Idosos espanhóis vivem juntos para driblar a solidão

No modelo de cohousing, as pessoas dividem as tarefas e se unem para se divertir juntas

25/04/2019



Um grupo de idosos espanhóis encontrou uma fórmula para combater a solidão na velhice: criar uma comunidade de amigos que vivem juntos, mas em casas separadas, relata o El País. Essa fórmula, conhecida como "cohousing" (ou coabitação), é uma maneira de fortalecer o espírito de comunidade reunindo vários amigos para morar em uma espécie de vila particular.

 

Assim, os amigos têm a companhia uns dos outros para fazer as atividades cotidianas --como cozinhar ou limpar a casa-- e para se divertir, mantendo uma vida ativa em um lugar planejado para atender às necessidades dessa fase da vida.

 

 

 

“Nós nos negamos a ser um fardo para nossos filhos e não queremos acabar vivendo sozinhos ou em uma residência que não podemos pagar. Queremos estar rodeados de gente que nos entenda, com quem compartilhemos interesses, e que juntos possamos cuidar uns dos outros”, explica Ignacio, 63 anos, que vive com a esposa, Mabel, 61, em um cohousing em Sevilha, na Espanha.

 

No cohousing, os moradores é que aprovam o projeto de suas casas e depois administram essa vila em que vivem, onde as moradias privadas se integram a áreas comuns de convivência. Lá, as tarefas são compartilhadas por todos, sempre com o objetivo que uns cuidem dos outros.

 

Em geral, os moradores procuram compartilhar suas preocupações e contribuir com suas experiências pessoais ou profissionais por meio de diferentes atividades, como sessões de cinema, debates, cursos, conferências e audições musicais. As atividades da comunidade são abertas para os vizinhos, afinal a ideia não é se isolar, e sim se integrar à sociedade.

 

Na Espanha existem cerca de 30 projetos de cohousing sendo desenvolvidos --aqui no Brasil também há alguns, como esse que mencionamos aqui.  “O cohousing permite escolher com quem você quer viver e envelhecer. Essa solução habitacional permite lutar contra a solidão porque recupera as relações de vizinhança e promove um envelhecimento ativo”, ressalta o professor José Medina, da universidade Pablo de Olavide.

 

Nesse modelo, os moradores valorizam o cuidado mútuo e a ajuda integral centrada na pessoa, ou seja, promover a saúde de modo personalizado, de acordo com as necessidades de cada inquilino, incluindo cômodos preparados para quem precisar de atenção especial. “Todos sabemos que vamos morrer aqui. Se eu estiver em uma situação de dependência, vou estar rodeado de pessoas que me ajudem”, diz Ignacio.


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