Haja equilíbrio emocional

Coisas simples que você pode fazer para vencer uma quarentena que durou (muito) mais tempo do que imaginávamos

07/09/2020 - por Karla Giacomin



Era uma vez 2020, um ano muito promissor.

 

Afinal, será a festa de 90 anos da sua vizinha, planejada para o feriado de abril para permitir que mais pessoas venham de todas as partes do país. Sabe como é, família grande.

 

Um casal amigo decidiu comemorar o aniversário de 25 anos de casado, a bordo de um navio em um cruzeiro, em maio, no mar da Itália.

 

 

 

Sem falar que este é o primeiro ano que sua filhinha de 4 anos vai para a escola, super curiosa, inteligente, interessada em demonstrar para você uma habilidade nova a cada dia. Você não vê a hora de vê-la de trancinhas na quadrilha da festa junina.

 

E a formatura do seu sobrinho? Sua irmã pagou caro pela comissão de formatura para garantir filmagem, buffet, DJ e cantores variados para a festa no final de julho.

 

Pois é, sabe aquele 2020 que todo mundo planejou? Não aconteceu.

 

Como é possível viver mais e melhor? Relembre a participação de Karla Giacomin no Fórum da Longevidade de 2019

Muitas pandemias em uma única pandemia

 

A pandemia iniciada em março vem se arrastando por muito mais tempo do que o que havíamos pensado. Agora as pessoas estão às voltas com pedidos de ressarcimento por cancelamentos, celebrações adiadas, sem falar nas aulas online dos filhos, na convivência do casal que ao invés de algumas horas por dia passou a ser 24 horas por dia, 7 dias por semana, com tarefas mais ou menos gostosas e quase sempre compartilhadas...

 

Haja equilíbrio emocional

 

No começo, foi o medo do vírus desconhecido, de sair de casa, de se contaminar, de precisar desfazer planos tão cuidadosamente pensados, de perder o emprego, de alterar seu padrão de vida.

 

Para muitos, a ideia do home office foi uma boa solução. Deu para segurar o emprego e descobrir várias maneiras de estar em contato com o mundo por meio de diferentes plataformas e redes sociais.

 

Só que depois, esse mundo virtual invadiu a vida cotidiana. Chegam mensagens e tarefas 24h por dia. Aí você se sente em falta porque não consegue acompanhar tantas lives e mais lives de culinária, política, saúde ou coaching.

 

Sem falar nas repercussões sociais do contexto da pandemia que te alcançam pela TV, pelo cartaz no elevador, pelas máscaras e pelos dispensadores de álcool em gel para todo lado.



Todos somos afetados pelo ineditismo deste nosso tempo e também pelo cansaço, porque pensávamos que seria mais fácil ou menos duradouro do que está sendo.

Ainda assim, se você não teve perdas de pessoas queridas, sinta-se em muito melhor situação do que tantos outros brasileiros.

 

Por isso mesmo você sabe que deve evitar a todo custo sair de casa, mas, se precisar sair, a rotina ao chegar em casa mudou. Você precisa deixar os sapatos fora de casa, lavar as mãos, tirar a máscara, tomar banho, higienizar o que trouxe, descartar as embalagens... e pensa que acabou? Não, na próxima vez será preciso fazer tudo isso de novo.

 

Haja equilíbrio emocional.

 

A quarentena não acaba. Abre comércio, fecha comércio. Você, sua família, seu(sua) parceiro(a) precisam encontrar meios de se readaptar ao novo formato de casamento, de (p)maternidade, de trabalho, de escola, de igreja, de lazer, de comemoração do dia das mães, dos namorados, dos pais, de aniversários.

 

Como conseguir o equilíbrio emocional?

O que fazer? Onde buscar apoio? Como fortalecer a nossa imunidade? Como encarar este distanciamento social imposto? Não temos controle sobre tudo, ou melhor, sobre quase nada.

 

Por isso é hora de aproveitar essa parada; dar-se um tempo e perguntar: o que me restaura? O que me fortalece? O que me sustenta? Qual é o meu propósito? As respostas não são as mesmas para todas as pessoas, mas algumas dicas podem ser úteis.

 

Olhe ao redor. Muitas pessoas precisam de apoio. Talvez você tenha alguma maneira de colaborar com seu vizinho que está mais velho ou com alguém que não possa sair de casa. Que tal se oferecer para ajudar? Fazer compras, levar o lixo, trazer o jornal, dividir alguma tarefa, mas lembre-se que para ajudar alguém você também precisa se cuidar.

É tempo de aproveitar a chance de aprender que precisamos de muito menos para ser feliz

Comece, então, por organizar seu tempo, criando momentos diferentes ao longo do dia:

 

- Há tempo de trabalhar, tempo de brincar, tempo de telefonar ou se fazer presente na vida das pessoas que você ama. Ah! E não se esqueça: fim de semana é fim de semana! Respeite essas pausas que a vida lhe oferece.

 

- Conheça o que te dá prazer: ler, fazer algum hobby, cozinhar, bordar, colorir, brincar com seu filho, jogar no computador ou celular, acompanhar uma aula pela internet de um curso que você sempre quis fazer, treinar outro idioma, assistir a uma série ou programa na TV.

 

  • - Hidrate-se bem e invista em uma alimentação saudável, com pouco sal, pouco açúcar, pouca gordura, mais fibras e, se puder, inclua frutas secas e castanhas, fontes de micronutrientes.
  • - Conecte-se com a natureza, com a sua espiritualidade, aprenda a meditar, seja grato, e use todos os seus sentidos para estar presente aqui e agora.
  • - Opa! Momento de mexer o corpo: caminhar, malhar, fazer yoga, dançar, tantas maneiras de se permitir investir em você.
  • - Chegando ao fim do dia, é hora de desplugar, fazer um escalda-pés, tomar um chá com calma, preparar o corpo para dormir e aceitar que o sono restaura conexões cerebrais e nos prepara para um novo dia.

 

O mais importante é aproveitar bem este momento, sabendo que tudo passa: este momento difícil que parece insuperável fará parte das nossas memórias.

 

É tempo de aproveitar a chance de aprender que precisamos de muito menos para ser feliz. Precisamos sem dúvida agradecer sempre a vida de cada dia: simples, imperfeita, imprevisível, engraçada, difícil, surpreendente. Um dia de cada vez, mas para todos os dias.

 

Saúde!

 

Karla Giacomin é médica geriatra, consultora da Organização Mundial de Saúde para Políticas Públicas e Envelhecimento e uma das referências sobre a atenção aos idosos. No último dia 23 de julho ela participou da Live Plataforma com Você Longevidade com o tema “Equilíbrio emocional e distanciamento social”. Veja como foi.


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