Estudo mostra diferença de 24 anos na expectativa de vida de dois bairros de São Paulo

Estudo mostra diferença de 24 anos na expectativa de vida de dois bairros de São Paulo

Diferença do tempo de vida de um morador de um bairro rico para o de um bairro pobre chega a mais de duas décadas

30/10/2017



Um estudo lançado em outubro de 2017 comprova como o ambiente social influencia no envelhecimento ativo e na longevidade de uma população. A desigualdade social provoca disparidades dentro da cidade mais rica do país. O Mapa da desigualdade 2017, uma publicação da Rede Nossa São Paulo, mostrou que a diferença de expectativa de vida de uma pessoa que mora em um bairro rico da capital paulista e outra que vive em um bairro pobre chega a 24 anos. As informações sobre o estudo foram publicados pelo jornal Folha de S.Paulo.

 

De acordo com a publicação, os dados que compõem o estudo são, em sua maioria, de 2016 e foram fornecidos por órgãos municipais. O levantamento levou em conta a desigualdade no acesso a serviços públicos e qualidade de vida entre os 96 distritos da capital São Paulo. Foram usados 38 indicadores em áreas como cultura, saúde, moradia, educação, renda e violência.

 

A expectativa de vida de quem nasce no Jardim Paulista, um bairro nobre da cidade, é de 79,4 anos – comparável à da Dinamarca. O índice para quem vive no Jardim Ângela, na periferia, é de 55,7 anos – semelhante ao da Nigéria, país que possui um dos piores índices mundiais. “Um dos grandes achados da pesquisa é mostrar, por A+B, que quanto mais acesso à cidade, mais as pessoas vivem”, disse o gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio, à Folha de S.Paulo.

 

O jornal produziu uma série de infográficos que detalham os números do estudo. Destacam-se os seguintes indicadores:

 

Renda

O morador do bairro de Campo Belo, na região sul da cidade (próximo ao aeroporto de Congonhas), tem uma remuneração média oito vezes maior de quem mora em Marsilac, no extremo sul. Em números absolutos: R$ 10.079,98 no bairro nobre contra R$ 1.287,32 para o bairro mais pobre.

 

Cultura concentrada

O acesso à cultura é concentrado. Mais da metade dos bairros de São Paulo não tem museus, cinemas, casas de culturas, teatros ou casas de show.

 

Creche

Moradores de três distritos da cidade (Vila Andrade, Cidade Ademar e Pedreira) levam mais de um ano para conseguir uma vaga em creche. Quem vive na Vila Andrade, que reúne famílias de alta e baixa renda, espera 441 dias (quase 15 meses).

 

Taxa de homicídio

O Brás, na região central tem a maior taxa de homicídio da capital. São 38,7 assassinatos para cada 100 mil habitantes. A taxa de homicídio juvenil (15 a 29 anos) é ainda mais alarmante: 133,45 por 100 mil habitantes. Treze dos 20 distritos com menor expectativa de vida também estão entre os 20 distritos com maiores taxas de homicídio.

 

Livros infantojuvenis

Dos 96 distritos de São Paulo, 37 não possuem qualquer livro infantojuvenil em acervos das bibliotecas municipais.


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