Novembro Azul: diagnóstico precoce para não ter problema

Saiba como a mudança de cultura de autocuidado foi fundamental para que um homem detectasse um câncer de próstata em estágio inicial

30/10/2020



Quando tinha 40 anos de idade, Maurício Rosado (foto abaixo), hoje com 64 anos, passou a adotar um estilo de vida determinante para que, dentro do possível, sua vida seguisse em ritmo normal depois de ter um diagnóstico precoce para o câncer de próstata, o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens e foco da campanha de conscientização do Novembro Azul.

 

Naquele ano, nasceu Giulia, a segunda filha de Maurício Rosado. Uma garotinha especial, como ele gosta de frisar, que precisou de muitos cuidados logo em seus primeiros dias de vida, com cirurgias e um tempo de UTI. Maurício não aguentou. Em um dos dias em que acompanhava a evolução da filha recém-nascida, ele não passou muito bem e teve que ser atendido na emergência do hospital. Ele era hipertenso e nem imaginava.

 

Desde então, Maurício adotou o (bom) hábito de se cuidar. Faz visitas periódicas (anuais ou semestrais, a depender do caso) ao cardiologista, oftalmologista, pneumologista, urologista... “Já me perguntaram por que eu ia tanto ao médico, se eu tinha algum problema. E eu sempre respondi: ‘não, estou indo ao médico para não ter problema no futuro’. Porque, se algo aparecer, eu vou estar adiantado e poderei me cuidar com antecedência”, explicou.

terceiro texto

Foi exatamente o que aconteceu quando Maurício foi diagnosticado com câncer de próstata.

 

A cada seis meses, Maurício faz o exame sorológico que monitora o PSA, a proteína produzida pela próstata. Se o exame indicar um alto nível da proteína, significa que existe um problema no órgão (que pode ser câncer ou não). Foi isso que aconteceu uma vez.

 

O urologista de Maurício combinou o resultado do PSA com o exame de toque (para verificar a existência de nódulos) e a biópsia. E foi esse último exame que confirmou o câncer de próstata.

Do urologista, Maurício foi encaminhado para um uro-oncologista para realizar o tratamento. Das três opções dadas, o paciente escolheu pela remoção total da próstata, e hoje leva uma vida como “quase normal”, como o próprio define: sem medicações no pós-operatório, vida sexual ativa e a mesma rotina semestral de acompanhamento com os médicos.

 

"A mensagem é: cuide-se. Desde os seus 40 e poucos anos, comece a visitar o urologista anualmente e, depois, aos 50, semestralmente. Homens: não se preocupem com o exame de toque, que é feito para complementar uma variação no PSA. Preocupem-se, sim, com a saúde, porque o câncer de próstata mata, como quase qualquer outro tipo de câncer. A preocupação tem que ser para antecipar o problema para não ter que sair correndo quando (e se) ele aparecer."

9 respostas para as principais dúvidas sobre o câncer de próstata

 

A presidente e fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, e o médico urologista Thiago Hemerly respondem às perguntas sobre o câncer de próstata, a importância do diagnóstico precoce e as ações que os homens devem adotar para ter uma vida mais saudável.


1 - Como é feita a prevenção do câncer de próstata?

Thiago Hemerly explica que, por enquanto, não existe uma medida específica que seja capaz de prevenir de forma adequada o aparecimento do câncer de próstata. Ele usa como exemplo a relação direta entre o tabagismo e o câncer de pulmão. “Nosso objetivo é a detecção precoce, que é a identificação da doença enquanto ela está numa fase inicial. É aí que entra a necessidade do acompanhamento com o urologista para os exames e consultas periódicas”, explica.


2 - Qual médico os homens devem procurar?

“O médico que cuida da saúde do homem é o urologista, e a recomendação é que o homem procure esse especialista para uma consulta a qualquer idade”, explica Luciana Holtz. Ou seja: ele não precisa esperar chegar aos 40 anos para procurar esse médico. 

Existe um outro ponto importante, como destaca Thiago Hemerly: a partir dos 40 anos de idade, começa a aumentar a incidência de hiperplasia prostática benigna nos homens, que é o crescimento benigno da próstata, que traz impacto na qualidade de vida dos homens que não fazem acompanhamento de forma adequada. “O objetivo da consulta de acompanhamento não é “apenas” a detecção precoce do câncer de próstata, mas o acompanhamento e o cuidado de toda a parte genito-urinária”, explica.


3 - A partir de que idade os homens devem fazer exames para acompanhamento?

