Mindfulness para ajudar a aliviar a ansiedade e a depressão

A atenção plena aos sentimentos fortalece a resiliência para não se deixar levar em momentos de crise



Ultimamente, temos ouvido falar bastante em mindfulness, uma maneira de levar a vida prestando atenção plena a tudo o que fazemos e sentimos. É o oposto de viver no automático, apenas cumprindo tarefas e se deixando levar pela força do hábito – um caminho que pode levar à frustração e à falta de perspectivas, segundo a criadora do termo, a norte-americana Ellen Langer, professora de psicologia da Universidade Harvard.

 

Seguindo essa filosofia da atenção plena, seria possível usar o mindfulness para aliviar o sofrimento de quem tem ansiedade ou depressão? “Acredito muito que essas técnicas funcionam. Manter o foco no presente é uma maneira de acessar o sofrimento e tentar entender as suas causas e o seu sentido. Isso ajuda a destravar o freio que está impedindo uma pessoa ansiosa ou depressiva de continuar o movimento da vida”, afirma a psicóloga Ligia Py.

 

O mindfulness já vem até sendo usado em terapias específicas, explica Gil Sant’Anna, instrutor certificado e fundador da Ambamind. “Recentemente, começou a ser aplicado em terapias cognitivo-comportamentais para tratar a depressão. E também pode ser usado para ensinar pessoas que têm ansiedade a lidar de forma diferente com ela nos momentos de crise”, diz Sant’Anna.

 

Em linhas gerais, o mindfulness é usado para trazer a nossa atenção para o momento presente. Usando diferentes técnicas de respiração e concentração, a ideia é fazer com que possamos parar e reconhecer o sofrimento sem julgar se o que está acontecendo ou o que sentimos é certo ou errado, se merecemos passar por isso ou não.

Como a técnica pode ajudar?

 

Uma das premissas do mindfulness é concentrar a visão em cada passo do caminho, e não só na linha de chegada. Aplicando essa premissa, uma pessoa ansiosa treina a capacidade de voltar a firmar uma âncora no presente em vez de sofrer por antecipação com o que pode dar errado no futuro. “A ansiedade em geral traz uma angústia paralisante”, explica Py. A atenção plena ao presente, nesse caso, ajuda os ansiosos a dar um passo para trás, observar o que está verdadeiramente acontecendo e, assim, retomar o movimento de cumprir um passo de cada vez.

 

Já uma pessoa depressiva aprende a olhar para a situação presente como ela é, sem pintar um cenário mais terrível do que o real. “É um processo mais trabalhoso, porque uma pessoa com depressão tem muita dificuldade de entrar em contato consigo mesma e enxerga um cenário catastrófico”, pontua Py. “O pessimismo se mostra muito forte, a pessoa se massacra. É difícil sair dessa situação sem ajuda profissional.”

 

 

Nesse caso, a proposta é treinar a capacidade de enxergar os sentimentos e os acontecimentos sem julgá-los como bons ou ruins e sem as tintas da catastrofização. “Ao fazer exercícios de respiração, a pessoa começa a perceber seu corpo de maneira real e, por extensão, percebe com mais clareza a realidade como ela é”, explica Sant’Anna – aprenda a fazer um exercício simples logo abaixo.

 

Ajuda também para criar resiliência

 

A prática contínua da atenção plena ajuda a criar mais resiliência em momentos de sofrimento, ou seja, voltar mais rápido a um estado sereno, após as crises emocionais. Afinal, quando sabemos que esses altos e baixos são normais, não nos engajamos no sofrimento.

 

Isso não significa ignorar os sentimentos, e sim se conectar de verdade a eles para vivê-los de maneira consciente e entender qual é seu sentido na nossa vida. A parte boa é que exercitar a atenção plena também nos ajuda a aproveitar melhor o lado bom da vida. “Quanto mais abrimos os olhos para o que sentimos de verdade, mais plenamente podemos viver também os momentos de felicidade”, diz Sant’Anna.

 

Um exercício de mindfulness em quatro passos

 

Dedique 30 segundos a cada um destes passos – e pratique 3 vezes ao dia

 

Exercício 1

Pare no meio de alguma atividade cotidiana e traga a atenção para a sua respiração, as sensações em volta do seu estômago, a maneira como ele infla quando você inspira e como volta à posição original quando expira.

Exercício 2

Sinta as sensações corporais que ocorrem nesse momento, como tensões musculares e dores, e não tente modificá-las.

Exercício 3

Perceba quais sensações você está sentindo, como agitação, mas não tente modificá-las. Em vez disso, aceite-as.

Exercício 4

Traga a sua atenção ao seu corpo, a essas sensações e a como você está experienciando tudo isso. Conecte-se com elas, sem julgar ou comentar; apenas respire com elas. Permita-se apenas estar e relaxar com qualquer coisa que esteja presente.

Fontes para o exercício: Ligia Py e Iniciativa Mindfulness

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CLAUDIANA

06 de julho de 2018

Como sabemos os males do século são: depressão, transtornos de ansiedade, síndrome de pânico e etc. e como é interessante termos artigos como esse que nos ajuda a sair dessas situações.