Como o exercício intenso afeta as defesas do corpo

Afinal, correr uma maratona enfraquece ou fortalece nosso sistema imunológico?

25/04/2018



Depois de fazer um exercício extenuante, como uma longa sessão na academia ou correr uma maratona, sentimos o corpo exausto e dores musculares. Mas, se por fora parecemos estar sem forças, por dentro nosso sistema imunológico se fortalece, de acordo com uma recente revisão de diversos estudos sobre esse tema.

 

Durante décadas, pesquisadores e atletas estiveram convencidos de que exercícios intensos deixavam o corpo fatigado a ponto de baixar nossas defesas contra vírus e micróbios, informa o The New York Times (conteúdo em inglês). Desde os anos 1980, estudos feitos com maratonistas e ultramaratonistas mostraram que muitos deles pegavam resfriados alguns dias ou semanas depois da prova, e que a incidência da doença entre eles era maior do que no resto da família e da população.

 

 

Esses estudos mostravam que, durante uma maratona, a corrente sanguínea dos atletas ficava repleta de células do sistema imunológico, mas, horas depois da prova, essa quantidade caía a níveis até mesmo inferiores aos normais. Os cientistas interpretaram esses resultados como uma janela de supressão do sistema imunológico que poderia permitir o ataque de micro-organismos oportunistas, uma ideia que virou doutrina na ciência do esporte.

 

No entanto, pesquisadores da Universidade de Bath, na Inglaterra, desafiaram esse raciocínio – afinal, se os primeiros hominídeos tinham de correr (e muito) de predadores, estariam constantemente em perigo com tanto enfraquecimento imunológico.

 

Avaliando experimentos mais recentes, eles notaram que testes de saliva mostraram que menos de um terço dos atletas que pensavam estar resfriados realmente estavam doentes. Depois, acompanhando as células imunológicas de ratos, estudos apontaram que as células realmente iam para a corrente sanguínea, mas não morriam depois do exercício: alojavam-se de volta nos pulmões e no intestino, partes do corpo que podem precisar de um reforço imunológico depois de uma atividade física intensa. Ou seja, o sistema imunológico dos roedores ficou mais forte.

 

Ainda não se sabe se essa mesma migração acontece também no nosso organismo. "O rastreamento em tempo real de células imunológicas depois dos exercícios ainda não foi feito em humanos", afirma James Turner, coautor da revisão e professor da Universidade de Bath. Para ele, o teste com ratos pode ajudar a explicar a dinâmica das células imunológicas depois de exercícios intensos. "As pessoas não devem deixar os exercícios de lado por medo de prejudicar o sistema imunológico ", afirma John Campbell, outro autor do estudo.


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