Alimentos com colesterol não fazem mal à saúde

Quem tem colesterol alto pode comer ovos sem se preocupar: basta maneirar nas gorduras saturadas

05/11/2018



Por muito tempo, alimentos ricos em colesterol --como o ovo e o queijo-- foram considerados os grandes vilões da dieta de quem tem problemas com os níveis de colesterol no sangue. Mas, na verdade, eles não causam tanto estrago quanto se imagina.

 

Seu efeito nos níveis de colesterol são modestos e variam de pessoa para pessoa, explica o médico Richard Klasco em um artigo para o The New York Times (conteúdo aqui, em inglês). “As melhores evidências disponíveis sugerem que a gordura saturada, e não o colesterol, é o que mais contribui para ter um colesterol alto”, escreve o especialista.

 

 

Ele dá um exemplo bem curioso: em 1991, o The New England Journal of Medicine descreveu o caso de um homem de 88 anos que passou ao menos 15 anos comendo 25 (isso mesmo) ovos por dia e mesmo assim tinha níveis normais de colesterol, além de artérias em bom estado.

 

Esse relato desafiou, na época, o dogma de que o colesterol presente na nossa alimentação causaria um aumento dos níveis de colesterol no sangue (uma crença que nasceu em 1913, quando o cientista russo Nikolai Anichkov observou que os coelhos desenvolviam aterosclerose quando tinham uma dieta rica em colesterol).

 

Ao longo dos anos, essa associação começou a ser contestada, especialmente porque os seres humanos não consomem colesterol de forma isolada. A vasta maioria de alimentos ricos em colesterol, como carne bovina e manteiga, também é rica em gorduras saturadas. As únicas exceções são o ovo e os crustáceos (como camarão, caranguejo e lagosta).

 

A partir daí, outros estudos mostraram que a gordura saturada tem mais efeito do que o colesterol alimentar no aumento dos níveis de colesterol no sangue. Por isso, nos Estados Unidos, a American Heart Association adotou o posicionamento de que não existe prova suficiente de que diminuir o consumo de alimentos com colesterol reduz os níveis de LDL (ou mau colesterol).

 

E mais: o órgão encarregado de definir as diretrizes das políticas públicas federais sobre alimentação diz que o colesterol não é um nutriente que inspira preocupação em relação ao excesso de consumo. "Devemos enfatizar que existe uma grande variação individual na resposta ao colesterol consumido", explica Klasco. "Algumas pessoas são como o senhor de 88 anos; outras, como os coelhos."


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