10 curiosidades sobre a história do carnaval

No Brasil já teve de tudo: desde blocos de intelectuais até duas festas no mesmo ano



Você sabia que o carnaval surgiu em Roma? E que aqui no Brasil ele começou de maneiras bem diferentes, primeiro em Pernambuco e depois no Rio de Janeiro? Ou que em dois anos a gente pulou carnaval em duas datas diferentes?

 

Há mais mistérios sobre essa festa milenar do que sonha nossa vã sabedoria. Confira, então, dez fatos históricos e curiosos sobre a nossa folia preferida, compilados pelo Guia dos Curiosos e pelo pesquisador Hiram Araújo, autor de “Carnaval: Seis Milênios de História” e criador do Centro de Memória do carnaval.

 

Romanos começam a festa

A história do carnaval começa na Roma Antiga, no século 8 antes de Cristo, como uma festa para homenagear o deus Saturno – por isso as comemorações tinham o nome de Saturnais. Nessa festa, as pessoas saíam às ruas para dançar, liberavam seus escravos e a grande atração eram os homens e mulheres que desfilavam nus em carros que, em latim, chamavam carrum navalis (carros que se assemelhavam a navios, daí o nome).

 

De onde vem o nome?

 

Boa pergunta. Essa questão causa bastante divergência entre os pesquisadores do carnaval. Para alguns, a origem é a palavra carrum navalis (os tais carros navais). Outros defendem que o nome surgiu por volta de 590 d.C., quando o papa Gregório 1 transferiu a data da Quaresma para o sexto domingo antes da Páscoa – o domingo anterior, então, virou o dominica ad carne levandas, que teria virado carne levale, carneval e carnaval em diversos dialetos italianos.

 

 

A oposição da Igreja

 

O carnaval é uma festa pagã, e de início a Igreja Católica condenava esse tipo de comemoração. Mas, com o passar dos séculos e a popularização do festejo, a instituição foi ficando menos severa. Muitos séculos depois, em 590 d.C., o carnaval foi reconhecido pela Igreja, com a condição de que o dia seguinte – a Quarta-Feira de Cinzas – fosse dedicada à purificação dos pecados e ao arrependimento. A data tem esse nome por causa do costume de marcar a testa dos fiéis com cinzas de uma fogueira em sinal de penitência. A partir daí, a Quarta-Feira de Cinzas marca o início da Quaresma.

 

A folia na Europa

 

Ao longo dos séculos, o carnaval foi se espalhando pela Europa, sobretudo na Itália (Roma e Veneza), na França (Paris e Nice) e na Alemanha (Nuremberg e Colônia), e adquirindo novos contornos. Na Idade Média (do século 5 ao 15 d.C.), a festa passou a incluir atos e procissões que tomavam as praças e as ruas durante dias inteiros e ganhou um caráter cômico e irreverente. Começou aí a tradição de eleger os “reis e rainhas” e de expressar uma visão de mundo e das relações humanas que se opõe à oficial, pregada pela Igreja e pelo Estado, incluindo as sátiras aos poderosos.

 

A Igreja pega leve

 

O sucesso popular do carnaval fez a Igreja reconhecer, oficialmente, sua importância. No Concílio de Trento, em 1545, discutiu-se a importância de o clero não hostilizar a festa. Alguns anos depois, o carnaval vira uma data incorporada ao calendário juliano-gregoriano (o que usamos até hoje) por iniciativa do papa Gregório 13, em 1582.

 

A chegada ao Brasil

O carnaval não demorou a vingar no Brasil depois da chegada dos portugueses. Em 1553 já havia relatos sobre o entrudo (que em latim significa “abertura da Quaresma”), em Pernambuco. Era uma festa de origem portuguesa, na qual os foliões se divertem sujando uns aos outros atirando polvilho, farinha e até limões-de-cheiro (recheados com água e urina). Vem daí o costume de brincar com bexigas e sprays de espuma durante o carnaval.

 

O primeiro baile

 

Já o primeiro baile de carnaval realizado aqui no Brasil aconteceu no Rio de Janeiro. Por iniciativa de uma atriz italiana que queria reproduzir aqui o Carnaval de Veneza, organizou-se um baile no Largo do Rocio, em 1840.

 

O primeiro bloco

Alguns anos depois, o baile iria ganhar as ruas do Rio de Janeiro. Em 1848, o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira, saiu pelas ruas tocando bumbo e as pessoas foram se juntando a ele para festejar. Essa seria a origem dos blocos de rua. O primeiro bloco organizado sairia por iniciativa do Congresso de Sumidades Carnavalescas, fundado pelo escritor José de Alencar em 1855.

 

Uma festa nada popular

 

Esse primeiro bloco organizado era composto por grupo de intelectuais, que foram até o palácio de São Cristóvão pedir à família real que assistisse ao desfile - e Dom Pedro II aceitou. Nessa época, o carnaval carioca era uma festa das elites, com desfiles luxuosos, com carros enfeitados e grupos musicais estruturados.

 

Carnaval em junho?

Quase aconteceu: em 1892, o extinto Ministério do Interior tentou mudar a data da festa para 26 de junho, um mês que, para eles, era “saudável”. O povo não se fez de rogado, e aproveitou o ano para fazer dois Carnavais. Em 1912 aconteceu algo semelhante: por causa da morte do Barão do Rio Branco (no início de fevereiro daquele ano), o governo decretou luto oficial e transferiu a data para abril. Mas a população não aderiu ao luto e festejou duas vezes. A revista Superinteressante conta esta história e também a da festa que quase não aconteceu em 1918 nesta matéria.

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