Abraçar a diferença enriquece a nossa vida

Para ter experiências mais felizes e plenas é preciso, de vez em quando, provar o novo e acolher o inesperado

05/12/2018 - por Márcia Peltier



Quando o filme “Forrest Gump” foi lançado, em 1994, lembro bem que os efeitos especiais foram alvo de muitos comentários. O personagem principal, vivido por Tom Hanks, era inserido digitalmente em cenas históricas ao lado de presidentes como John Kennedy e de artistas como o beatle John Lennon. Uma novidade na época!

 

Mas também me lembro de ter ficado impactada pela história do rapaz com um grau leve de autismo que segue em frente e se coloca no mundo, enfrentando preconceitos com sua mente objetiva e infantil. O filme de Robert Zemeckis foi premiadíssimo.

 

 

Naquele momento ainda não se falava em inclusão; no máximo, em “aceitação” ou “compaixão”. Alguns anos antes, outro filme, “Rain Man”, havia tocado nessa questão de forma igualmente fascinante.

 

O ator Dustin Hoffmann também interpretava um autista — esse muito mais isolado do mundo, mas com incríveis habilidades matemáticas —, que ficava sob a guarda contrariada do irmão, vivido por Tom Cruise. A história foca, principalmente, nesse relacionamento e na maneira como aos poucos eles vão se aproximando e aprendendo muito um com o outro.

 

São dois filmes da maior indústria de entretenimento do planeta. E ajudaram a consolidar o pensamento mais humano, mais generoso, mais inclusivo em relação ao diferente. 



Quantas vezes deixamos de viver uma situação enriquecedora, porque recuamos frente à diferença?

É normal querermos nos proteger, claro; evitar desconfortos, permanecer no território seguro do que é habitual. Mas se evitarmos fazer a mala, gastar horas ou dias viajando e pegar a estrada, nunca veremos uma nova paisagem. Se não abrirmos os olhos e os ouvidos para quem canta uma música que nunca escutamos, ficaremos presos aos mesmos sons — ou, pior, ao silêncio de sons que já nem percebemos mais, de tão habituais.

 

A riqueza dos nossos dias pode estar em uma aparente, digamos, esquisitice

A riqueza dos nossos dias pode estar em uma aparente, digamos, esquisitice. Aqueles personagens de “Forrest Gump” ou “Rain Man” fogem do padrão, mas enriquecem as vidas de quem os enxerga e interage com eles.

 

Vale rever os dois filmes com espírito de inclusão e acolhimento e começar a refletir sobre essa ideia: derrubar muros e arriscar um novo caminho. Provar uma fruta diferente. Mergulhar num gênero literário que a gente mal conhece. A diferença vai se transformar no prazer da descoberta — e na riqueza da vida.

 

Afinal de contas, é depois de uma subida íngreme que se descortina a mais bela paisagem. E a gente fica mais feliz!

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