Fórum da Longevidade debate o aprendizado ao longo da vida

Evento patrocinado pela Bradesco Seguros ressalta a importância de estar sempre aprendendo, para viver melhor a longevidade

18/11/2019



Quem vive em um mundo que muda o tempo todo não pode parar de aprender.

 

E isso pode significar voltar à universidade para realizar um sonho, atualizar conhecimentos profissionais, descobrir como levar uma vida mais saudável e até mesmo como meditar e voltar a sua atenção para o momento presente.

 

O importante, mesmo, é manter acesa a curiosidade e cultivar o espírito do aprendizado ao longo de toda a vida.

 

Esse foi o centro do debate na 14ª edição do Fórum da Longevidade, patrocinado pela Bradesco Seguros e realizado no dia 12 de novembro, em São Paulo.

 

 

Ao longo do dia, dez convidados nacionais e internacionais falaram à plateia sobre a importância de estar sempre aprendendo, tanto no campo pessoal como no profissional, para viver a longevidade com mais propósito e leveza.

 

Durante o evento, conduzido pela apresentadora Cissa Guimarães, também houve a entrega dos Prêmios Longevidade, que reconheceram as melhores pesquisas, reportagens e histórias de vida sobre o tema. No fim, o apresentador e locutor Cid Moreira, de 92 anos, recebeu o reconhecimento como Ícone da Longevidade e contou algumas histórias curiosas aos convidados.

 

Quer saber o que mais rolou? Veja a seguir um resumo com os melhores momentos do 14º Fórum da Longevidade. 

Conhecimento para a longevidade

Alexandre Kalache

O médico gerontólogo Alexandre Kalache, consultor de longevidade da Bradesco Seguros e embaixador do Viva a Longevidade, abriu o evento lembrando que, em seus 14 anos, o Fórum da Longevidade chegou à adolescência. “Sabe o que quer dizer isso? Que ainda tem muito caminho por aí. Adolescente gosta de brincar, e é brincando que a gente aprende”, disse ele. Depois de fazer uma pequena brincadeira com a plateia, Kalache reforçou a importância de aprender em qualquer idade: “Se quisermos uma sociedade saudável daqui a 30 anos, quando teremos 67 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, é premente se preparar. A gente precisa de saúde, resiliência e investir no nosso conhecimento do início ao fim da vida”.



"A mensagem nesse nosso encontro é aprender a aprender sempre"

Alexandre Kalache

A urgência do aprendizado

A primeira apresentação foi a de Alessia Forti, economista da OCDE e especialista em educação de adultos. Ela falou sobre alguns desafios no treinamento de profissionais mais velhos, ressaltando que apenas 40% dos adultos são treinados em algum momento da vida. “O aprendizado de adultos é uma questão urgente. Como as pessoas vivem mais, provavelmente vão trabalhar mais, e por isso precisarão se manter empregáveis em uma vida mais longa.” Ela explicou que ainda existem barreiras para esse aprendizado, como a falta de motivação, de tempo e de dinheiro: “As pessoas mais velhas devem ser um grupo-alvo do treinamento, para atualizar as suas habilidades e permanecerem empregáveis no mercado”.

 

 

 

“A velhice tem que ser um ganho, um presente e uma alegria, mas ela só será alegria se significar ganho de vida.”

Viviane Mosé

A idade e o ganho de vida

A filósofa Viviane Mosé, por sua vez, fez uma reflexão sobre a nossa relação com o tempo. "Quando pensamos em tempo, pensamos em cronologia, em um relógio. Mas isso é só um padrão, um modo de organização. O tempo não é submetido ao vínculo com o espaço." Ela contou que, quando engravidou, aos 39 anos, descobriu que a idade era o tempo de vida de seu corpo, pois a médica disse que ela era mais jovem do que uma paciente de 22 anos desgastada fisicamente. “O tempo da vida cresceu com a gente. A velhice foi considerada um problema até ontem. Não pode mais ser considerada, porque estamos vivendo 80 e 90 anos. Isso tem que ser um ganho, um presente e uma alegria, mas ela só será alegria se significar ganho de vida”.

 

Universidade aberta aos idosos

Cristine Kelly

A irlandesa Christine O’Kelly, da Dublin City University, contou como conseguiu transformar um projeto de abrir a universidade aos alunos mais velhos em uma rede internacional que hoje reúne 58 instituições. E não foi fácil. “Os mais velhos achavam que não tinham dinheiro para estudar e que não poderiam contribuir com nada. Havia muita dúvida e negatividade sobre estudar na universidade. Nós pedimos ajuda da comunidade para estabelecer os cursos. Não fomos nós que decidimos o que era melhor para eles. Fizemos o que eles queriam”, ela conta. Hoje, o programa tem mais de 800 participantes, e ela considera positivo o encontro de gerações em sala de aula: “Os alunos mais velhos nos ajudam a desafiar os estereótipos. Os mais jovens veem os mais velhos como alunos, e os mais velhos encontram no jovem um desafio. É importante que eles se encontrem e se aceitem”.

