Especialistas discutem como podemos envelhecer melhor

O gerontólogo Alexandre Kalache e o psiquiatra Jairo Bouer debatem sobre os desafios da longevidade

11/10/2018



Na preparação para o Fórum da Longevidade, que será realizado no próximo dia 21 de novembro, a Bradesco Seguros realizou no dia 10 de outubro, em São Paulo, o encontro “O Despertar para uma Vida Longeva”, que reuniu o gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do ILC Brasil e colunista do Viva a Longevidade, e o psiquiatra e educador Jairo Bouer para falar das oportunidades e dos desafios que vamos encarar para envelhecer em boa forma.

 

Kalache abriu o evento propondo uma reflexão sobre como será nossa vida quando chegarmos à velhice e como estamos nos preparando para isso. Uma pesquisa realizada pela Bradesco Seguros com pessoas com mais de 60 anos mostra que a maioria das pessoas não se planeja bem para envelhecer: 95% dos entrevistados afirmaram que não haviam se preparado para essa fase da vida.

 

 

Essa é uma mentalidade que deve ser reinventada, segundo o gerontólogo. “A vida está deixando de ser uma corrida de 100 metros em que a gente sabe rapidamente onde vai terminar para se transformar em uma maratona na qual é preciso ter uma boa estratégia e conhecimento pra chegar bem ao final”, diz Kalache.

 

Por isso, a preocupação com a saúde, a educação e as relações sociais deve ser levada a sério em todas as fases da vida, assim como a consciência de que um dia nós também vamos precisar de cuidado. Para ele, a melhor estratégia é investir nos quatro capitais essenciais para envelhecer bem: saúde, conhecimento, vida social e financeiro. “Além disso, é preciso ter um propósito. O que você vai fazer na segunda metade da sua vida?”, perguntou à plateia.

 

Na sequência do evento, Jairo Bouer falou sobre como a visão imediatista dos jovens pode ser uma ameaça para envelhecer com saúde – tanto física como mental. “É complexo trabalhar a perspectiva de longevidade nessa idade por causa disso. O jovem tem dificuldade de entender o peso das doenças, por isso não se preocupa com a prevenção”, disse.

 

O psiquiatra também chamou a atenção sobre a questão da saúde mental dos jovens, que influencia seu bem-estar ao longo da vida. Para ele, a necessidade de ser aceito nas redes sociais e aplicativos de paquera leva as pessoas a dar importância demais ao visual e a se expor mais a sentimentos negativos, como a frustração. “Os jovens se preocupam muito com a aparência e pouco com a saúde. O que vemos é um aumento nos transtornos de imagem corporal, ansiedade e depressão.”

 

Para superar esse problema, segundo Bouer, é preciso haver uma aproximação entre as gerações. “Se a família dá valor ao envelhecimento saudável, isso influencia positivamente as atitudes do jovem”, refletiu o psiquiatra. “Esse convívio intergeracional reduz o preconceito de ambos os lados e faz o jovem ter uma visão melhor do seu futuro.”


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