Conviver com jovens pode ser a fonte da felicidade na velhice

Superar as barreiras entre as gerações beneficia tanto os mais novos como os veteranos

27/11/2018



A ideia de que os idosos devem viver retirados em centros especiais para eles ou em asilos já está caducando ao redor do mundo. Em seu lugar entra uma outra proposta: a do aumento do convívio entre as gerações, que aliás pode ser uma fonte de felicidade para os veteranos, explica a jornalista Mariza Tavares em um artigo no blog Longevidade: Modo de Usar.

 

Essa convivência entre gerações é defendida por Mark Freedman, especialista em longevidade e autor de um livro sobre o assunto ("How to Live Forever: the Enduring Power of Connecting the Generations", ou "como viver para sempre: o poder duradouro de conectar gerações").

 

 

Sua tese é a de que a convivência entre gerações pode ajudar a sociedade a resolver diversos problemas, como a solidão dos mais velhos ou a falta de ter alguém com quem deixar as crianças para trabalhar. "Os mais velhos têm um profundo desejo de serem necessários; os mais jovens precisam ser nutridos, protegidos. Paciência, persistência, resiliência, características que vêm com a maturidade, ajudam a cimentar essa relação", escreve Freedman.

 

Hoje, no entanto, vivemos em uma realidade que segrega os idosos. Mas algumas experiências já começam a reduzir a distância entre os mais velhos e os mais novos. Em Cingapura, por exemplo, algumas pré-escolas estão sendo construídas no mesmo terreno que centros para idosos, e um horário é reservado para que os dois grupos se conheçam e interajam.

 

Outras iniciativas destacadas por Freedman são o grupo Now Teach, que recruta pessoas experientes e que tiveram uma carreira de sucesso para dar aulas, e a organização Grandmas2Go, em que as vovós socorrem mães e pais que estão passando por dificuldades com a chegada de um bebê. No Zimbábue, como mostramos aqui, as avós também fazem parte de um projeto em que atendem pessoas que estão sofrendo com a depressão.

 

“Em vez de tentarmos desesperadamente permanecer jovens, ou nos apegarmos a uma juventude que já passou, podemos nos dedicar aos que realmente são jovens e precisam de ajuda. Além de nos trazer realização e felicidade, deixaremos um legado que sobreviverá a nós”, afirma Freedman, cofundador da Experience Corps, entidade que reúne pessoas acima dos 50 que queiram ajudar alunos de baixa renda a melhorar seu desempenho escolar.

 

Essas iniciativas mostram como é importante repensar de que modo viveremos na velhice. Em vez de tentar parecer jovens, os mais velhos se beneficiarão mais de oferecer apoio à juventude. Um estudo feito pelo psiquiatra George Vaillant mostra isso, ao apontar que pessoas com mais de 50 anos que investem em cuidar da próxima geração têm três vezes mais chance de serem felizes.


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