Quando é hora de trocar o treino para não estacionar?

Alguns dizem que é bom variar a cada seis ou oito semanas – mas a história não é bem assim

20/06/2018



Tem sempre um momento em que parece que não estamos mais avançando nos exercícios – ao terminar uma série de musculação, por exemplo, nenhuma gotinha escorre da testa. Será que chegou a hora de mudar de treino?

 

Nas academias, os instrutores dizem que trocar a série de exercícios é crucial para o corpo não estacionar. Alguns especialistas defendem que o ideal é fazer isso a cada seis ou oito semanas, que teoricamente é o tempo que o corpo leva para se adaptar ao exercício que você está fazendo.

 

 

 

 

A história, porém, não é bem assim – esse prazo mágico é um mito, afirma ao Greatist (conteúdo em inglês) o fisiologista Richard Well. "Não existem diretrizes baseadas em pesquisas científicas que definam com que periodicidade se deve variar o exercício para o corpo não estacionar."

 

Esse número, na verdade, vem de uma teoria desenvolvida pelo endocrinologista húngaro Hans Selye nos anos 1930. Ele defendia que os músculos necessitam de estresse constante para mudar.

 

O que realmente acontece é que as adaptações dos neurônios são mais proeminentes na fase inicial de um treino, quando nosso corpo está aprendendo como fazer os movimentos corretamente - e ficam menos proeminentes por volta das oito semanas de treino. Só que a adaptação estrutural dos músculos continua acontecendo depois dessas oito semanas, então trocar de treino nesse momento limita o crescimento muscular.

 

Por isso, em vez de se apegar a um número, é melhor observar como o corpo está reagindo ao exercício. Nosso corpo é eficiente, então dá para continuar desafiando seus limites com pequenas mudanças no número de repetições ou na duração da atividade, por exemplo. Esses pequenos desafios são ideais para mexer tanto com a adaptação dos neurônios como a dos músculos.

 

Um sinal de que o corpo já se acostumou ao exercício e se acomodou é quando sua prática começa a ficar fácil, e terminar a série não requer muito esforço. Daí vale a pena mudar de exercício, até mesmo para algo menos intenso - o que conta é fazer algo diferente e voltar a desafiar o cérebro e os músculos.


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