Quando falamos especificamente de câncer de próstata, a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Europeia de Urologia é realizar exames: 

  • aos 40 anos - para homens que têm mutação no gene BRCA2
  • aos 45 anos - para quem possui fatores de risco, no caso, histórico familiar de câncer de próstata e homens negros (Ainda não se sabe com clareza quais as razões, mas homens negros apresentam risco de duas a três vezes maior que o restante da população masculina, bem como o dobro da probabilidade de morrer por conta da doença. Saiba mais no site Instituto Vencer o Câncer).
  • aos 50 anos - para homens sem os fatores de risco.


4 - Alterar o estilo de vida, adotar hábitos mais saudáveis, ajuda na prevenção do câncer de próstata?

O combate ao sedentarismo, à obesidade e ao tabagismo, de forma geral, são fundamentais para uma boa qualidade de vida, explica Luciana Holtz. Thiago Hemerly destaca que, apesar de ainda não existir uma conclusão definitiva, existem estudos que mostram uma associação de obesidade, síndrome metabólica e excesso de alimentos gordurosos com o aparecimento do câncer de próstata. Falamos sobre isto nesta matéria do Viva a Longevidade.

65.840
É a estimativa de novos casos para cada ano do triênio 2020-22.

25%
dos pacientes com câncer de próstata morrem por causa da doença.

20%
dos diagnósticos são em estágios avançados.


5 - Caso um parente próximo tenha tido câncer de próstata, significa um risco maior para desenvolver a doença?

Sim. “A herança genética para o desenvolvimento da doença tem um papel importantíssimo”, explica o urologista. Homens com parentes de primeiro grau com câncer de próstata têm duas vezes mais chances de desenvolver a doença do que quem não tem esse histórico na família. Essa chance aumenta para seis, se forem dois parentes de primeiro grau.


6 - Quais são os exames que devem ser realizados para acompanhar e/ou detectar o câncer de próstata? E com que frequência?

Os exames realizados no rastreamento do câncer de próstata são:

  • Exame de sangue para a dosagem do PSA: pode indicar a existência ou não de um câncer no órgão. É o exame que os homens repetem com mais frequência.
  • Toque retal: detecta a presença de nódulos suspeitos na próstata. Realizado quando há alteração nos níveis do PSA no sangue.
  • Ressonância magnética da próstata: auxilia no processo de confirmação do câncer de próstata. Deve ser realizada antes da biópsia, para uma melhor visualização do(s) nódulo(s).
  • Biopsia da próstata: é o exame que confirma as suspeitas levantadas pelos resultados do exame de PSA e do toque retal.

O rastreamento deve ser anual, mas a periodicidade pode variar conforme a idade ou o risco para o desenvolvimento da doença.



“Combater o preconceito é necessário”

Luciana Holtz


7 – É mesmo necessário fazer o exame de toque retal?

Sim.

O toque retal pode salvar vidas. “Ao menos 10% dos diagnósticos de câncer de próstata são feitos exclusivamente pelo toque retal alterado, com PSA ainda normal”, explica Helmery.

O exame é feito rapidamente, dura poucos segundos e não causa dor, no máximo um desconforto passageiro.

“Falar em combater o preconceito (em relação à realização do exame) é necessário”, opina Holtz. “A gente ainda ouve entre os homens o quanto isso é um desafio”. Segundo a presidente do Oncoguia, é necessário criar uma cultura de cuidado à saúde nos homens desde muito cedo.


8 – O homem pode ficar impotente após o tratamento contra o câncer?

Além do toque retal, a impotência é outro medo/preconceito comum aos homens quando o assunto é câncer de próstata. Segundo Hemerly, a chance de importância após o tratamento vem diminuindo graças à modernização dos tratamentos e, principalmente, nos pacientes em que o diagnóstico é feito precocemente. O recado é simples: não deixe a vergonha e o medo impedirem que você, homem, faça o melhor para a sua própria saúde.


9 – Além do câncer de próstata, quais outros cuidados o homem deve ter com a sua saúde?

A receita é a mesma para outros tipos de câncer ou doenças, como bem explica Holtz: “é preciso combater sedentarismo, obesidade, adotar um hábito de vida saudável, uma alimentação saudável, cortar o tabagismo, praticar sexo seguro...”.

Hemerly destaca que o acompanhamento periódico com o urologista ajuda também a prevenir, identificar e tratar outras doenças igualmente importantes para a saúde do homem, como hiperplasia prostática benigna, câncer de rim, bexiga e testículos, cálculos renais e disfunções sexuais. “O ganho de qualidade de vida e o prolongamento de uma vida mais saudável e ativa se dá pela junção de hábitos de vida saudáveis (boa alimentação, controle de peso, evitar tabagismo, prática de atividades físicas regulares) com o acompanhamento médico periódico”, explica.

 

Compartilhe o infográfico abaixo com seu amigo, avô, pai, irmão, tio, enfim, com o homem que você quer ver bem.

 


Compartilhe:

0 Comentários:

Comentário enviado
para aprovação