Como podemos aliviar os efeitos do isolamento social

Bater um papo de cinco minutos pelo telefone pode fazer toda a diferença para quem está só

27/03/2020



Ficar só em casa é uma experiência inusitada para muita gente --e para a nossa própria natureza. Afinal, precisamos nos conectar com pessoas para contrabalançar os efeitos do estresse e da ansiedade e para viver uma vida mais saudável: estudos mostram que o isolamento social já foi associado ao aumento de 50% no risco de demência, de 29% no risco de ter doenças do coração e de 32% no de sofrer um AVC, informa o The New York Times.

 

Como espécie, os seres humanos se desenvolveram reforçando a importância da conexão e da colaboração. Sem isso, idosos e jovens que ficaram isolados pela quarentena para frear a Covid-19 podem sofrer com os efeitos da solidão, que causa o mesmo impacto à longevidade que fumar 15 cigarros por dia e pode ser mais danosa do que a obesidade, a falta de exercício e o consumo de álcool.

 

 

Daí a importância de reforçar, neste momento, as conexões sociais, ainda que à distância. Mas o que podemos fazer para minimizar a sensação de solidão quando não estamos fisicamente perto dos amigos e da família?

 

Para Vivek Murthy, autor de “Together: The Healing Power of Human Connection in a Sometimes Lonely World” (sem tradução para o português), solidão é o sentimento de que nos falta conexões sociais, intimidade, confiança e carinho de pessoas que genuinamente nos querem bem.

 

Por isso, em momentos de crise, oferecer ajuda e companhia virtual faz bem, e não só a quem recebe esse apoio. "Oferecer-se para ajudar, entrar em contato e focar no aqui e agora pode proteger as pessoas da ansiedade", explica Michele Weiner-Davis, especialista em relacionamentos.

 

Murthy concorda: "Ajudar alguém pode ser uma experiência muito poderosa, que não só forma uma conexão entre as pessoas mas reafirma a nós mesmos que estamos trazendo valor para o mundo. Contate os vizinhos e pergunte como eles estão. Muita gente vai passar aperto nessa crise, sem ter a ajuda de que precisam".

 

Recorrer ao bom e velho telefone e ligar para as pessoas queridas é melhor do que mandar mensagem. "Assim você pode perceber na voz da pessoa algo que não pode ser detectado em uma mensagem", diz a socióloga Stacy Torres.

 

O importante não é que essas conversas sejam longas, e sim que não tenham distrações. Afinal, mesmo um papo de cinco minutos pode fazer uma grande diferença em como uma pessoa está se sentindo. "Se nós queremos ter uma sociedade mais forte e resiliente, teremos que focar em refazer as fundações centradas nas pessoas", conclui Murthy.


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