Só fazer exercício não basta para emagrecer

Estudo com ratos indica que o cérebro pode “sabotar” a queima de calorias e, por isso, reduzir a perda de peso

11/04/2018



Fazer exercícios é sempre bom para mantermos nosso organismo saudável, mas apenas contar com ele pode não ser a melhor maneira de emagrecer, aponta um estudo publicado na Diabetes. Esse estudo foi feito com ratos, mas nos ajuda a entender melhor por que nem sempre perdemos peso quando estamos treinando.

 

Nos últimos anos, várias pesquisas têm concluído que apenas fazer exercícios não é o suficiente para perder peso, aponta o The New York Times (conteúdo em inglês). Nesses experimentos, as pessoas perderam bem menos peso do que era matematicamente esperado devido à queima de calorias adicionais.

 

 

Os pesquisadores, então, suspeitaram --e algumas vezes demonstraram-- que quando nos exercitamos ficamos com mais fome e consumimos mais calorias. Ou que algumas pessoas acabam ficando mais sedentárias quando terminam os exercícios. Essas mudanças poderiam, portanto, compensar a queima de calorias durante os exercícios e, no final, não mudar em nada o peso corporal das pessoas (e dos ratos).

 

Nesse novo estudo, pesquisadores da Universidade Vanderbilt usaram raios infravermelhos para rastrear os movimentos de ratos em suas gaiolas e mapear seus padrões de atividade física, antes e depois de fazerem exercícios em rodas especiais, nas quais os roedores adoram correr.

 

Com isso, descobriram que, ao fazer exercício, os ratos tiveram um aumento de gasto de energia, mas não mudaram seus hábitos alimentares. O que mudou, porém, foi a maneira como eles começaram a se mover. Ao sair da roda, eles pararam de passear pela gaiola como antes e passaram a descansar depois de fazer exercícios.

 

Essa mudança de comportamento compensou o gasto calórico de correr na roda. Em geral, os ratos corredores tiveram um balanço energético negativo em seu dia, queimando um pouco mais de calorias do que as consumidas. Só que esse déficit calórico seria 45% maior se eles não tivessem parado de se movimentar pela gaiola.

 

A conclusão do estudo, dado que os ratos não estavam fatigados nem sem tempo de andar pela gaiola, foi a de que o cérebro dos ratos pode ter percebido o início do déficit energético e por isso começou a enviar sinais biológicos para o corpo desacelerar e poupar energia --e, portanto, evitar a perda de peso, explica Daniel Lark, autor do estudo.

 

Ratos, é claro, não são seres humanos, aponta Lark, por isso esses resultados não se aplicam diretamente a nós. Mas podem nos ensinar que fazer exercício pode não ser suficiente para perder peso se não mudarmos nossos hábitos alimentares e se aumentarmos nosso sedentarismo depois dos treinos.


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