Estes 60+ vão fazer você se sentir muitíssimo sedentário

Conheça a história de anônimos e famosos que mostram que o melhor esporte para se praticar é aquele que a pessoa mais gosta

19/03/2018



O que você mais ama fazer com seu corpo e não gostaria de parar nunca? O que você sempre teve vontade de experimentar, mas achou que não tinha mais idade para isso? Cada vez mais, estamos cercados de exemplos de atletas amadores ou profissionais que encontram sua paz, saúde, felicidade e força nos esportes que amam. Veja esses exemplos de pessoas a partir de 60 anos que não sentem na idade uma fronteira para praticar seus esportes e atividades físicas preferidos.

 

Johanna Quaas, ginasta, 92 anos

 

Atletas de ginástica olímpica têm carreira curta, se aposentam cedo e destroem as articulações: muitos mitos que a existência de Johanna Quaas derruba. A alemã de 92 anos é ginasta desde a infância, foi instrutora, e segue praticando sua arte com força, elasticidade, beleza e uma maestria que as décadas de experiência só lapidaram. Johanna nunca participou de Jogos Olímpicos, mas dedicou sua vida à ginástica – acabou entrando para o livro dos recordes como a ginasta mais velha do mundo. Seus vídeos na internet nas barras paralelas ou de solos no tablado são emocionantes e inspiradores. Veja este aqui publicado em janeiro de 2018 no canal do Facebook da rede de TV alemã SWR Sport.

 

Herberto Bergmann, surfista e iogi, 61 anos

 

Herberto Bergmann

O coach psico-orgânico Herberto Bergman, aprendeu a surfar aos 48 anos. “Havia feito uma aula experimental em Ubatuba para acompanhar meu filho e peguei gosto pelo esporte.” As aulas aos finais de semana logo passaram a escapadas para a areia sempre que possível. “Muita coisa mudou na vida a partir do surf, principalmente em relação à autoconfiança e ao prazer em vencer desafios”, conta. Agora, aos 61 anos, ele está começando no stand up paddle e curtindo o novo esporte. Outra prática do qual é adepto é a ioga, que para ele foi a forma perfeita de unir alongamento e meditação. A prática frequente trouxe ganhos que Herberto sequer esperava: de acordo com seu ortopedista, é o que possibilita que ele realize tantas atividades sem dor, já que ele convive com um desgaste da estrutura óssea na coluna vertebral. “A combinação do surf com a ioga é incrível. Uma atividade potencializa a outra e o resultado é uma vida mais feliz”, afirma.

Lucia Trillo, nadadora de águas abertas, 62 anos

Lucia Trillo

Aos 62 anos, Lucia Trillo, finalmente tem tempo de viver suas aventuras. A aposentada aprendeu a nadar aos 45 anos, mas com o tempo, começou a ficar entediada de ficar na piscina rodando sem objetivo. Foi quando ouviu falar nas maratonas aquáticas. “Experimentei e me apaixonei. Fui atrás de um treinador, ele topou me treinar, e não parei mais”. As maratonas aquáticas envolvem distâncias longas, correnteza, temperaturas frias, e exigem um psicológico muito forte e bem preparado. “As provas que costumo fazer são de 24 km, e minha média é de 7 horas. Não é só força física. Eu acho que a experiência ajuda, tenho determinação e foco”, afirma. Para dar conta, ela tem uma rotina de treinos puxada: cerca de 2 ou 3 meses antes de uma prova, ela treina na piscina diariamente durante a semana, e aos fins de semana, faz treinos longos de 10 ou 12 km em uma represa ou canal. Lucia já atravessou a nado o Estreito de Bósforo, entre o Mediterrâneo e o Mar Negro, nadou na Costa Rica, em Budapeste e Acapulco, e agora se prepara para uma maratona que dará a volta a nado na Ilha do Mel, no litoral do Paraná.

Sérgio Felix, multiesportista, 75 anos

 

O que você gostaria de estar fazendo aos 75 anos? Sergio Felix, professor de educação física aposentado, corre maratonas, anda de bicicleta, salta de paraquedas e faz montanhismo. “Nasci para o esporte, e amo tudo que é ao ar livre”, ele diz. Sergio não vê motivo nenhum para interromper uma vida de prazer no movimento só porque o tempo passa. “Quando você começa a fazer algo há bastante tempo, aumenta a facilidade de exercer aquela atividade. A prática constante mantém sua condição física, e a técnica não se perde”, explica o multiesportista. Ele treina corrida 4 ou 5 vezes por semana e faz fortalecimento, com objetivo de estar em dia para seu tipo de corrida preferido: “gosto de maratonas, porque sei que sou lento e gosto de correr nesse ritmo. Você ajusta sua condição física a seus quereres”.

 

Julio Spanner, escalador, 67 anos

Julio Spanner

O passar do tempo não é capaz de separar Julio Spanner das montanhas. O escalador de 67 anos herdou a paixão do pai, Jorge Hans Spanner, e a passou para o filho, Igor. Para ele, a escalada não é simplesmente um esporte, é estilo de vida. Tanto que a sua primeira escalada foi levado pelo pai, aos 5 anos de idade e não parou. E nem pensa em parar. Longe de reduzir o ritmo com o passar das décadas, a experiência só faz o “Véio da Touca” se mover nas alturas com mais fluidez e experiência. O apelido é como ele é conhecido por toda a comunidade de montanhistas e escaladores da região do Parque Nacional do Itatiaia, onde Julio mora, e cenário de suas escaladas preferidas. Ele escala quase todos os fins de semana com o filho Igor e os amigos acumulados em décadas com os pés na rocha e coração nas nuvens.

