Outubro Rosa: a importância de manter o tratamento, apesar do medo da pandemia

Surto mundial do novo coronavírus interrompeu o diagnóstico e o tratamento de pacientes com a doença, mas o cuidado não deve ser deixado de lado

01/10/2020



A pandemia do novo coronavírus afetou a rotina de muita gente, principalmente das mulheres que estavam em tratamento contra o câncer de mama. Logo no início do distanciamento social, em março de 2020, muitas instituições públicas e privadas interromperam o atendimento a esse público. E teve também quem não se sentiu segura para frequentar locais que poderiam receber pacientes diagnosticados com a COVID-19 

 

Seis meses depois, como hospitais, clínicas e as próprias pacientes estão lidando com o câncer? 

 

 

Nos meses que antecederam o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama, a busca pela continuidade do tratamento desse e de outros tipos de câncer parece ter sido retomada, mas não de forma satisfatória, como destacam duas pesquisas organizadas pelo Instituto Oncoguia 

 

A primeira, realizada entre março e maio de 2020, mostrou que 43% das pessoas entrevistadas sofreram algum tipo de impacto no tratamento contra o câncer. Já na segunda pesquisa, feita em julho, esse número caiu para 31%. “O que percebemos, no início da pandemia, era um paciente assustado, fragilizado e que se autointitulou como parte do grupo de risco como medida de proteção à saúde”, explica Luciana Holtz, psicóloga e presidente do Instituto Oncoguia. 

 

 

De acordo com João Bosco Ramos Borges, mastologista e ginecologista e diretor de políticas públicas da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a pandemia impactou pessoas com diabetes, doenças cardiovascularee hipertensão, entre outras doenças.

 

Especificamente sobre o câncer de mama, ele pontua que muitas mulheres deixaram de fazer mamografia e de procurar um médico para tirar dúvidas em relação às mamas. “Geralmente, um ginecologista pode ajudá-la a identificar os primeiros sintomas da doença.” 

 

No entanto, as medidas de segurança para conter a pandemia e priorizar pacientes com COVID-19 afastaram as mulheres das consultas médicas e dos exames. A preocupação atual é como fazer com que essas pacientes procurem seus médicos e sintam-se seguras para realizar exames e dar sequência ao tratamento. 

 

 

A Estimativa 2020 do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), divulgada em 2019, prevê 66.280 novas incidências de câncer de mama neste ano. Já o número de óbitos por esse tipo de doença foi de 17.572 em 2018, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade 2020, divulgado pelo órgão do Ministério da Saúde.  

 

De acordo com os dois especialistas, a comunidade médica já iniciou medidas para dar continuidade ao atendimento de pacientes. “O SUS já voltou a marcar consultas e exames para diagnosticar o câncer de mama, assim como muitos hospitais voltaram a realizar cirurgias. Tudo caminha numa velocidade menor que a do período pré-pandemia, mas estamos felizes”, afirma o diretor da SBIM. 



50 a 90 mil casos de câncer ficaram sem diagnósticos nos primeiros meses de pandemia

Estimativa feita pela Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)

Já Luciana complementa que as instituições adotaram diversos protocolos de segurança para garantir a retomada dos atendimentos. Medição de temperatura na porta de entrada, solicitação para não levar acompanhante, perguntas sobre o estado de saúde do paciente e criação de uma área separada para oncologia ou quimioterapia são algumas ações tomadas por clínicas e hospitais públicos e particulares. 

 

“Mesmo assim, ainda é necessária uma comunicação transparente para que os pacientes com câncer sintam-se confortáveis em ir a esses locais para receber o diagnóstico ou fazer o tratamento”, destaca Luciana. 

 

Em resumo, procure e converse com o seu médico, informe-se sobre os protocolos de segurança da unidade de saúde (UBS, clínica, hospital) de sua preferência e tome todos os cuidados possíveis, uma vez que ainda estamos enfrentando uma pandemia. Mas não deixe para depois o cuidado com a sua saúde 

 

Quem está em tratamento não deve interrompê-lo e quem busca um diagnóstico também não deve deixar para depois. 

 

4 perguntas sobre câncer e a COVID-19


1 - Paciente com câncer faz parte do grupo de risco para a Covid-19?

