Como treinar a empatia

Para conviver bem com os outros, é essencial aprender a escutar melhor

27/09/2019



Quando paramos um momento para avaliar como é a nossa rotina, é difícil não chegarmos à conclusão de que cada um de nós vive em uma bolha.

 

Afinal, em geral, convivemos sempre com as mesmas pessoas, e elas têm gostos e opiniões muito parecidos com os nossos.

 

Dessa forma, vamos cada vez mais nos afastando de quem tem outro estilo de vida e acabamos por não mais ouvir mais a voz de quem pensa de forma diferente.

 

 

 

Empatia foi o tema do podcast “Comece agora”. Ouça aqui

"O resultado desse despreparo nós vemos todos os dias. Uma sociedade individualista, competitiva ao extremo e com enormes dificuldades de convívio harmônico”, escrevem o psicanalista Christian Dunker, e o palhaço e educador Cláudio Thebas, no preâmbulo do livro “O Palhaço e o Psicanalista – Como Escutar os Outros Pode Transformar Vidas” (Editora Planeta, 2019).

 

"Em vez de entrar com cuidado na casa alheia, pedindo permissão e perguntando, nos colocamos de forma arrogante, impondo o nosso mundo e os nossos valores.”

 

No livro, eles contam como podemos reverter essa situação e praticar a empatia, para genuinamente nos aproximarmos das pessoas — mesmo as que consideramos mais diferentes.

 

Como não escutar os outros

Thebas e Dunker listam algumas atitudes que minam a empatia.

 

Fazer o clone

Acontece com quem sempre começa as respostas com “se eu fosse você...” – e lá vem um conselho que não leva o outro em conta. O problema é que, se você fosse a outra pessoa, provavelmente teria a mesma experiência de vida e estaria no mesmo dilema.

 

Mostrar o seu pior

Essa é clássica: alguém conta um problema, e você rebate dizendo que passou por alguma coisa ainda pior. Dessa forma, em vez de escutar o outro, você está apenas disputando o centro das atenções na conversa.

 

Incorporar a Pollyanna

É quem acha que qualquer problema pode ser resolvido se olharmos para ele de maneira otimista. Isso é ruim porque essa tentativa de manter o alto-astral, em vez de enfrentar o problema, desanima quem está sofrendo e quer falar mais sobre isso.

 

Categorizar os outros

Tem quem ache que todas as pessoas se enquadram em tipos que repetem um roteiro definido. Por isso, em vez de escutar e entender a particularidade dos seus interlocutores, essa pessoa apenas os reduz à “categoria” na qual o enquadrou.

 

Ser sabe-tudo

Se você tem resposta para todas as coisas, cuidado. Ao julgar saber qual é a solução para o problema do outro, você pode estar cortando a conversa com uma resposta rápida e voltando o assunto de novo para si, sem ouvir com atenção.

 

Fonte: “O Palhaço e o Psicanalista”

 

Da simpatia para a empatia

“Para escutar verdadeiramente o outro, é preciso sair da simpatia, que é uma identificação imediata, e ir para a empatia, que exige empenho para entender como o outro realmente se sente”, explica Thebas em entrevista ao Viva a Longevidade.

 

Para Thebas, tudo começa por escutar a si mesmo. “Fomos educados para ensurdecer a nós mesmos, não reconhecer o que sentimos. As pessoas precisam escutar o que elas mesmas pensam. Não adianta querer fazer o bem para o outro e se anular, porque assim você vai dar para o outro a sua pior escuta”, pondera.

 

Outro bom exercício é escutar as pessoas de maneira mais lúdica, aberta ao improviso – como faz o palhaço de rua, que mantém o humor mesmo diante das respostas mais ríspidas.

 

“Ser lúdico, no sentido de sentir, mais do que pensar, nos ajuda a acolher melhor o que o outro tem a dizer. Quem brinca se conecta profundamente consigo e com o outro, desarma os mecanismos de certeza e volta para aquele lugar de escuta profunda. Depois de brincar, acontece a conversa.”

 

Não fazer parte do mundo do outro, aliás, é uma boa chance de aprender mais sobre a vida, se pudermos trocar o julgamento pela curiosidade. “Perguntar é curativo e importante para entender as pessoas”, aponta Thebas. Ao ouvir com atenção um outro ponto de vista, temos uma boa oportunidade de enxergar as coisas sob novos ângulos, o que pode nos levar a admirar o que nos é diferente. E, dessa forma, transformar aquela distância inicial em empatia.

 


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