Mark Sisson, crossfit, 64 anos

 

Se você acha que crossfit é “só coisa de jovem”, reveja seus conceitos. O ex-atleta de Ironman e maratonista Mark Sisson tem 64 anos e é um dos maiores garotos-propaganda de um estilo de vida mais simples, que inclui movimentação integral com o crossfit e outras atividades, e uma alimentação mais natural. Ele é adepto do crossfit e defende a prática para ganho de força, estabilidade, equilíbrio e saúde cardiovascular. Não que isso o impeça de praticar outros esportes: em sua conta de Instagram, ele pode ser visto esquiando nas montanhas, surfando na praia, correndo, pedalando...

 

Quer saber como é um dia na vida de Mark Sisson? Veja um dos vídeos que ele publicou em seu canal no YouTube.

 

Robert Marchand, ciclista, 106 anos

 

Idade é um limite que pode separar alguém de sua maior paixão? O ciclista francês Robert Marchand, de 106 anos, acredita que não. Ele é o detentor do recorde da hora em sua categoria etária. Trata-se de um desafio em velódromo, em que o ciclista pedala na velocidade máxima que é capaz durante uma hora. Ele é o campeão em sua categoria (aliás, criada especialmente para ele), acima de 105 anos, com 22,547 km/h – e nos anos anteriores, manteve o recorde também. Por recomendação médica, esse ano Marchand parou de competir, mas continua pedalando em sua bicicleta ergométrica, em casa, em Paris – sem planos de parar.

 

O canal de TV France 24 fez este vídeo contando um pouco da vida do francês (conteúdo em inglês).

 

Teresa d’Aprile, ciclista, 69 anos

Teresa d’Aprile

Aos 37 anos, Teresa d’Aprile se separou e comprou uma bicicleta – até hoje ela não sabe explicar o porquê. “Só sei que se não fosse a bike, eu iria para o hospício”, diz a ciclista de 69 anos, uma das maiores referências do ciclismo paulistano. Foi pedalando que começou a ir para o emprego que arrumou, o primeiro depois de deixar a vida de dona de casa em período integral. A verdade é que foi a partir daí que Teresa achou o amor da sua vida, a bicicleta. A rotina começou a orbitar ao redor da magrela: ela conheceu o segundo marido no meio da bike, trabalhou em bicicletarias, e começou o Saia na Noite, grupo feminino de pedal com 26 anos de existência. “Estou com quase 70 anos e se eu parar de pedalar, pode me internar, porque fiquei louca. Não ligo mais para o que os outros pensam e falam. Quem quiser, pode me chamar de ‘véia’, de avó. O bom da minha idade é poder fazer o que eu quiser”, afirma. Além de puxar o pedal do grupo, Teresa segue totalmente ativa (e competitiva!). “Numa semana boa, pedalo uns 150 km. Eu fiz a 9 de Julho [prova tão representativa para o ciclismo paulistano quanto a São Silvestre é para a corrida] ano passado e ganhei medalha. Peguei segundo lugar por 1 segundo”, conta, inconformada com o segundo lugar.

Larry Pacifico, levantador de peso, 72 anos

 

Larry Pacifico é uma das lendas vivas do levantamento de peso, considerado um dos melhores atletas dessa modalidade de todos os tempos, e segue na ativa, na categoria Masters. No fim da adolescência, chegou a praticar levantamento de peso e lançamento de disco. Larry quebrou mais de 50 recordes ao longo da carreira. Aos 72 anos, além de competir, ele treina outros atletas. “Já treinei powerlifters que começaram aos 58 anos. Ele se chamava Mac Richards e venceu cinco campeonatos nacionais e três mundiais”, conta Larry, que venceu ele mesmo 9 mundiais. “Continuo amando o esporte e gosto de treinar jovens atletas, das categorias junior”, diz.

 

Ghislaine Vampré e Rosangela Bacima: Juntas na linha de chegada

Ghislaine Vampré e Rosangela Bacima

Ghislaine Vampré (à esquerda) e Rosangela Bacima ficaram amigas num grupo de corrida do trabalho. O coleguismo na atividade virou amizade, conforme acumularam provas juntas. Em 2010, resolveram encarar a Maratona de Berlim. Depois de encararem diversas maratonas em 2017, resolveram fazer a primeira ultra, com distâncias que começam a partir de 42 quilômetros. Ghislaine é arquiteta e tem 62 anos; Rosangela Bacima tem 60 e é consultora e coach executiva e empresarial. Cumprindo rigorosamente as planilhas, conciliadas com as responsabilidades profissionais e familiares, as duas completaram com sucesso a prova realizada na África do Sul. Chegar aos 60 foi só largada de novos projetos e as duas pretendem correr muito mais.

Créditos das fotos desta mateira: Arquivo Pessoal dos personagens


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Lucia Trillo

12 de abril de 2018

Matérias fantásticas que nos estimulam a continuar sempre em movimento ! Obrigada!