Como será a nossa vida em 2050?

A tecnologia ainda vai mudar bastante o nosso modo de comer, trabalhar, cuidar da saúde, fazer compras e andar de carro

03/02/2020



Já não é segredo que jovens e adultos têm boas chances de levar uma vida bem longeva. Os brasileiros hoje vivem, em média, 31 anos a mais do que em meados do século passado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

O mistério está em saber como será a nossa vida no futuro. Mais do que um exercício de adivinhação, olhar as tendências de hoje para imaginar como elas farão parte do nosso dia a dia amanhã é uma maneira de nos prepararmos para o que está por vir.

 

Para ter uma ideia do que nos espera nas próximas décadas, o Viva a Longevidade consultou pesquisas e especialistas que contam como as descobertas de hoje vão transformar a nossa vida amanhã no campo da alimentação, da saúde, do trabalho, das finanças e do transporte.

 

Separe um tempo para entrar nessa viagem. Bem-vindo a bordo!

 

 

Daqui a alguns anos, os hambúrgueres sintéticos vão ganhar mais companhia na prateleira do supermercado. Isso porque a tecnologia para criar em laboratório alimentos semelhantes à carne animal está se desenvolvendo a passos largos.

 

“A ciência tem dominado cada vez mais os processos dos microrganismos. Então é possível que, no futuro, se imite a proteína animal a partir de culturas de células que podem ou não vir de proteínas animais. Ou que se ajustem os genes de um microrganismo para ele produzir uma proteína específica”, explica o geneticista Maurício Lopes, pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Agroenergia.

 

Em 2035, estima-se que o preço da carne sintética seja 10 vezes mais barato do que a real.

Para os que não estiverem convencidos a trocar um bife de verdade pelo sintético, pode haver outro argumento importante no futuro. “Há 10 anos, produzir um quilo de carne sintética em laboratório custava US$ 1 milhão. Em 2019, o custo caiu para US$ 100, e projeta-se que em 2035 ela seja dez vezes mais barata do que a carne real”, completa Lopes.

 

O pesquisador, porém, não acha que a carne animal vá sumir tão cedo do mapa. Ele conta que a agropecuária tem evoluído no Brasil para se tornar mais produtiva, mais adaptada às mudanças climáticas e menos impactante para o meio ambiente.

 

Um caminho para isso são as fazendas que integram o pasto à plantação e à floresta, com árvores que não só fazem sombra para o gado mas também absorvem os gases metano que os animais soltam e podem causar o efeito estufa. “É um modelo de produção de carbono neutro”, explica Lopes. “Já temos 12 milhões de hectares dessas plantações integradas no Brasil.”

10 bilhões
É a estimativa da população mundial em 2050.

70%
É o quanto a produção atual de alimentos precisa crescer para alimentar todo mundo.

40%
das proteínas consumidas no mundo hoje vêm dos animais — em 2050, essa demanda deve dobrar.

 

Fontes: Fórum Econômico Mundial e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura

 

 

No início de 2020, cientistas norte-americanos apresentaram ao mundo uma novidade surpreendente. Eles criaram os primeiros robôs vivos desenvolvidos a partir de células-tronco retiradas de sapos. Os chamados xenobots têm menos de 1 milímetro, por isso podem até viajar por dentro do nosso corpo — como na aventura encarada pelo ator Dennis Quaid no filme "Viagem Insólita".

 

“O xenobot é um biorrobô programável que poderá levar medicamentos diretamente a um órgão ou desentupir uma artéria, por exemplo”, completa Wagner Sanchez, coordenador do MBA em Health Tech da Fiap e especialista em inteligência artificial.



No futuro, um biorrobô poderá levar medicamentos diretamente para um órgão

Para ele, esse é apenas um dos exemplos de como robôs, gadgets e algoritmos vão se tornar aliados poderosos dos médicos nas próximas décadas. Os relógios e as pulseiras inteligentes que usamos hoje já coletam dados como frequência cardíaca e qualidade do sono. Mas, com o avanço da tecnologia, essas e outras informações (como a evolução do câncer raro de um paciente) poderão ser analisadas por algoritmos capazes de interpretar dados para prever doenças em vez de apenas tratá-las.

 

“Imagine um banco de dados fornecidos por médicos e hospitais do mundo todo, conectados em rede. É impossível um ser humano se atualizar com tanta rapidez. Quanto mais essas informações alimentarem o aprendizado das máquinas, mais elas serão aliadas dos médicos”, afirma o especialista.

 

Para ele, outro avanço, o da computação quântica, vai dar mais potência aos sistemas computacionais e permitir uma análise que se aproxime mais do comportamento aleatório das nossas células. “Os médicos vão ter muito mais inteligência ao seu dispor, então os diagnósticos e tratamentos serão mais assertivos, mais objetivos e trarão menos desconforto para os pacientes.”

 

 

No campo do trabalho, novas tecnologias são recebidas com um misto entre alegria e receio. Se por um lado facilitam a nossa vida, por outro as máquinas estão “aprendendo” funções e substituindo humanos com sua inteligência artificial.

 

Por causa disso algumas funções devem se tornar cada vez mais redundantes, segundo o relatório “Futuro do Emprego 2018”, do Fórum Econômico Mundial. Algumas delas são contabilidade, atendimento ao cliente, auditoria, análise financeira, instalação de eletrônicos e telecomunicações, condução de veículos e vendas.

