E quem não quer se aposentar?

E quem não quer se aposentar?

Faço parte da legião de pessoas que chegam aos 40 e 50 anos sem a menor vontade de parar de trabalhar. O que a previdência nos reserva?

12/11/2018 - por Mara Luquet



Tenho participado de muitas discussões sobre previdência. Em todas, sem exceção, o foco estava na falta de sustentabilidade do modelo atual. O buraco causado nas contas públicas pelo déficit previdenciário não para de crescer. Se nada for feito, esqueça investimentos em infraestrutura, ou mesmo, gastos com saúde ou com educação. Todos os orçamentos – federal, estaduais, municipais – estariam, no médio prazo, comprometidos só com o pagamento de benefícios.

 

Ouço soluções para todos os gostos. “Por que não cobram dos devedores ou dos sonegadores contumazes?”, perguntam uns. “Haverá dinheiro, sim. Basta a economia voltar a crescer”, argumentam outros. “Basta acabar com as fraudes”, vociferam os mais inconformados.



Mas e eu? O que penso da previdência e da minha própria aposentadoria?

Faço parte de um coletivo de jornalistas em que os fundadores são 40+, no meu caso um pouco mais, jornalistas experientes, bem empregados que resolveram deixar sua zona de conforto para desbravar esse mundo digital, criando o MyNews.

 

Sem carteira assinada, sem patrão e sem milhões em patrimônio, nós somos o microcosmo de uma revolução que já acontece em todo o planeta, a chamada revolução prateada que começou com os baby boomers nos EUA, geração nascida após a Segunda Guerra mundial e que já está aposentada. Agora, a geração X, a qual eu pertenço e as outras tantas que já estão na fila, engrossam a legião de revolucionários que chegam aos 40 e aos 50 anos sem a menor vontade de parar.

 

Lembro de uma conversa há alguns anos com uma fonte do mercado que começava a ver um grupo grande de clientes dos planos de previdência chegando aos 50 e resgatando seus investimentos não para converter em benefício, mas fundamentalmente para investir em um negócio próprio, ou seja, empreender.

 

 

O que a previdência nos reserva? Esse modelo nos protege? Aliás, passamos recentemente por uma reforma trabalhista. O que ela nos trouxe de novo? Para que serviu essa reforma?

Foi interessante acompanhar o debate no Congresso entre os que defendiam o novo modelo trabalhista e aqueles que queriam deixar tudo como está. Mas onde estavam os que deveriam defender as novas demandas? Somos de gerações que não querem parar de trabalhar aos 50, que não querem envelhecer numa única empresa, que querem empreender, trabalhar em casa, em outros países, meio período, enfim, que querem desbravar novos modelos.

 

Estou às vésperas da aposentadoria. Mas não quero parar

Aos 52 anos, já estou às vésperas da aposentadoria, se considerar a idade média dos aposentados por tempo de contribuição no Brasil. Mas não quero parar, por mais que o sistema queira e me imponha o modelo que vigorou para meus avós.

 

Não sou a única. Por todos os lados vejo os 50+ em plena atividade sem fazer planos de parar. “É hora de ficar velho. Por que você não se acalma?”, são versos de um rock pop brasileiro da banda Pato Fu, “You have to outgrow Rock’n Roll”, composto pelo guitarrista John Ulhoa em 2014. No videoclipe, ele reuniu colegas de infância, todos acima dos 50, na pista de skate em Belo Horizonte onde costumam praticar o esporte desde a tenra idade.

 

Por que mudar?

 

Para nós, mesmo com as contas públicas em dia, mesmo que todos os devedores paguem, que não exista mais fraude e que as mulheres voltem a procriar ferozmente para aumentar a capacidade da previdência se financiar com novos entrantes, ainda assim o modelo previdenciário terá que mudar. Por quê? Para atender nossas reais necessidades.

 

E quais são? São muitas e vamos falar mais delas por aqui. A começar expondo a necessidade de se pensar em uma legislação trabalhista e um sistema previdenciário que facilitem a criação de mais postos de trabalho para acomodar essa população que teima em viver mais e com tanta disposição.

 

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