Como o bacon e o chocolate podem fazer parte de uma alimentação saudável

Ricos em energia e aliados do bom humor, será que esses alimentos só fazem mesmo mal à saúde?

22/03/2019



De tempos em tempos, algum alimento entra na lista dos vilões da dieta, especialmente os que têm gorduras e carboidratos. Muita gente, com medo de que eles façam mal à saúde, decide, então, cortá-los do cardápio. Mas será que isso é realmente necessário, ou dá para comer batata frita, chocolate, macarrão e bacon, e ainda ter uma alimentação saudável?

 

Para resolver a questão, o Viva a Longevidade consultou duas nutricionistas, e elas foram unânimes na resposta: sim, dá para comer tudo isso, sem fazer mal para a saúde nem desequilibrar a balança.

 

“Não existe um alimento que, por si só, faça mal. Tudo é uma questão de quanto e quantas vezes você come”, afirma a nutricionista Vanderli Marchiori, fundadora da Associação Paulista de Fitoterapia (Apfit). “Ou seja, pode incluir todos os alimentos polêmicos na dieta, desde que em uma frequência e em um volume menores.”

 

 

Até mesmo o bacon?

 

Sim, responde a nutricionista comportamental Paola Altheia. “O bacon é um alimento muito energético, interessante para quem gasta muita energia. E, por ser carne, tem proteína. A questão é: você come bacon todo dia ou só de vez em quando?”, reforça.

 

Quem está a fim de comer bacon dentro de uma dieta saudável pode, por exemplo, optar por não fritá-lo ou por adicioná-lo a verduras, como a escarola, ou a saladas. Mas tudo bem se der vontade de comê-lo em um macarrão à carbonara, que também leva ovo, queijo e manteiga. “Nem tudo na vida precisa ser nutritivo. Muitos alimentos têm, para nós, um valor afetivo ou social”, diz Altheia.

 

“Não existe um alimento que, por si só, faça mal. Tudo é uma questão de quanto e quantas vezes você come.”

Vanderli Marchiori

É bom ter em mente que a gordura tem sua função de fornecer energia para o corpo e atua na produção de hormônios, por isso mesmo não deve ser tirada da alimentação. Mas existe um limite de consumo, claro. O ideal é que, de todas as calorias consumidas em um dia, de 25 a 35% venham de gorduras, de 40 a 55% devem vir de carboidratos, e, de 10 a 25%, de proteínas.

 

Com essa medida em mente, podemos fazer boas escolhas alimentares durante o dia. Se deu vontade de comer bacon, talvez seja bom maneirar na gordura na próxima refeição.

 

O macarrão também?

 

Os carboidratos, como se vê, são os principais nutrientes da nossa dieta — e por isso mesmo não devemos temer o macarrão. Além de ser fonte de energia, a glicose que as massas fornecem são essenciais para a estabilidade da pressão e do sono, e até mesmo para o nosso bom humor, pois ela atua na produção de serotonina, o hormônio do bem-estar.

 

Então, quem não está a fim de acompanhar o macarrão com molhos brancos ou gordurosos demais pode optar pelo molho de tomate ou pesto, e variar na receita para incluir vegetais, leguminosas (como grão-de-bico e feijão-fradinho), cogumelos, castanhas, queijo e tofu, por exemplo.

 

Aliás, o macarrão pode até ajudar quem está querendo emagrecer. “Ele é um excelente veículo para colocarmos mais legumes e verduras na nossa alimentação. Além disso, tem baixo índice glicêmico, por isso impede o pico de insulina no sangue”, diz Vanderli.

 

Batata frita pode? Chocolate pode? Pode (com moderação)!

 

Por ser uma combinação de carboidrato e gordura, a batata frita é outro alimento que causa arrepios em muita gente. Mas, seguindo o raciocínio da frequência e da moderação, ela está liberada. “Uma porção de batata frita, antigamente, dava bem para seis pessoas. Todo mundo comia um pouquinho e tudo bem. O problema é o aumento da porção e o consumo individual”, avalia Vanderli.

 

 

Para a sobremesa, fica a boa notícia para os fãs de chocolate. Os que têm de 60% de cacau para cima são ricos em flavonoides e em outras substâncias que nos trazem muitos benefícios, como melhorar a nossa circulação e o nosso sistema imunológico. E tem mais: “O cacau melhora a resistência à insulina, reduz o colesterol ruim, e tem químicos que ajudam a diminuir a gordura abdominal e a suprimir o apetite”, lista Vanderli.

 

Mas nem por isso os demais chocolates e doces devem ser evitados. É melhor satisfazer a vontade com moderação de vez em quando, do que reprimi-la, pois a privação aumenta o desejo pelo alimento proibido e, em consequência, o risco de comê-lo compulsivamente quando finalmente nos permitirmos.

 

Essa relação abusiva com a comida, sim, é considerada patológica, diz Paola. “Um brigadeiro de panela é diferente de uma panela de brigadeiro”, diz.



“Uma alimentação saudável permite que se coma de tudo, desde que se leve em conta a frequência, a quantidade e o contexto.”

Paola Altheia


Compartilhe:

1 Comentários:

Comentário enviado
para aprovação

Comentários recentes:

LUDMILA

18 de abril de 2019

Quero receber informações pertinentes.

Viva a Longevidade

04 de junho de 2019

Olá, Ludmila

 

Cadastre-se no rodapé desta página para receber, no seu e-mail, conteúdos e dicas importantes para viver mais e melhor.

 

Obrigado.
Equipe Viva a Longevidade.