“Os alunos mais velhos nos ajudam a desafiar os estereótipos”

Christine O’Kelly, da Dublin City University, na Irlanda, conta como abriu a universidade aos alunos mais velhos e criou uma rede que reúne 58 instituições

12/11/2019



Como tudo começou

 

“Nossa universidade é jovem, tem menos de 50 anos, e é pioneira em muitas iniciativas. Quando pensamos em criar uma universidade amiga dos mais velhos, nos inspiramos na Irlanda, que tem programas para isso. Em 2010, fizemos um grupo de trabalho para começar a pensar em um programa voltado aos mais velhos e vimos uma oportunidade no aprendizado de adultos. Em 2011, criamos os dez princípios para fazer uma universidade amiga do idoso, como valorizar o aprendizado intergeracional e dar mais oportunidades para as pessoas virem à universidade.” 

 

 

 

 

Primeiro, a resistência

“Na Irlanda, muitas crianças estudavam só até os 14 anos, só os muito ricos chegavam à universidade. Isso aconteceu até a década de 1950, quando a educação secundária se tornou gratuita. Naquela época, 50% dos jovens trabalhavam na agricultura, não foi feito investimento em educação. Essas pessoas tinham uma experiência ruim na escola, sofreram abusos, e isso foi uma barreira muito grande para atraí-las para a universidade. Além disso, os mais velhos achavam que não tinham dinheiro para estudar e que não poderiam contribuir com nada. Alguns eram empreendedores e achavam que a universidade não era para eles. Havia muita dúvida e negatividade sobre estudar na universidade.”

 

Depois, a aceitação

“Nós chegamos, então, a uma maneira de nos aproximar dessas pessoas. Convidamos o público mais velho ao nosso campus, para sentir o gostinho. Na primeira visita vieram 50 pessoas, e hoje estamos no oitavo ano do programa. Nós pedimos ajuda da comunidade para estabelecer os cursos, não fomos nós que decidimos o que eram melhor para eles. Fizemos o que eles queriam. Ouvimos o feedback dessas pessoas e continuamos a trabalhar para que no campus eles pudessem encontrar o espaço certo. Perguntamos aos professores o que eles achavam de ter alunos mais velhos e eles disseram: ‘os jovens por trás do computador não fazem perguntas. Os mais velhos se envolvem’.”

 

Encontro de gerações

“Precisamos de integração e ter pessoas mais velhas em sala com os mais jovens, permitir esse diálogo intergeracional. Os alunos mais velhos nos ajudam a desafiar os estereótipos. Os mais jovens veem os mais velhos como alunos, e os mais velhos encontram no jovem um desafio. É importante que eles se encontrem e se aceitem. É interessante conhecer pessoas novas e fazer novos amigos.”

 

Aprender coisas diferentes

“Um dos alunos me disse ‘eu trabalhei como contador a vida toda, deixa eu tentar alguma coisa, fazer algo novo’. Hoje nosso programa tem mais de 800 participantes, que podem fazer módulos como ouvintes ou criar um programa customizado para receber o crédito. As pessoas acham que é algo muito difícil, mas vêm fazer e percebem que é interessante e o quanto contribuir."

 

Experiência inclusiva

“O aprendizado perpétuo está longe de ser perfeito, mas as pessoas precisam ser desafiadas. Abrimos os programas de graduação para os mais velhos, quem não tem habilidade com computador não tem que fazer o exame. Eles querem ter uma educação instrumental expressiva e uma experiência de aprendizado inclusiva, uma coisa autêntica, não só assistir, mas se envolver.”

 

Ponte para o emprego

“Minha questão é: o que a sua instituição está fazendo hoje para atender às necessidade dos mais velhos? Está dando emprego a essas pessoas? Com bom treinamento, podem ser excelentes funcionários. Aqui, temos grande número de pessoas que foram retreinadas e trabalham em departamentos de marketing e finanças, em meio período. Elas ganham dinheiro, têm um senso de propósito, isso é fantástico. Se tiver oportunidade de engajar essas pessoas, faça isso. É uma questão de onde estaremos todos nós no futuro.”


Compartilhe:

0 Comentários:

Comentário enviado
para aprovação