Como praticar a inteligência emocional durante o período de isolamento

Entender as próprias emoções ajuda a evitar conflitos e ressentimentos consigo e com os outros

06/10/2020



A inteligência emocional é a forma com que uma pessoa lida com suas emoções para estar melhor consigo mesma e com o mundo. Mas, em tempos de pandemia e de isolamento social, quando muita gente continua afastada de familiares, amigos e colegas de trabalho, esse conceito da psicologia pode ter uma definição diferente?

 

“Na minha opinião, a definição é a mesma. O que muda são os nossos limites e o nosso comportamento em situações de crise. O gerenciamento emocional é o que vai nos manter com boa saúde mental durante uma pandemia”, explica Vivian Wolff, especialista em desenvolvimento pessoal e profissional.

 

 

Entender as emoções neste período de isolamento é fundamental, porque cada pessoa tem tido uma reação diferente sobre a situação. “Olhar para nós e para como nos relacionamos neste momento pode ser fundamental para evitar camadas a mais de conflitos e ressentimentos em cima do que já estamos passando”, complementa Wolff.

 

Para a especialista, os pensamentos são os reais causadores de ansiedade e de sabotagem que geram comportamentos que tiram a autoconfiança. “Precisamos avaliar quais pensamentos estamos nutrindo, como está nossa autoavaliação, pensamentos sobre o passado ou preocupações excessivas sobre o futuro”.

 

 

Nessa mesma linha, Fernanda Aoki, psicóloga e mestre pela Universidade de São Paulo (USP), acredita que o momento é de maior sensibilidade, porque as pessoas estavam preparadas tecnologicamente para o isolamento, mas não humanamente.

 

“A imunidade física não se improvisa, assim como a imunidade psíquica também não. Quanto tempo da nossa vida tiramos para aprender sobre nós mesmos? Quando a pandemia chegou, muitas pessoas não tinham vivência em cuidar das emoções e isso pode ter deixado alguns indivíduos constrangidos”, comenta.

 

Esse constrangimento pode ser explicado como um comportamento reativo às emoções. Não é incomum uma pessoa sentir raiva, angústia ou aflição e guardar para si esses sentimentos ruins. Mas, para Fernanda Aoki, a questão é o que as pessoas podem fazer com eles. “Sentir dor é humano, mas só sentir dor é doença. Aprender com a dor é evolução”, destaca.

 

Como explica a mestre, entender as emoções é usá-las em favor próprio. “Eu sempre digo que as emoções são o vento e a inteligência emocional é a vela do barco. O que move a nossa vida são as emoções. A inteligência emocional é confundida com o controle das emoções, mas não é possível controlar o vento. Tudo bem sentir raiva ou tristeza, porque entender esses sentimentos é ainda usar o vento a seu favor para chegar aonde você quer chegar”.

 

Se a dúvida é como reconhecer e abraçar as emoções, um primeiro passo pode ser a prática de mindfulness. “É um recurso que proporciona maior presença, percepção das emoções, autoconsciência e autorregulação. É uma técnica fácil de praticar, caracterizada pela meditação diária, e muito poderosa para a saúde, redução de estresse e gerenciamento das emoções”, aconselha Vivian Wollf.

 

 

Isso vai ajudar no desenvolvimento de uma melhor relação com outras pessoas. Um dos conceitos que são a base do mindfulness, segundo Wolff, é o não-julgamento. ”Isso nos faz sair do modo defesa para um comportamento mais aberto, em que conseguimos respeitar os outros em suas diferenças e, muitas vezes, aprender com olhares diferentes sobre um tema”, ressalta Wollf.

 

Com isso, diminuem as chances de uma pessoa projetar suas frustrações em alguém, uma vez que a inteligência emocional não é reativa, mas sim uma forma sensível de entender as próprias emoções e ter um cuidado sobre si para compreender as angústias do outro.

 

Ter empatia pode até ser uma prática difícil, mas desenvolver essa capacidade vai exigir uma única demanda: contribuição. “Fomos criados numa cultura de certo ou errado, mas empatia é entender o sentido da dor daquela pessoa. Você até pode dizer que uma pessoa faz tempestade em copo d’água, mas você já foi um copo para saber o que é uma tempestade?”, questiona.

 

A inteligência emocional é um aprendizado constante. E quanto maior o autoconhecimento, melhores serão as suas relações interpessoais.

 

5 dicas para desacelerar durante o isolamento social

Meditar

 

Comece a meditar antes que você realmente precise. Coloque o timer em 5 minutos, sente-se em uma posição confortável e fique ali, apenas prestando atenção no ar que entra e sai do corpo.

Pausa

 

Se você está trabalhando intensamente, faça uma pausa a cada 90 minutos. Levante-se, caminhe, respire profundamente algumas vezes seguidas ou aproveite para beber água.

Desapegar

 

Tente desapegar de expectativas ou resultados. Quanto mais conseguimos olhar a situação de fora, mais fácil fica gerenciar nossas emoções.

Cuidar das emoções

 

Investigue várias vezes ao dia como está se sentindo. Comece a se familiarizar com suas emoções, reconheça seus limites e deixe as pessoas ao seu redor saberem como se sente.

Autoconhecimento

 

Invista em seu autoconhecimento. É o ponto inicial para desenvolver inteligência emocional. Faça cursos e processos que te deem ferramentas e tragam autodesenvolvimento. 


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