Nosso cérebro é programado para a preguiça?

A gente sabe que fazer exercício faz bem para a saúde, mas sair do sofá requer muito esforço mental

19/09/2018



Por maiores que sejam os esforços de médicos, pesquisadores e educadores físicos para nos conscientizar de que fazer exercícios faz muito bem para a saúde, nem todo mundo quer sair do sedentarismo.

 

O que parece apenas preguiça, porém, pode ser uma programação que já nasce embutida no cérebro, aponta um novo estudo publicado no periódico Neuropsychologia. "A conservação de energia tem sido essencial para a sobrevivência humana, pois nos permitiu ser mais eficientes na busca de alimentos e de abrigo, na competição por parceiros sexuais e para evitar predadores", explica Matthieu Boisgontier, autor do estudo, ao Science Daily (conteúdo aqui, em inglês).

 

 

Para testar a reação do cérebro à sugestão de fazer atividades físicas, os pesquisadores pediram a voluntários que se sentassem na frente de um computador. Os participantes, então, viam imagens de atividade e inatividade física e tinham de mover um avatar o mais rápido possível na direção das figuras ativas e afastá-lo das figuras que não estavam se exercitando.

 

Enquanto isso, eletrodos gravavam o que se passava em seus cérebros. Em geral, os participantes moviam mais rapidamente o avatar em direção às figuras ativas, mas seu cérebro fazia mais esforço quando eles precisavam afastar o avatar das figuras em inatividade.

 

Estudos anteriores já haviam mostrado que as pessoas são mais rápidas ao evitar comportamentos sedentários e se mover em direção a comportamentos ativos. "A novidade deste estudo é mostrar que a recusa rápida à inatividade física tem um custo: um maior envolvimento de recursos do cérebro. Esses resultados sugerem que nosso cérebro é atraído, de forma inata, a comportamentos sedentários", diz Boisgontier.

 

A grande questão, agora, é saber se o cérebro pode ser retreinado. "É difícil inibir qualquer coisa que acontece automaticamente, mesmo se você quiser, porque não se percebe que isso está acontecendo. Mas saber que isso acontece é um primeiro passo importante."


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