“Envelhecimento é uma benção, não um fardo”

“Envelhecimento é uma benção, não um fardo”

A socióloga Karen Glaser explica como chegamos até aqui, comenta o caso brasileiro e o que nos espera no futuro

20/10/2017



O envelhecimento deve ser comemorado...

“O envelhecimento global é uma grande conquista. Uma benção, não um fardo. Temos sorte de viver numa sociedade em que a expectativa de vida está acima de 80 anos. Existem dois fatores-chave para isso: o declínio espetacular da fertilidade, passando de cinco a seis crianças por mulher para apenas duas, e a incrível melhoria na longevidade, com um ganho de aproximadamente 20 anos na expectativa de vida. Essas são causas a se celebrar.”

 

... e debatido o quanto antes

“Nenhum país, mesmo de alta renda, tem as instituições certas para apoiar a população em envelhecimento. Estamos olhando um para o outro tentando encontrar as respostas. Todos deveriam trabalhar juntos e pensar no que funciona melhor, em como adaptar as políticas públicas a essas mudanças – não apenas para idosos, e sim para todas as idades, para o transcorrer da vida. Afinal, os mais velhos já foram crianças um dia, certo?”

 

E o Brasil?

“O envelhecimento em países como Brasil e China vem acontecendo muito mais rápido do que no Reino Unido e nos Estados Unidos. Para que a parcela de pessoas com 65 anos ou mais passe de aproximadamente 7% para 14% do total da população, o Reino Unido levará 45 anos, com tempo para se adaptar. O Brasil, por sua vez, terá apenas 21 anos, menos da metade desse período. Não há tempo suficiente para criar as políticas públicas certas para se adaptar.”

 

 

 

O mundo já é dos mais velhos...

“Você pode pensar que 2050 está muito longe, mas não está. A parcela de pessoas com 60 anos ou mais no mundo todo, hoje, chega a 12%, e projeta-se que atinja 21% em 2050. Hoje, no Japão, uma em cada três pessoas tem mais de 70 anos. É a sociedade mais velha do mundo. E, pela primeira vez na história mundial, temos mais idosos acima de 65 anos do que crianças menores de 5 anos. Essa é uma transformação absolutamente incrível, que vai mudar o futuro.”

 

... e a grande questão: é como será a saúde?

“O consenso é de que a expectativa de vida vai continuar aumentando rapidamente, só não sabemos com que qualidade de saúde. A tendência é que o período em que teremos de lidar com alguma incapacidade aumente, mas num nível leve ou moderado. Como já houve muitas melhorias no nascimento, as próximas virão nessa faixa de idade mais avançada. Por isso, nunca é tarde demais, sempre há tempo de se tornar saudável, não importa quando.”

 

Os relacionamentos: a chave da longevidade

“Vemos com frequência mais de uma geração vivendo ao mesmo tempo. Percebemos que muitos avós já cuidam regularmente dos seus netos. Na Itália, em torno de um a cada cinco o fazem todos os dias. Em termos de bem-estar e saúde, isso tem um impacto positivo. A família permanece, no mundo todo, inclusive no Brasil, como a fonte mais importante de assistência.“

 

 

Assista a palestra na íntegra:

 


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