 

“O que ocorre é uma mudança na ótica do emprego. Um exemplo simples é pensar: se posições de conciliações ou escriturações fiscais foram robotizadas, abrem-se novas oportunidades para os profissionais atuarem com planejamento fiscal estratégico, por exemplo”, afirma Lucas Nogueira, diretor de recrutamento da consultoria Robert Half.

 

“O trabalho do futuro será baseado na identificação com o propósito pessoal.”

Lucas Nogueira

Para ele, o desafio não é o de “brecar” o processo, e sim o de manter a mente aberta para aprender ao longo de toda a vida e, assim, acompanhar as mudanças do mundo do trabalho. “O trabalho do futuro será baseado na identificação com o propósito pessoal. Dificilmente encontraremos profissionais trabalhando em longas carreiras em uma mesma atividade e função, sem buscar novas especializações”, comenta.

 

Neste momento, ele aposta que boas áreas de especialização para o futuro são desenvolvimento e programação de sistemas e operações relacionados a saúde, meio ambiente, energias renováveis, otimização de processos de controladoria e relações internacionais de mercado.

 

No relatório do Fórum Econômico Mundial, as profissões em ascensão são analista e cientista de dados, especialistas em inteligência de dados e machine learning, marketing, desenvolvimento organizacional, desenvolvimento de softwares e aplicativos, e designer de interação — especialistas em pessoas e cultura e profissionais especializados em inovação também serão altamente procurados pelo mercado.

39%
dos trabalhos que os jovens querem ter correm o risco de serem automatizados em 5 ou 10 anos.

133 milhões
de novas funções devem surgir para se adaptar melhor à divisão do trabalho entre humanos, máquinas e algoritmos.

54%
dos trabalhadores vão precisar se requalificar até 2022, segundo as empresas.

 

Fontes: OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e Fórum Econômico Mundial

 

 

Se você for à Suécia daqui a cinco anos, é melhor não levar dinheiro. Metade dos lojistas do país prevê que não vai mais aceitar notas e moedas a partir de 2025, aponta um artigo do The New York Times.

 

O banco central do país está testando uma moeda digital (a e-krona), e em 2018 só 10% das pessoas estavam usando dinheiro vivo — mais de 4 mil suecos já implantaram microchips nas mãos (isso mesmo que você leu) para pagar o transporte e a comida do dia a dia.

 

Abrindo o foco, na Europa, uma em cada cinco pessoas diz levar dinheiro na carteira raramente. Na China e em outros países asiáticos, os jovens nem pegam na carteira: pagam usando o celular. Se essa já é uma realidade hoje, o uso de meios eletrônicos de pagamento deve aumentar ainda mais no futuro, quando os jovens forem adultos, prevê a The Economist.



4 mil suecos já implantaram microchips nas mãos para pagar o transporte e a comida.

Segundo a publicação, os jovens preferem meios de pagamento que estejam adaptados à sua vida digital. Na Suécia, 95% dos jovens de 18 a 24 anos pagam as suas compras usando cartão de débito ou um aplicativo desenvolvido por um dos maiores bancos do país.

 

Mas, para que moedas virtuais e pagamentos eletrônicos se estabeleçam definitivamente, ainda há muitos desafios a superar, como a vulnerabilidade dos sistemas a ataques, queda de energia, falhas técnicas e a resistência das pessoas às transações digitais, pondera a The Economist.

 

Ou seja, é bem possível que, no futuro, os pagamentos eletrônicos e as moedinhas coexistam. “Não é uma guerra contra o dinheiro, mas ninguém diz que esse movimento de evolução vai parar”, afirma Stefan Ingves, chefe do banco central da Suécia ao The New York Times.

 

 

Carros sem motorista andando pelas ruas levando passageiros ou fazendo entregas parecem coisa do desenho dos Jetsons (aqui você pode ver alguns trechos do desenho em inglês, para quem não pegou a referência 😉), mas devem se tornar realidade nas próximas décadas. Como eles funcionam? “Os veículos autônomos têm a capacidade de fazer a condução sem a necessidade de comandos manuais”, explica o engenheiro eletrônico Maurício Gayubas, professor da Faculdade de Tecnologia do Senai e especialista em indústria automotiva.

 

Esses carros e caminhões são projetados para ter sensores que “veem” o trânsito, e equipados com um sistema complexo que pensa e atua como os seres humanos quando estão ao volante. Com uma pequena diferença. “Um veículo desse tipo não comete infrações de trânsito e tem menores chances de causar um acidente, pois possui um sistema computadorizado e sensores que tornam o seu processamento muito mais rápido”, explica Gayubas. “Sua missão é dirigir de maneira correta sem violar o código de trânsito ou ético.”

 

Veículos autônomos estão sendo testados em muitos países, e já rodam no Brasil em horários sem muita gente nas vias. “Já existem caminhões transportando minérios com mais eficiência e segurança do que quando eram operados por motoristas. Em usinas de cana-de-açúcar, eles estão diminuindo a destruição de parte das plantações, uma vez que têm um percurso preestabelecido”, exemplifica o professor.

 

Como os caminhões são programados para trabalhar otimizando acelerações e frenagens, e controlando a velocidade, podem consumir menos combustível e, portanto, emitir menos gás carbônico — ou seja, ficarão menos poluentes.

 

Gayubas acha que os carros das próximas décadas podem, sim, ser como os dos desenhos dos Jetsons. “Alguns estudiosos mencionam que, entre 10 e 20 anos, teremos tecnologias muito parecidas com os desenhos animados e filmes do passado. Vejo como o maior desafio o desenvolvimento do veículo voador operado de forma autônoma, com intercomunicação entre eles”, palpita.  

E o seu futuro, como será?

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