 

 

Viver com mais saúde

Para a médica geriatra e consultora da Organização Mundial da Saúde Karla Giacomin, as regras para ter uma boa saúde são bem simples. “Alimentação saudável, não fumar, beber com moderação, praticar atividade física e ter amigos”, listou. “Todos precisamos melhorar o nosso conhecimento em saúde.” Ela também ressaltou que aprender a viver de modo mais saudável deve ser uma preocupação de todas as gerações: “Isso vai exigir de nós algumas mudanças: aprender a ir mais devagar, ser positivo, viver em mais contato com a natureza, aprender a se divertir enquanto joga o jogo da vida, relaxar, meditar e ter fé. A saúde não é questão da ciência e da idade, ela é reflexo da vida e dos riscos que a gente assume a partir das nossas escolhas”.

 

Planejamento da aposentadoria 

O economista Marcos Silvestre começou sua palestra falando da sua fascinação pelo personagem Spock, da série “Star Trek”, conhecido por sua saudação: “vida longa e próspera”. “Eu me apaixonei por isso e tomei para mim a missão de fazer com que as pessoas tivessem uma vida longa e próspera”, contou. Ele reforçou que planejar a aposentadoria é uma boa maneira de ter prosperidade na maturidade. “Todos deveriam estruturar um projeto de aposentadoria particular, definindo uma meta de idade e estimando o tamanho da reserva financeira para gerar a renda necessária para ter uma vida digna. Tente acumular essa reserva o mais perto que conseguir chegar disso”, aconselhou.

 

Empregos para os 50+

O americano Tim Driver (a esquerda, na foto acima) falou sobre a empregabilidade dos 50+ e sua experiência à frente do site RetirementJobs.com, focado em vagas para os profissionais mais velhos. “Os 50+ querem um emprego novo, não o que já tiveram. Hoje, os setores que mais estão contratando profissionais mais velhos são os de enfermagem, saúde, ensino, varejo”, disse. Ele ressaltou a importância de investir na geração de empregos nessa faixa etária, já que os adultos tendem a ficar mais tempo no mercado. “Acredito que trabalhar por mais tempo resolve quase todos os problemas. Precisamos de talentos, e as pessoas com mais de 50 anos são mais engajadas e saudáveis quando estão trabalhando, e têm mais segurança financeira.”



“Precisamos de talentos, e as pessoas com mais de 50 anos são mais engajadas e saudáveis quando estão trabalhando, e têm mais segurança financeira.”

Tim Driver

 

O poder do mindfulness

O instrutor de mindfulness Gil Sant’Anna subiu ao palco para explicar um pouco o que é essa prática – e depois fez um exercício com a plateia: “Mindfulness é aprender a prestar atenção intencionalmente, de momento a momento, com curiosidade e compaixão. A compaixão é o não julgamento, é tentar só perceber as coisas que estão acontecendo”. Ele também mencionou alguns estudos que relacionam a prática de meditação e de atenção presente a benefícios como a redução do estresse e a manutenção de uma boa capacidade cognitiva em pacientes com Alzheimer. “Outros trabalhos importantes analisaram o efeito do mindfulness para reduzir o burnout dos cuidadores.”

 

 

Pesquisa Longeratividade

A grande maioria (97%) dos brasileiros com mais de 50 anos está mais interessada em aprender coisas novas do que em descansar. Esse foi um dos resultados da segunda edição da pesquisa Longeratividade, apresentada por Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. O levantamento, feito em parceria com a Bradesco Seguros, também ressaltou que só cerca de um terço (37%) dos brasileiros está satisfeito com sua vida financeira e que a maioria acha que se aposentar definitivamente não significa ficar em casa descansando: 67% consideram importante ter uma ocupação e 63% concordam que quem tem uma atividade se sente mais feliz. Para os 50+, uma aposentadoria ativa é sinônimo de ter atividades, conviver com pessoas e sair bastante de casa.

 

 

Ícone da Longevidade

Para encerrar o evento, o locutor e apresentador Cid Moreira, de 92 anos, foi homenageado como Ícone da Longevidade e contou à plateia algumas histórias curiosas – como a do dia em que apresentou o Jornal Nacional de bermuda. “Eu estava jogando tênis em Itaipava. Consegui chegar em cima da hora para o jornal, o Léo Batista já estava na bancada. Como fui com a roupa de tênis, me vesti, sentei, apertei o nó da gravata e fui para o ar com o paletó e de bermuda”, contou. Ele também revelou que gosta de fazer musculação e pilates, e até hoje faz exercícios para manter o vozeirão. No fim, declamou um poema de Álvares de Azevedo e narrou um trecho da Bíblia. “Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência. O amor é eterno”, disse, citando um trecho da epístola do apóstolo Paulo aos Coríntios.

 

Prêmios Longevidade

Durante o Fórum da Longevidade também foi realizada a premiação do Prêmios Longevidade, que neste ano teve uma nova categoria, a de Fotografia, em Histórias de Vida. Confira os vencedores nas modalidades Pesquisa, Jornalismo e Histórias de Vida.

 

 

/ XIV Fórum da Longevidade
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