A maior das artes é viver com amor

A maior das artes é viver com amor

Grandes pinturas ou sinfonias são obras que nos encantam. Mas o conceito de arte pode – e deve – ser ampliado para abranger a criação de um mundo melhor

11/12/2019 - por Márcia Peltier



Nossos dias, sem que a gente perceba, são pontuados pela arte. Quando ouvimos essa palavra, pensamos logo nos grandes criadores e suas obras, como a Monalisa – o pequeno retrato de uma mulher renascentista pintado por Leonardo da Vinci no século 16, que virou símbolo de genialidade.

 

Na música, as sinfonias de Beethoven, a Bossa Nova de Tom Jobim, o jazz de Duke Ellington... Tantos artistas em todas as modalidades! Cinema, teatro, dança. Tudo isso dá um tempero especial aos nossos dias.

 

 

Queremos ser tocados por visões artísticas da vida. O nosso poeta brasileiro Ferreira Gullar disse uma frase definidora: “A arte existe porque a vida não basta”. Aliás, vale a pena ler uma divertida crônica do Gullar no jornal Folha de S.Paulo, que termina com esse lindo olhar sobre e arte: “Na verdade, acredito que o objetivo de arte não é, como se diz, revelar a realidade mas, sim, reinventá-la. Quando Van Gogh pinta o quadro Noite Estrelada, está acrescentando, aos milhões de noites reais, mais uma que só existe em sua tela. E reinventa, assim, a noite real”.

 

Pensadores e filósofos se debruçaram sobre a importância da arte nas sociedades; muitos discutem as obras de arte como símbolos da própria civilização. Aliás, o conceito de arte varia ao longo da história e nas várias culturas.

 

Mas podemos dizer que a arte é um componente de todas as sociedades que conhecemos. Quem concorda comigo é o historiador da arte e pesquisador Júlio Bandeira:



“A arte é o próprio rosto da humanidade. Ela está presente na maneira do oleiro moldar uma cumbuca, na pintura de uma cuia, no som das músicas mais simples, em uma sinfonia e num acorde. Em um romance, ou em uma cantiga de roda. Na alegria e na desolação, nas lágrimas e nos sorrisos da face dos bichos, homens e mulheres.”

É isso! Muito mais do que um conjunto de obras, a arte mora no domínio da sensibilidade.

 

Então, proponho um exercício aqui – o de ampliar o conceito de arte. Assim como um escultor usa a pedra ou músico os sons, podemos pensar na arte dos sentimentos, da convivência, da empatia.

 

A transformação da realidade usando os elementos para criar alguma coisa nova é um fazer artístico. E a realidade pode ser transformada por um jardim florido e cultivado com capricho; por uma receita saborosa; por uma gentileza com o vizinho, o amigo, o desconhecido.

 

A arte mora no campo da sensibilidade, e o amor está no mesmo domínio. Praticar a gentileza é um fazer artístico!

Portanto, viver em sociedade é uma arte. A arte de dialogar, de compreender e aceitar. Saber fazer e manter amigos é uma arte que exige um coração amoroso.

 

Para isso, precisamos olhar a vida e o outro com mais empatia e compaixão! O mundo vai ser muito mais agradável se valorizarmos as pequenas e as grandes atitudes que criam alegrias e conexões.

 

Pense nisso e comece agora a repensar a vida com mais carinho – saber viver, afinal, é a maior das artes.

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