Mulheres grávidas podem fazer exercício intenso?

Novos estudos sugerem que sim –e que é possível até mesmo escalar o monte Everest

10/10/2018



Mulheres que gostam de fazer exercícios intensos, como correr, pedalar e levantar peso, devem interromper essas atividades durante a gravidez? Essa é uma questão que tem intrigado gestantes e médicos há muito tempo, e só agora começam a aparecer respostas da ciência, informa o The New York Times (conteúdo aqui em inglês).

 

Durante a gestação, parte do sangue, da energia e do oxigênio da mãe vai para o feto. O corpo da mulher ganha vasos e volume, mas o oxigênio que vai para o útero é bastante escasso. É por isso que os médicos se preocupam com a possibilidade de exercícios vigorosos serem uma demanda física muito grande para as gestantes, "roubando" nutrientes e oxigênio que poderiam ir para o bebê.

 

 

Mas novos estudos colocam essa impressão em xeque. Em um deles, publicado no British Journal of Sports Medicine, pesquisadores acompanharam 130 atletas de elite e mães durante três anos, incluindo o período da gestação. Algumas delas competiam em esportes que envolvem impactos, como corrida e futebol; outras faziam atividades de baixo impacto, como natação, e um terceiro grupo foi formado com mães que não eram atletas.

 

As informações coletadas pelos pesquisadores mostraram que as atletas (muitas das quais haviam treinado após o segundo trimestre de gravidez) tiveram gestações saudáveis e poucas complicações no parto. Elas também tiveram menos probabilidade de ter rompimento do períneo no parto, especialmente quando faziam esportes de impacto.

 

O segundo estudo, publicado no Journal of Applied Physiology, avaliou a saúde e as atividades físicas de uma corredora de elite que acompanhava grupos em escaladas no monte Everest mesmo na fase avançada de sua gestação.

 

Monitorando seus indicadores vitais, eles descobriram que ela fazia mais de 270 minutos de exercício por dia, escalava o monte até o Base Camp, a mais de 5.000 m de altura e, mesmo assim, não teve problemas na gravidez e deu à luz uma menina saudável.

 

Para a autora do primeiro estudo, Thorgerdur Sigurdardottir, esses achados mostram que a gravidez nem sempre é sinônimo de fragilidade física. "É importante avaliar de forma individual como deve ser o treino na gravidez e conversar com o médico. Fazer atividades físicas antes e durante a gestação faz muito bem à mãe, à criança e ao processo do parto", conclui.


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