Pulseiras e relógios podem ajudar a detectar problemas cardíacos

Tecnologia vestível mede a frequência cardíaca e interpreta dados para avisar se algo está errado

24/12/2018



Os relógios e as pulseiras inteligentes que monitoram nossas atividades físicas estão ganhando uma nova função: avisar se estamos tendo algum problema cardíaco. Alguns modelos já interpretam os dados coletados e avisam o usuário quando há risco de algo acontecer, informa o C-Net (conteúdo em inglês)."É uma das maneiras mais fáceis de calibrar como nosso corpo está funcionando", afirma o médico Anthony Luke, diretor de medicina esportiva da Universidade da Califórnia.

 

Nos Estados Unidos, alguns relógios inteligentes já soltam um alerta quando, por exemplo, detectam um pico na frequência cardíaca. Foi o que aconteceu com o americano Eric Isakson, de 39 anos. Ao olhar para o relógio depois de passar uma manhã em reuniões, ele notou que seu coração estava a 155 por minuto — a média é de 60 a 100 batidas por minuto.

 

Primeiro ele achou que fosse um problema com sua pulseira, mas ao decidir ir ao médico tirar a dúvida, foi direto para a sala de emergência para ser tratado porque estava tendo uma fibrilação atrial do coração, que poderia ter sido fatal se não tivesse sido detectada e tratada.

 

 

Os modelos mais avançados, como o Apple Watch 4, já são capazes de fazer um eletrocardiograma para detectar problemas como o de Isakson. Outros fabricantes desse tipo de tecnologia vestível, como Fitbit e Garmin, já estão desenvolvendo maneiras de detectar tanto a fibrilação como a apneia do sono.

 

Existem maneiras diferentes de medir a frequência cardíaca. Uma delas é gravar os sinais elétricos gerados pela contração do músculo cardíaco por meio do eletrocardiograma, que usa eletrodos colados no peito e nos membros do paciente e é usando para diagnosticar um ataque cardíaco.

 

Já as pulseiras têm um sensor diferente, que usa a luz para medir quanto sangue o coração está bombeando sob a superfície da pele. Funciona assim: quando o coração bate, o fluxo sanguíneo aumenta e absorve mais luz. Entre uma batida e outra, quando há menos sangue, mais luz volta para o sensor, e é assim que ele mede a pulsação.

 

Em condições normais, essa medição é bastante precisa, mas em certas condições, como estar em movimento ou ter uma tatuagem na região, ela pode ficar menos exata, explica o cardiologista Mintu Turakhia, diretor-executivo do Centro de Saúde Digital da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

 

Esse é um desafio que os fabricantes de relógios e pulseiras terão de superar para que essas tecnologias vestíveis possam ser usadas para detectar problemas de coração. Além disso, para serem vendidos como um dispositivo médico nos Estados Unidos, os vestíveis ainda teriam de passar pela aprovação da FDA, órgão regulador federal da área de alimentação e saúde.


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