Como nossas ações em relação ao meio ambiente podem afetar o futuro?

Dá tempo para correr atrás do prejuízo, só não dá para deixar para depois



'O sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão'. Há mais de 100 anos, a frase atribuída a Antônio Conselheiro, um dos líderes da Guerra de Canudos, alertava para as consequências dos maus-tratos ao meio ambiente. Atualmente, o assunto segue cada vez mais presente em nossas vidas, com as evidências de que a saúde do planeta está pedindo ajuda. Se nada for feito, quem vai pagar a conta? Bem, muito provavelmente nós mesmos.

 

De acordo com relatório do Fórum de Vulnerabilidade Climática, de 2012, as mudanças do clima custam ao mundo US$ 1,2 trilhão por ano. A quantia deve dobrar até 2030, informa o jornal O Globo. Se você acha que isso é um problema que você não vai enfrentar, seja porque está muito distante, ou porque não somos um país industrial, é melhor rever seus conceitos. O Brasil, por suas dimensões continentais, corre riscos em pelo menos quatro frentes.

 

Como as mudanças climáticas podem afetar você?

 

A começar por uma onda de alta nas temperaturas. Se nada for feito, o impacto das mudanças climáticas pode ser drástico com dias mais quentes e incidência de secas durante o ano sobre diferentes áreas. Em cenários extremos, parte das cidades hoje habitadas corre o risco de se converter em zona de risco para o convívio humano. Isso implicaria em um fluxo migratório para áreas livres dos excessos climáticos, resultando em adensamentos urbanos. “Algumas regiões vão sofrer mais: América Latina, África e Oriente Médio”, afirma Andréa Santos, secretária executiva do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Além da concentração de pessoas, as secas também gerariam problemas para a produção de energia – e por tabela para o bolso da população. O motivo é simples: a matriz energética do país é dominada pelas usinas hidrelétricas, dependentes dos recursos hídricos. Quando não há atividade plena das hidrelétricas, o Brasil precisaria colocar em funcionamento termelétricas: mais caras, pesariam mensalmente nas contas de luz. Nos últimos anos, já tivemos que acionar as termoelétricas para garantir a energia e a conta foi repassada para os consumidores. Além disso, são movidas justamente por combustíveis fósseis – uma energia nem um pouco limpa.

 

O déficit hídrico também afetaria a produção de alimentos. De acordo com o relatório Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades – uma produção que envolveu instituições públicas atuantes na questão ambiental –, com exceção da cana-de-açúcar, a produção de todas as demais culturas agrícolas seria afetada pela escassez de água. A pecuária também passaria por problemas. Resultado: oferta menor de alimentos e preços mais altos.

 

 

Como se não bastasse, ar com concentração de poluentes significa aumento de pessoas doentes. Aumento na quantidade de doentes implica em risco à população e aumento no número de filas nos hospitais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), informa o portal IG, a poluição do ar é, também, fator de risco crítico para doenças crônicas não transmissíveis (como doenças cardíacas, AVC e câncer de pulmão). O quadro não é bom e está diretamente relacionado com a forma com que tratamos nosso meio ambiente. Em 2017, dois pesquisadores norte-americanos publicaram artigo na revista Nature Climate Change (conteúdo em inglês) projetando 60 mil mortes em 2030 e 260 mil em 2100 no mundo todo se a qualidade do ar não melhorar.

 

Hábitos sustentáveis para emitir menos carbono

 

A boa notícia é que com ações do dia a dia é possível contribuir para conter os efeitos climáticos. Segundo estudo publicado na revista Environmental Research Letters (conteúdo em inglês), dirigir menos é uma iniciativa bem-vinda nesse sentido, uma vez que contribui para diminuir a emissão de CO2, um dos principais vilões das mudanças climáticas.

 

É claro, nem todos podem abrir mão do automóvel, mas ajuda deixar o carro na garagem de vez em quando em prol do coletivo. Capitais como Curitiba possuem ônibus elétricos, altamente recomendados. Sistemas de trem e metrô ou locomoção por bicicleta também são exemplos de meios de transporte simpáticos ao meio ambiente.

 

Outra orientação é reduzir a carne vermelha na dieta. Não precisa ser sempre, mas em vez de todos os dias, que tal se servir de um prato de bife duas ou três vezes na semana? A produção pecuária exige muita água e ocupa terras extensas ao contrário de alimentos vegetais, que causam um impacto ambiental menor.

 

Acordos globais

 

Também existem esforços em escala global. O Acordo de Paris é o mais recente compromisso pelo meio ambiente. Assinado no fim de 2015 por 147 países mais a União Europeia, tem como principal meta impedir que o aumento médio da temperatura passe de 2°C até o fim do século. O Brasil, por exemplo, se comprometeu até 2030 reduzir as emissões dos gases de efeito estufa entre 37% e 43% abaixo dos níveis de 2005, além de ampliar a participação de energias renováveis em sua matriz energética e reduzir o desmatamento em biomas como o pantanal e a caatinga. Muita água deve rolar até que o Acordo de Paris saia do papel, enquanto isso podemos fazer nossa parte, não é mesmo?

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