As pessoas com idade superior a 60 anos e aquelas com doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias, e com imunidade baixa, possuem um risco maior de ter complicações graves se forem contaminadas pelo novo coronavírus. Da mesma forma, pessoas com câncer que estejam em tratamento de quimioterapia, radioterapia, que tenham feito cirurgia há menos de um mês ou que façam uso de medicamentos imunossupressores fazem parte do grupo de risco. 

Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA)


2 - O que o paciente com câncer deve fazer para se proteger do coronavírus (Covid-19)?

O paciente com câncer não deve, em nenhuma hipótese, parar seu tratamento por conta própria, seja quimioterapia, radioterapia ou uma cirurgia. Toda decisão quanto ao tratamento deve ser feita com a equipe de saúde. Em algumas situações, consultas e exames poderão ser adiados e remarcados.

Além disso, há alguns cuidados que pacientes com câncer devem tomar para se proteger do coronavírus:

  • Ficar em casa quando não for dia de tratamento.
  • Se sair for realmente necessário, evitar lugares com muita gente e tentar manter distância de, pelo menos, um metro das outras pessoas.
  • Lavar as mãos com frequência e com atenção por, pelo menos, vinte segundos.
  • Tentar não levar as mãos ao rosto (principalmente olhos, nariz e boca).
  • Cobrir nariz e boca com lenço (ou papel) ao tossir ou espirrar (e jogá-lo fora logo depois). Se não for possível, deve usar o antebraço como barreira, e não as mãos, para evitar tocar em locais que possam contaminar outras pessoas.
  • Cumprimentar mantendo distância, evitar aperto de mão, abraços e beijos, mesmo em familiares.
  • Evitar contato com pessoas que tenham sintomas de gripe.
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas, talheres, pratos e garrafas.
  • Higienizar objetos e superfícies tocados com frequência, incluindo celulares, chaves, maçanetas etc.
  • Caso seja preciso sair de casa, você deve usar máscara de proteção, mesmo que seja artesanal. 

Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA)


3 - Como o paciente com câncer deve agir no dia do tratamento durante a pandemia de coronavírus (Covid-19)?

O paciente com câncer deve tomar algumas precauções no dia de sua consulta ou tratamento:

  • Ter somente um acompanhante, com menos de 60 anos, se possível. O acompanhante não pode apresentar sintomas de resfriado ou gripe;
  • Tentar manter distância de outras pessoas, mesmo que sejam da equipe de saúde;
  • Não ficar próximo de outros pacientes;
  • Evitar circular pelo hospital;
  • Não ficar no local de tratamento por mais tempo que o necessário;
  • Manter as recomendações de prevenção, como lavar as mãos com água e sabão, ou usar álcool em gel; cobrir nariz e boca com lenço ao tossir ou espirrar – se não for possível, deve-se usar o antebraço como barreira e não compartilhar objetos pessoais.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA)


4 - O que o familiar ou cuidador(a) de um paciente em tratamento de câncer deve fazer durante a pandemia de coronavírus (Covid-19)?

Quem mora com paciente em tratamento de câncer ou é cuidador(a) deve prestar muita atenção às recomendações de prevenção e seguir as orientações do Ministério da Saúde. Além das orientações de lavar as mãos, os acompanhantes e cuidadores devem:

Cuidar da higiene da casa (quando não for possível fazer limpeza completa todo dia, desinfetar as superfícies que são tocadas com maior frequência como mesas e bancadas, celulares, controle remoto, superfícies do banheiro e cozinha, maçanetas, interruptores etc.) e o chão próximo à entrada;

  • Limpar as compras (comida, medicamentos, etc.) antes de guardá-las;
  • Tirar os sapatos antes de entrar em casa e, se possível, deixá-los do lado de fora;
  • Trocar de roupa, lavar bem as mãos ou tomar banho (incluindo lavar os cabelos) antes de ter contato com o paciente;
  • Deixe objetos, como bolsa, carteira, chaves etc., próximos à entrada.

Se o acompanhante, ou cuidador(a), apresentar sintomas de gripe, deverá, junto a familiares e amigos, buscar uma nova casa para ficar em quarentena ou, então, para acolher o paciente de câncer durante esse período. Se não for possível, essa pessoa deverá ficar isolada em um cômodo da casa, evitando manter contato com outras pessoas.

 

Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA) 


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