Como a inteligência artificial pode combater o câncer de mama

Pesquisadora cria modelo que interpreta mamografias e identifica mudanças nem sempre visíveis ao olho humano

30/10/2019



Se os computadores podem adivinhar nossos hábitos de consumo, por que não poderiam ser usados para prever o risco de uma mulher ter câncer de mama? A inteligência artificial já está sendo usada para mapear o histórico médico de quem tem o tumor para prever, tratar e possivelmente prevenir a doença, informa o The New York Times.

 

Depois de receber um diagnóstico de um câncer de mama em 2014, Regina Barzilay, professora do MIT e doutora em ciências da computação, começou a pesquisar como a inteligência artificial poderia ajudar outras pacientes.

 

 

 

Ela e sua equipe desenvolveram um algoritmo que é capaz de prever a possibilidade de uma mulher desenvolver a doença em um período de cinco anos, identificando mínimas alterações nas mamografias, que acabam virando tumores.

 

Assim como os computadores são programados para rastrear o padrão dos nossos cliques para prever o que gostamos de comprar online, podem também ser usados para mapear o histórico médico de pacientes para prever a ocorrência do tumor.

 

Seguindo essa lógica, a pesquisadora criou um banco de dados de 100 mil pacientes de câncer de mama em três décadas e desenvolveu um algoritmo para analisar todas essas informações. Dessa forma, novas pacientes poderão saber como tumores com determinadas características respondem a tratamentos específicos.

 

Além disso, a partir dos dados de 60 mil pacientes, ela e sua equipe ensinaram os computadores a analisar imagens dos exames preventivos do câncer de mama. Isso porque mesmo imagens em alta resolução podem produzir resultados indeterminados ou ser mal interpretados pelo radiologista.

 

Barzilay conta que, apesar de seu tumor ter sido diagnosticado em 2014, existem evidências de que ele já existia nas imagens dos exames que ela fez em 2012 e 2013. "As máquinas são mais eficientes do que o olho humano. Elas conseguem registrar mudanças sutis nos tecidos, influenciadas pela genética, pelos hormônios, pela lactação, pelas mudanças de peso. Isso nós não conseguimos ver", declara a pesquisadora.

 

Ao aplicar seu modelo a mulheres, sua equipe identificou que 31% das pacientes eram pessoas que tinham alto risco de desenvolver a doença no futuro, enquanto o padrão clínico usado atualmente chegou a uma taxa de 18%.

 

Com seus resultados, Barzilay espera que um dia as mulheres não sejam mais surpreendidas por diagnósticos tardios --e que não tenham que fazer exames desnecessários, pois a frequência de exames e biópsias pode ser customizada de acordo com os dados gerados. "Com eles, os médicos poderão dizer exatamente qual é o risco pessoal de cada uma”, afirma a pesquisadora.


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