A Terra está mostrando que precisa de um tempo. E você?

A Terra está mostrando que precisa de um tempo. E você?

Na pandemia, demos uma trégua ao meio ambiente — e podemos fazer o mesmo em relação às nossas necessidades

28/05/2020 - por Márcia Peltier



Quando cerca de um terço da população mundial se colocou em distanciamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, vimos surgir um “efeito colateral” na natureza. Circularam por jornais do mundo todo — e também nas redes sociais — notícias de que os rios estão menos poluídos, as águas das praias estão mais límpidas, o buraco da camada de ozônio está se reduzindo...

 

Isso não emociona simplesmente porque a Terra teve uma trégua dos males que fazemos a ela. Emociona porque mostra que até a Terra, esse planeta gigante, também precisa dessa pausa. Se até a Terra pede descanso, imagine nós, meros seres humanos!

 

 

Com os países em quarentena para combater a circulação do vírus, houve quedas significativas nos níveis de poluição. Em Nova York, pesquisadores disseram à BBC que os primeiros resultados mostraram que o nível de monóxido de carbono no ar, principalmente o emitido por carros, caiu quase 50% em comparação com o ano passado. E Paris teve uma queda de 54% nas concentrações de dióxido de nitrogênio, se comparadas às de 2019. Já Madri, Milão e Roma registraram reduções da ordem de 45%.

 

As ruas de Veneza se esvaziaram, levando a uma queda drástica no tráfego pelos canais da cidade. A água geralmente turva ficou tão clara que até peixes foram vistos. Na Índia, onde a maioria da população parece obedecer às restrições impostas pelas autoridades, a cordilheira do Himalaia pôde ser vista após 31 anos de muita fumaça encobrindo o céu. As estrelas também voltaram a ser visíveis à noite.

 

Aqui no Brasil a situação não foi diferente. Foi possível, por exemplo, voltar a ver o céu colorido de São Paulo. No Rio de Janeiro, voltamos a ver tartarugas em plena Baía de Guanabara, tão castigada pelo esgoto nas últimas décadas.

 

Quantas vezes gostaríamos de ter dito ‘não’? Quantas vezes deixamos de pedir socorro quando precisamos?

Isso tudo porque o ser humano precisou dar um passo atrás e ficar em casa. 

 

Trégua para Terra e para nós

 

Tracei um paralelo em minha cabeça. Quantas vezes gostaríamos de ter dito “não”? Quantas vezes fomos em um evento obrigados? Quantas vezes nos indispusemos com nós mesmos apenas para não criar um mal estar com outra pessoa, mesmo quando isso nos faria dormir menos ou nos desgastar mais? Quantas vezes deixamos de pedir socorro quando precisamos, como a Terra já pede há tantas décadas, pois o mundo pode — e aguenta — esperar?

 

Quantas vezes precisávamos de uma trégua que não nos demos?

 

Será que temos de esperar uma pandemia começar para proporcionar um respiro para a Terra? Ou pior: será que teremos de promover um “fim do mundo” para o planeta antes de recebermos outro alerta desse?

 

A trégua para a Terra também está significando uma trégua para nós.

A trégua para a Terra também está significando uma trégua para nós: não por conta da poluição, mas por termos desenvolvido ainda mais empatia, noção de coletividade e cuidado com o próximo. Está nos ensinando aquela máxima de que “se a gente não para, o mundo para a gente”. E, nessa queda de braço, haja muque.

 

Que este respiro para a Terra seja um respiro para nós também. E que em breve, muito em breve, ele possa ser sem máscaras e dentro de um abraço.

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