Você conhece estes 10 personagens misteriosos do nosso folclore?

Todo mundo já ouviu falar do Saci, mas você sabe quem é o (ou a) terrível Ipupiara?

17/08/2018



No dia 22 de agosto é comemorado o Dia do Folclore, e quando falamos desse assunto logo vêm à mente figuras bem conhecidas, como o faceiro Saci-Pererê ou o sedutor Boto cor-de-rosa. Mas, você sabia que no nosso folclore também existem personagens como uma Cinderela com capa de palha, a prestativa Mãozinha Preta e a Cachorrinha d’Água, que traz riquezas para quem a encontra no rio São Francisco?

 

Essas são só algumas das lendas que muitos brasileiros desconhecem entre tantos personagens que povoam nosso folclore, desde os mitos imaginados pelos indígenas até os que foram adaptados de histórias ouvidas de africanos e europeus.

 

Alguns deles ficaram mais famosos porque se incorporaram mais ao jeito brasileiro, explica a jornalista Januária Cristina Alves, autora de Abecedário de Personagens do Folclore Brasileiro (FTD Educação e Edições Sesc). “São os que se relacionam mais com a imagem do nosso povo, como os mais traquinas e espertos, por exemplo. É por isso que o Saci é muito querido. E há os que são marcantes porque têm um forte componente religioso, como o Negrinho do Pastoreio.” 

/ Bradador (Ilustração de Cezar Berje)
/ Canhambora (Ilustração de Cezar Berje)
/ Bicho de palha (Ilustração de Cezar Berje)
/ Ipupiara (Ilustração de Cezar Berje)
/ Mãozinha preta (Ilustração de Cezar Berje)

Todas as ilustrações das galerias desta matéria estão no livro Abecedário de Personagens do Folclore Brasileiro e são de autoria do ilustrador Cezar Berje.

 

Ela conta que alguns mitos não se popularizaram tanto quanto esses por que são figuras que misturam a forma humana à animal — como o(a) Ipupiara —, ou violentas – como o Canhambora e o Bradador. Vamos combinar que, para passar as lendas adiante, é mais fácil dizer que viu um menino saltando na mata do que uma figura meio homem, meio peixe saindo na água, não é?

 

“Alguns personagens são mais incomuns, mas existem aí histórias muito lindas, como a da Cachorrinha D´Água”, diz Januária. Ela escolheu 10 destes personagens pouco conhecidos do nosso folclore para o Viva a Longevidade e conta, abaixo, um pouquinho da história de cada um deles.

 

/ Mulher de duas cores (Ilustração de Cezar Berje)
/ Queijo do céu (Ilustração de Cezar Berje)
/ Cachorrinha D'Água (Ilustração de Cezar Berje)
/ Chibamba (Ilustração de Cezar Berje)
/ Máe do Ouro (Ilustração de Cezar Berje)

Bicho de Palha

 

A nossa Cinderela tem um nome masculino, mas é mulher. Quando seu pai, viúvo, voltou a se casar, ela passou a sofrer muito com as maldades da madrasta, até que um dia Nossa Senhora deu a ela uma varinha para pedir ajuda. A moça, então, fugiu de casa disfarçada em uma capa de palha e foi trabalhar em um palácio onde a chamavam de Bicho de Palha. O resto da história já conhecemos: o príncipe desse palácio se apaixona por ela e a reencontra fazendo a prova do sapato. Eles se casam e vivem felizes para sempre.

 

Canhambora

 

Esse é um personagem que já meteu muito medo nas pessoas que viviam em fazendas e pequenas vilas de Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, tanto que sua história foi contada até pelo escritor Monteiro Lobato. Em tupi-guarani, seu nome significa "escravo fugido", então ele aparece como um negro forte, faminto e bravo, que rouba comida e roupa e anda armado com um facão para assustar as mulheres que vão ao rio buscar água ou tomar banho. Por conhecer bem a mata, tem quem ache que ele tem parentesco com o Curupira e o Saci-Pererê.

 

Mãozinha Preta

 

Talvez algum morador do Sudeste já tenha ouvido falar dela, pois ela faz parte do folclore da região. Também conhecida como "Mãozinha da Justiça", ela é literalmente uma mão na roda. Solta no ar, faz todos os trabalhos da casa rapidinho e também faz carinho. Mas também pode aplicar castigos e fazer justiça com as próprias mãos — e só vai parar quando mandarem. Por ser negra, reza a lenda que ela só não castigava mesmo os escravos.

 

Ipupiara

 

É homem ou é mulher? Tanto faz: meio humana, meio peixe, essa figura vive na água e pode assumir qualquer uma dessas formas para matar pescadores, mariscadores e lavadeiras. Sua tática é virar as embarcações e abraçar e beijar sua vítima com tanta força que chega a quebrar os ossos — e depois levá-la consigo para comer suas partes ou largá-la na água mesmo. Um mito indígena, é um dos mais antigos do país: já havia relatos sobre ele em um livro escrito pelo padre José de Anchieta em 1560.

 

Cachorrinha D´Água

 

Segundo essa lenda pernambucana, quem avistar a imagem dessa linda cachorrinha de pelos brancos e com uma estrela na testa nas margens do rio São Francisco receberá riquezas sem fim. Uma dica: ela gosta de se secar ao sol. Ela ficou tão popular que foi mencionada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade no poema “Águas e Mágoas do Rio São Francisco”.

 

 

Mulher de Duas Cores

 

Conhecida por todo o mundo, essa assombração também mete medo em quem anda pelas estradas ou matas de Minas Gerais. Ela gosta de atravessar, de dia, o caminho dos viajantes, pisando sem colocar o calcanhar no chão, bem rápido, sem olhar para ninguém. Como ela sempre se mostra durante o dia, dá para ver que sempre usa roupa de duas cores (daí seu nome).

 

Chibamba

 

Quando os mineiros querem dar um sustinho nas crianças que não param de chorar, invocam esse fantasma que se enrola em uma esteira de bananeira, ronca e funga bem alto. “Acredita-se que essa lenda venha da África, pois em Angola e no Congo os negros costumam dançar vestindo folhas, ramos e galhos”, diz Januária. Na mitologia africana, o Chibamba é o rei dos animais encantados — ou o bamba —, mas por aqui ele virou mesmo um parente do bicho-papão.

 

Mãe do Ouro

 

Essa é fácil de adivinhar: ela protege o ouro e ajuda as pessoas a encontrá-lo, por isso sua figura se popularizou durante o ciclo do ouro, no século 18, em Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. O mito da Mãe do Ouro também está ligado a outros que falam do fogo e do seu poder transformador — em Minas, por exemplo, ela está ligada ao Boitatá.

 

Bradador

 

Como seu nome já sugere, ele gosta de gritar sem parar, e capricha em berros assustadores enquanto está rondando sua casa no meio da noite, segundo esse mito que atemoriza quem vive em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Santa Catarina. Ele parece uma múmia e também é conhecido como Gritador ou Zé Capiongo.

 

Queijo do Céu


Fãs de queijo vão gostar desse mito de origem europeia que se popularizou no Nordeste e Sudeste. O tal Queijo do Céu é feito pelos anjos; uma delícia que só existe no paraíso. Mas não é para todo mundo: ele só pode ser cortado e servido por quem, em vida, foi fiel em seu casamento. Por isso, sempre foi relacionado à felicidade conjugal.


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