Conheça a neurociência por trás das decisões de consumo e investimento

Quando os dois lados do seu cérebro brigam na hora de pensar nas finanças pessoais, como separar essa briga?

10/02/2020 - por Mara Luquet



O aumento da expectativa da vida tem provocado um crescimento significativo no volume de estudos do cérebro. Não basta viver muito, queremos viver bem. E, mais do que dinheiro, é a saúde o maior patrimônio nesta empreitada de longevidade.

 

Por isso, muitas questões estão sendo revistas, e novos modelos de viver bem vêm sendo testados.

 

 

As pesquisas que falam sobre dinheiro, bem-estar e decisões econômicas se multiplicam por universidades em todo o mundo.

 

Que parte do nosso cérebro, por exemplo, é responsável pelos prazeres imediatos, e que parte pensa a longo prazo? Quando você gasta sem cerimônia o seu dinheiro, a culpa realmente não é sua, mas do seu cérebro.

 

Vizinhos que vivem brigando

 

Na verdade, existe uma luta cruel, em que o lado gastador, preocupado apenas com a recompensa imediata, vence com larga vantagem aquele lado que pensa no seu futuro.

 

O resultado da briga diária desses dois lados do cérebro influencia diretamente na sua saúde financeira, e pode engordar ou destruir seu patrimônio.

 

Os pesquisadores tentam entender como os processos comportamentais afetam as decisões de consumo e investimento das pessoas, para que possamos identificar as armadilhas mentais que nos fazem gastar demais e poupar menos.

 

No século da longevidade, essa é uma questão relevante, porque viver muito custa caro e, nos modelos econômicos atuais, a verdade é que você é o principal responsável por financiar os anos a mais que a ciência lhe entregou.

 

O que as pesquisas já identificaram:

1. As decisões financeiras são fortemente influenciadas pelos processos cognitivos.

2. Não são necessariamente racionais.

3. Há formas de estimular um comportamento que ajuda a driblar essas armadilhas comportamentais. 

Como lidar com as escolhas financeiras, fazendo como que o seu cérebro se torne um grande aliado?

Veja dois exemplos:

 

1. A procrastinação é um inimigo que não pode ser subestimado, e poupar compulsoriamente é a melhor forma de vencê-lo.

 

Traduzindo: esse velho mal de deixar tudo para amanhã pode ser vencido quando você cria um hábito automático de guardar dinheiro.

 

2. Quem comanda o futuro e a razão é o córtex pré-frontal, mas nas emoções quem manda é o sistema límbico. 

 

O que isso significa? Que quando se guarda dinheiro para a aposentadoria, por exemplo, é o córtex pré-frontal que está no comando. Já quando se faz compra por impulso, sem se preocupar com o amanhã, aí a culpa é do sistema límbico.

 

Por aí você pode ver o quanto esses dois cérebros brigam. Não é raro estarem em desacordo.

 

Por isso, é sempre mais fácil tomar decisões racionais quando elas estão no futuro. Complicado? Nem tanto.

 

Boa parte das pessoas planejam investir parte do décimo-terceiro salário, ou alguma renda extra que vão receber, como a restituição do IR.

 

No entanto, quando o dinheiro chega, todo aquele planejamento racional se esvai, e as necessidades prementes de curto prazo acabam tendo um peso maior.

 

O que fazer, então? Recorrer a um mecanismo que os cientistas comportamentais chamam de “guarde mais amanhã”. Funciona assim, você faz a aplicação hoje de um dinheiro que receberá no futuro. Sem o dinheiro nas mãos, é mais fácil tomar decisões racionais.

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