Vento carrega microplásticos até o topo das montanhas

Estudo mostra que pedaços de plástico de sacolas e embalagens descartáveis estão poluindo áreas remotas

30/04/2019



Uma nova notícia acende mais um sinal amarelo para a necessidade de reduzir o consumo de plástico e para sempre descartá-los nos locais corretos. Microplásticos, que são pedaços de plástico em decomposição, estão sendo levados pelo vento até o topo de montanhas em lugares remotos, de acordo com um estudo divulgado pelo The Guardian.

 

Os cientistas envolvidos nesse estudo se disseram espantados com a quantidade de microplásticos que está caindo do céu mesmo em áreas remotas, como nos Pireneus (a cordilheira que separa a França da Espanha). Os microplásticos mais frequentemente encontrados foram o poliestireno e o polietileno, amplamente utilizados em sacolas plásticas e embalagens descartáveis.

 

 

Antes deles, outros pesquisadores já haviam encontrado microplásticos em rios, solos e a grandes profundidades no oceano. Com isso, estamos consumindo esse plástico na água e na comida, sem que os efeitos disso em nossa saúde sejam conhecidos.

 

Cerca de 335 milhões de toneladas de plástico são produzidas por ano. Enquanto esse material se degrada lentamente, ele se fragmenta em pedaços cada vez menores, que agora estão presentes até mesmo no ar --dois estudos detectatam essa presença em Paris (França) e em Dongguan (China).

 

Esse novo estudo, publicado na Nature Communications, é o primeiro a mostrar que os microplásticos chegaram até mesmo às áreas mais remotas, graças aos ventos. Os pesquisadores encontraram uma média de 365 partículas de plástico por metro quadrado nas amostras coletadas nos Pireneus. Detalhe: eles estavam a 6 km de distância da vila mais próxima e a 25 km da cidade mais próxima. "É espantoso e preocupante que tantas partículas tenham sido encontradas", diz Steve Allen, autor do estudo.

 

Ao medir o nível de chuva de partículas de plástico e a força dos ventos, eles concluíram que os microplásticos podem ser carregados por 100 km pelo ar --e que podem ir bem mais longe, como acontece com as areias do deserto do Saara, que chegam até mesmo à Amazônia brasileira.

 

"Francamente, estamos apenas começando a entender a poluição por microplásticos", comenta Stefan Krause, professor da Universidade de Birmingham e especialista em poluição de rios por microplásticos.


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