“Ser resiliente é fundamental”

“Ser resiliente é fundamental”

O gerontólogo Alexandre Kalache afirma que ter propósito e resiliência também são fatores importantes para uma vida mais plena

18/10/2017



Um mundo diferente

“Vejam a minha neta Annabelle, de cinco meses. Pensem na vida que essa menina vai ter. Ela é nascida em Londres e vai, ao longo da sua vida, morar em quatro, cinco cidades – no Rio, em Londres, em Nova York, em Xangai. O marido dela ainda nem nasceu, mas, sei lá, ela vai se casar com um chinês. Este mundo em que a gente está vivendo é muito diferente: é um mundo longevo, de novas experiências, em que a gente tem de estar o tempo todo se adaptando a novos conhecimentos. A quarta revolução industrial está aí para ficar, e não estamos falando mais só de digitalização – é uma simbiose de tecnologias que nos obriga a estarmos alertas.”

 

Mais futuro pela frente

“A Annabelle vai ter que ter saúde para fazer três mestrados, cinco doutorados, seis carreiras. O primeiro filho dela vai nascer aos 43, o segundo aos 47, e isso vai ser normal. Aos 54 anos, ela vai tirar um ano sabático para refletir sobre o que vai fazer no futuro. Ela vai começar a se aposentar aos 87 anos...”

 

A revolução da longevidade

“Este mundo longevo vai exigir que a Annabelle envelheça de uma maneira mais saudável – é o primeiro capital fundamental, que é a saúde e que a gente já está prolongando, pois é uma das revoluções da longevidade que ela vai usufruir. Eu também sou resultado dessa revolução. Quando eu nasci, a expectativa de vida no Brasil era de 43 anos. Hoje, a expectativa é de 77. São 30 anos a mais de vida, não são 30 anos de velhice.”

 

 

 

Brasil, o novo Japão

“É revolucionário termos hoje em torno de 25 milhões de pessoas com mais de 60 anos e sabermos que, em 2050, teremos mais de 64 milhões. Vamos sair dos 13%, 14% de hoje, para virarmos um Japão, o país mais envelhecido de hoje. E se vocês acham que 2050 é um futuro muito distante... vocês, que têm entre 27 e 57 anos, são os idosos de 2050. E há que preparar o futuro de vocês.”

 

Capitais acumulados

“A Annabelle vai chegar aos 104 anos com saúde. Ela vai chegar a essa idade com um segundo capital fundamental acumulado, que é o conhecimento. Mas ela vai precisar de outra coisa, que é viver dentro de uma comunidade onde possa socializar, estar em contato com outras gerações, fazer academia, fazer boas refeições, usufruir da beleza. E não há dúvida nenhuma: para isso, é preciso dinheiro. E é o conjunto desses capitais – saúde, conhecimento, social e financeiro – que nos fará resilientes.”

 

Resiliência é fundamental

“Não há dúvida nenhuma: com essas vidas mais longas, vamos sofrer embates, desafios, vamos ter de ultrapassar barreiras e sofrer perdas. Mas aquele que vai adiante é aquele que tem reserva para ser resiliente. Ser resiliente é a ordem fundamental. É dar a volta por cima, encontrar um caminho pelo lado e ir adiante com a certeza de que viver mais é o melhor que nos pode acontecer.”

 

Uma vida cheia de propósito

“Precisamos cuidar desses quatro capitais, mas eu lembro a vocês que também é preciso outro ingrediente fundamental para ter qualidade de vida à medida que envelhecemos: é ter propósito de vida, acordar todos os dias sabendo que temos muitas coisas para realizar. É assim que vamos fazer uma vida muito mais plena, muito mais ativa, muito mais feliz.”

 

 

Assista a palestra na íntegra:

 


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4 Comentários:

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Comentários recentes:

AGUINA

14 de dezembro de 2017

Caro amigo, achei muito interessante suas colocações, porém gostaria de ressaltar que você deixou de colocar a parte fundamental para se ter uma vida plena, mais ativa e feliz. Isso só será possível se tivermos um relacionamento especial com Deus.