Por que a percepção do tempo acelera com a idade

E qual é o truque para reverter essa sensação de que um ano passa voando

18/12/2018



Muita gente tem a impressão de que, a cada ano, o tempo passa mais depressa. Quem acha isso tem razão: segundo neurocientistas, a percepção de que o tempo passeia devagar na infância e acelera na vida adulta é uma experiência comum, informa o NBC News Better (conteúdo aqui, em inglês).

 

Alguns fatores podem influenciar essa sensação. Um deles é que, quando somos crianças, um ano representa muito mais em relação aos poucos anos que temos de vida, em termos percentuais. "Para uma criança de dez anos, um ano é 10% de sua vida. Para alguém que tem 60, é menos de 2%", diz o neurologista Santosh Kesari. "Nós calibramos o tempo por meio de eventos memoráveis, e poucas coisas novas ocorrem conforme envelhecemos, então parece que a infância durou mais."

 

 

Outro é que já há evidências de que nossa percepção de tempo é mais devagar na infância. Enquanto a memória, a atenção e as funções do cérebro estão se desenvolvendo, a transmissão de informações entre os neurônios é fisicamente mais lenta, explica a neurocientista Patricia Costello. "Quando nos tornamos adultos, os circuitos estão prontos, e já aprendemos corretamente como codificar a passagem do tempo."

 

Um teste feito com crianças mostra que as que têm 5 anos têm uma percepção menos precisa do tempo do que as que estão na faixa de 8 a 10 anos. "A teoria é a de que a gente melhora com o tempo. Tem a ver com a velocidade de processamento do cérebro e com a qualidade da atenção", diz Costello.

 

Tanto que esse atraso de percepção não se estende para além da infância. Na vida adulta, podemos fazer algo para mudar essa sensação de que tudo acontece muito depressa. O segredo, afirma Costello, é sempre aprender coisas novas. "Você tem aprendido uma habilidade nova? Está cozinhando algo diferente? Incluir novidades na sua vida quando possível fará as memórias se destacarem e, de certa maneira, esticará o tempo.”


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