem também não se furta em colocar o mais velho como uma inspiração. Prova de que são adversários só durante as etapas do circuito profissional, os dois costumam ser vistos juntos fora do mar.

 

 


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