3 mulheres contam quais são os seus sonhos para 2019 (e para o futuro)

Elas contam o que já estão fazendo para mudar as suas vidas, as de outras brasileiras e o rumo da longevidade

08/03/2019



Uma das frases mais célebres da escritora francesa Simone de Beauvoir é a que diz que ninguém nasce mulher, e sim se transforma em mulher ao longo da vida. E essa jornada pessoal e profissional revela que o universo feminino não tem apenas uma, e sim várias formas: a empreendedora, a mãe, a pesquisadora, a esportista, a política — e por aí vai.

 

“As mulheres, e não os homens, estão passando por grandes revoluções no curso de suas vidas”, concorda o médico gerontólogo Alexandre Kalache, colunista do Viva a Longevidade. “Elas viraram a mesa, e vão buscar aquilo que suas mães e suas avós não tiveram.”

 

Cada uma tem seus sonhos e seus projetos, para hoje e para o futuro. Por isso, o Viva a Longevidade conversou com três mulheres que se destacaram em 2018 e que nos contam, neste Dia Internacional da Mulher, o que desejam realizar no presente e o que sonham para o futuro — não só o de cada uma, mas o de todas as brasileiras.

 

 

Com 30 reais no bolso, a paranaense Ariane Santos, de 40 anos, abriu, no fim de 2012, um ateliê especializado em transformar resíduos das indústrias têxtil e automotiva em peças de vestuário e de decoração.

 

Mas o seu negócio social — a Badu Design — não transforma apenas o destino de sobras de tecido e peças de carros. Em 2018, 400 mulheres da região metropolitana de Curitiba (PR) aprenderam uma ocupação e descobriram não só o seu próprio valor, mas também uma rede de apoio para superar problemas que vão do desemprego ao abuso doméstico. “O coração da Badu é a capacitação da mulher, o despertar de uma pessoa que antes não via seu valor nem achava que poderia empreender”, explica Ariane.

 

“Espero que, no futuro, as mulheres não sejam apenas cuidadoras dos outros, e sim de si mesmas.”

Ariane Santos

Em 2019, Ariane planeja levar essa transformação a mais cidades, com uma caravana sustentável que vai ensinar sua metodologia de trabalho a mais gente. “Vamos gerar novas ideias e fazer mais coisas acontecerem”, afirma a empreendedora. “Nossa expansão é importante porque existe uma grande demanda em outros lugares. Quero compartilhar com outras pessoas o que eu mesma aprendi”, diz.

 

O seu sonho para as próximas décadas é que mais mulheres se sintam empoderadas como suas colegas na Badu. “Eu espero que todas se vejam como merecedoras de estar em lugares nos quais sintam orgulho de si. E que no futuro não sejam apenas cuidadoras dos outros, e sim de si mesmas, em primeiro lugar, para terem mais qualidade de vida para aproveitar a velhice.”

 

 

 

Depois de vencer o Prêmio Pesquisa em Longevidade – Gerontologia em 2018, com sua tese doutorado sobre as relações entre avós e netos, a gaúcha Anne Carolina Ramos, 38 anos, tem um novo desafio para 2019: dedicar mais tempo às duas filhas, enquanto avança na carreira acadêmica. “São duas expressões diferentes do feminino que eu quero explorar”, conta.

 

Anne está começando seu projeto de pós-doutorado e quer analisar melhor a relação entre avós e netos brasileiros que vão morar em outros países. Em 2019, o seu objetivo é terminar o seu projeto de pesquisa e buscar financiamento. “É difícil balancear a maternidade e a pesquisa, porque a academia tem uma demanda de produtividade que não leva esse fator em conta”, diz. Ainda assim, Anne terminou o doutorado durante sua primeira gravidez, e na segunda escreveu um artigo – sua filha mais velha tem um ano e meio, e a mais nova, quatro meses.

 



“O cuidado é um grande desafio para o envelhecimento da mulher.”

Anne Carolina Ramos

Nessa jornada, ela considera essencial a parceria com o marido. “Acho engraçado quem diz que o marido ajuda. É muito mais uma divisão de tarefas do que uma ajuda. Só assim dá pra tocar a vida em casa e fora dela, e viver bem, envelhecer bem.”

 

Por enquanto, Anne considera que o cuidado com a família ainda é uma responsabilidade feminina, em parte por um fator cultural, em parte porque faltam políticas públicas de cuidado com idosos. “Isso sobrecarrega a mulher, especialmente as avós, que cuidam dos filhos, dos netos e até dos pais idosos, e muitas vezes são o sustento financeiro da família”, avalia. “O cuidado é um grande desafio para o envelhecimento da mulher. O Dia da Mulher é um momento para a gente se pensar enquanto um grupo e ver que ainda há muito por que lutar.”

 

 

 

A biomédica Tamires Alves Sarno, 28 anos, conta que seu grande projeto para 2019 é avançar em sua pesquisa de doutorado sobre um fruto do Cerrado brasileiro que pode combater o Alzheimer. Em 2018, ela venceu o Prêmio Pesquisa em Longevidade, com seu mestrado sobre um tratamento medicamentoso para a doença. Agora, em uma pesquisa pioneira, Tamires investiga se esse fruto do Cerrado, que tem propriedades anti-inflamatórias, também pode ser um aliado.

 

“Em 2019, meu projeto é desenvolver esse trabalho e pesquisar o potencial desse fruto para o tratamento da doença, uma vez que ela também pode ser caracterizada como um processo inflamatório”, explica. “Meu maior desejo é participar de grandes estudos sobre o tema e poder contribuir não só para ajudar a comunidade científica, mas também para aliviar o sofrimento de quem tem Alzheimer.”

 

Tamires conta que a vontade de ser pesquisadora despertou já na época da faculdade, e que sua avó foi uma inspiração para a sua pesquisa sobre o Alzheimer. “Ela foi a cuidadora da minha bisavó, que teve a doença, então desde cedo já pensava sobre como melhorar a qualidade de vida dos pacientes.”



“Espero que as mulheres tenham mais consciência que é essencial se cuidar para prevenir ou retardar o desenvolvimento do Alzheimer.”

Tamires Alves Sarno

 

Enquanto não se descobre como reverter o Alzheimer, a melhor maneira de envelhecer bem é se cuidar, aponta a biomédica. “Eu espero que as mulheres tenham mais consciência de que é essencial se cuidar, se alimentar bem, fazer exercícios, ir ao médico. Estudos já mostram que isso é importante para prevenir o Alzheimer ou fazer com que ele se desenvolva mais tardiamente”, afirma. “Tem que se conscientizar agora, porque são essas atitudes que estão em nosso poder. O Dia da Mulher é um dia para se lembrar de olhar para a mulher como um ser sensível, mas forte, porque pode quebrar muitas barreiras.”


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Ana Maria

08 de março de 2019

Sou idosa e adoro saber e participar de tudo.