Exercício libera hormônio que pode deter avanço do Alzheimer

Cientistas brasileiros participam de estudo que mostra como a irisina pode frear a perda de memória

08/01/2019



Fazer exercícios pode ser uma boa maneira de minimizar os danos causados ao cérebro pelo Alzheimer. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em conjunto com cientistas de outros países e publicado na revista Nature Medicine mostra que a prática de atividades físicas faz o corpo liberar quantidades maiores de um hormônio --a irisina-- que pode prevenir a perda de memória relacionada à doença, informa o El País.

 

 

Isso acontece porque, quando nos movimentamos, os músculos liberam irisina na corrente sanguínea, e assim o hormônio chega ao cérebro, onde é capaz de melhorar nossa capacidade de raciocínio.

 

Em conjunto com pesquisadores da Universidade de Columbia, a equipe da UFRJ comprovou esse efeito em um estudo realizado com ratos. Eles demonstraram que o aumento dos níveis de irisina e da proteína FNDC5 reduziu o déficit de memória e de aprendizagem nos ratos que tinham Alzheimer.

 

Por outro lado, eles também viram que quando o surgimento de irisina no cérebro era bloqueado, os ratos doentes perdiam os efeitos benéficos ao cérebro trazidos pelos exercícios.

 

Segundo os cientistas, esses resultados nos permitem concluir que o exercício melhora as capacidades cognitivas e atrasa a degeneração no cérebro de roedores com Alzheimer, mas ainda é preciso fazer mais estudos para entender como a irisina entra em ação e como interage com o cérebro --e se tem o mesmo efeito em humanos.

 

Essa descoberta, porém, abre caminho para testar novas formas de tratar a doença e retardar a deterioração cognitiva em quem tem Alzheimer, uma doença que não tem cura e atualmente afeta um milhão de pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde --no mundo, são 35 milhões de pessoas.

 

“A grande contribuição do nosso estudo foi mostrar que os níveis desse hormônio estão de fato diminuídos nos cérebros dos pacientes com Alzheimer. Em segundo lugar, foi tentar investigar se repor os níveis desse hormônio no cérebro dos camundongos seria bom para a memória. E nós vimos que, de fato, se você aumentar os níveis de irisina, melhora a memória. E, finalmente, foi demonstrar que a irisina é, justamente, o intermediário entre o efeito benéfico do exercício e a melhora de memória", explicou o professor da UFRJ Sergio Ferreira, um dos autores do estudo, ao G1.


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