Como prevenir o câncer de mama em qualquer idade

Especialistas explicam quais são os cuidados mais adequados em cada fase da vida da mulher

10/10/2018



O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras –fica atrás apenas do de pele (não melanoma) e corresponde a 28% dos novos casos registrados no país por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca).

 

Existem vários tipos de câncer de mama; alguns evoluem mais rapidamente, outros mais lentamente. Mas uma coisa vale para todos: um em cada três casos pode ser curado se o tumor for descoberto precocemente. Afinal, um diagnóstico na fase inicial permite começar mais cedo um tratamento menos agressivo e com mais chances de sucesso.

 

 

 

 

A mamografia e o ultrassom de mamas são exames que se complementam

Por isso é tão importante fazer não só o autoexame, mas também os exames de rastreamento. Entre eles, o mais importante é a mamografia, uma radiografia da mama que revela alterações — como calcificações e nódulos — que podem ou não ser malignas.

 

A indicação dos especialistas é realizá-la uma vez por ano a partir dos 40 anos. Antes dessa idade, o tecido mamário é muito denso, por isso fica difícil identificar indícios de um tumor. “Depois dos 40, a mama tem mais gordura, então é possível ver melhor a diferença entre um nódulo e o tecido”, explica Alessandra Bedin, ginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

O ultrassom de mamas, que pode ser feito em qualquer idade, é considerado um exame de apoio à mamografia, mas não a substitui. “Um exame complementa o outro: o ultrassom é bom para identificar cistos e nódulos benignos, mas a mamografia pega antes a calcificação”, explica Bedin.

59.700
Novos casos de câncer de mama

devem ser registrados no país em 2018

28%
É a fatia do câncer de mama

entre os novos casos de câncer registrados no Brasil

1%
dos casos de câncer de mama

acomete os homens

 

 

O câncer de mama é mais comum em mulheres após os 35 anos, e a partir dessa idade sua incidência vai crescendo progressivamente, especialmente após os 50. “A idade é o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer de mama. Quanto mais aumenta, maior o risco”, explica o médico mastologista Anastasio Berrettini, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia.

 

Mas isso não significa que as mulheres só devem se preocupar com a prevenção do câncer depois de uma certa idade. É preciso se cuidar desde cedo, com exames que vão se complementando ao longo da vida, apontam especialistas consultados pelo Viva a Longevidade. Eles explicam, a seguir, como deve ser feita a prevenção em cada fase e quais são os exames mais indicados para detectar o câncer de mama em estágio inicial.

 

Um cuidado para cada idade

Os exames mais indicados para detectar o câncer em cada fase da vida

 


Dos 25 aos 40 anos

Conheça suas mamas

Observar e apalpar suas mamas é a melhor maneira de se familiarizar com seu formato, sua aparência e sua textura. “Acostume-se a apalpar e identificar as ‘bolinhas’ que você já tem. Assim, quando surgirem novas, você pode discutir com o ginecologista”, afirma a ginecologista Alessandra Bedin.

O que é normal?

  • Ter mamas diferentes: É comum que uma mama tenha um tamanho ou formato diferente da outra. 
  • Nódulos móveis: Nódulos e cistos palpáveis e doloridos nem sempre são um perigo, e os benignos podem sem movimentar pela mama porque, ao contrário dos malignos, não se fixam ao tecido da mama.
  • Secreção leitosa: Pode indicar um tumor, mas benigno – é melhor avaliar com o médico. 

O que pode ser sinal de alerta?

  • Mudanças na mama: O abaulamento (curva diferente, para dentro ou para fora) da mama e as alterações na pele, como vermelhidão, retração ou mudança de textura (com aspecto de casca de laranja) podem ser sintomas de câncer de mama. 
  • Nódulos fixos: Um tumor em geral se apresenta como um nódulo fixo e indolor, que não se altera com o ciclo menstrual. Preste atenção em nódulos na região das axilas e no pescoço. “O suspeito é o endurecido. O benigno é parecido com a cartilagem do nariz”, diz Bedin. 
  • Mamilo alterado: A retração (ou afundamento) do mamilo pode sinalizar a presença de um tumor; o mesmo vale para secreções com sangue. 

Investigue sua genética

Pergunte a familiares se há histórico de câncer de mama na família, especialmente antes dos 50 anos, pois mulheres que herdam alterações genéticas (especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2) têm alto risco de câncer de mama e podem ter que adiantar a mamografia. 

Mas genética não é tudo: somente entre 5% e 10% dos casos da doença estão relacionados a esse fator. Em caso de alto risco é indicado avaliar, com seu médico, se é necessário fazer um estudo genético. 

Escolha um ginecologista

A consulta de rotina é essencial para fazer o exame clínico das mamas, com observação e palpação, e para ter um histórico da evolução de cistos e de nódulos para detectar se estão crescendo além do normal. 

O ginecologista vai definir a melhor idade para a mamografia, que pode ser indicada a mulheres com menos de 40 anos se elas tiverem alto ou médio risco de ter a doença.

25 ANOS

A partir dessa idade é preciso fazer só o exame clínico, uma vez por ano.


Dos 40 aos 50 anos

Hora da mamografia

Nessa faixa etária, o autoexame e o exame clínico continuam valendo, mas passam a ser complementados com a mamografia, que deve ser realizada uma vez por ano. 

O que é a mamografia?

É o exame feito no mamógrafo, um aparelho que faz uma radiografia das mamas para detectar alterações suspeitas. A mamografia identifica o tumor em sua fase inicial e permite começar o tratamento mais cedo, reduzindo a chance de mortalidade.

Se ela indicar a presença de uma lesão ou nódulo suspeito, deve ser complementada com uma biópsia (retirada de uma parte da lesão) e um exame de laboratório para confirmar o câncer de mama.

40 anos

A partir dessa idade é preciso fazer mamografia uma vez por ano até os 69 anos.


A partir dos 50 anos

Atenção à reposição hormonal

Após a menopausa, a terapia de reposição hormonal pode aumentar o risco de câncer de mama — e isso vale especialmente para a que combina estrogênio e testosterona. Nessa faixa etária, quem faz a reposição deve conversar com diferentes médicos (endocrinologista, ginecologista e geriatra) para discutir a melhor maneira de prevenir o câncer. 

Chega de ultrassom

Até os 50 anos, o ultrassom de mamas pode complementar a mamografia, pois é mais eficiente para detectar nódulos e cistos em mulheres que têm tecido mamário muito denso. Depois dessa idade, ele é dispensável. “O ultrassom só complementa quando a mama é muito densa. A mulher de 50 anos deve fazer apenas a mamografia”, reforça o mastologista Anastasio Berrettini.

70 anos

A partir dessa idade é recomendado fazer apenas uma mamografia a cada dois anos.


Em todas as idades

Cuidar do corpo durante toda a vida é uma boa maneira de reduzir o risco de ter câncer de mama. Afinal, entre os mais importantes fatores de risco para esse tumor estão a obesidade e o sobrepeso — especialmente após os 50 anos —, o consumo de álcool e o sedentarismo.


Compartilhe:

0 Comentários:

Comentário enviado
para aprovação