Belas mudanças de hábito

Alterar a rotina, variar trajetos e experimentar novos sabores faz a vida mais alegre e até ajuda a prevenir doenças

10/04/2019 - por Márcia Peltier



Eu estava felicíssima com os novos armários da minha cozinha, já estava na hora de uma renovação. Tomei coragem para fazer a pequena obra e, dez dias depois, que beleza! O cômodo parecia muito mais claro e moderno.

 

Mas fiquei intrigada: 20 dias depois da obra finalizada, eu ainda abria a mesma porta para pegar copos e pratos. A porta ERRADA. Hábitos, hábitos!

 

 

Foi pensando nesse tema que resolvi investigar como se formam os hábitos nas nossas vidas. Afinal, o condicionamento para bons hábitos é uma forma de ter mais qualidade de vida. Podemos nos treinar para isso, por que não? Quem falou sobre esse assunto numa reportagem para o jornal Folha de S. Paulo foi a premiada neurocientista Suzana Herculano-Houzel. Ela diz: “Hábitos são ins­critos em nosso cérebro nas conexões entre o córtex motor e os núcleos da base, e execu­tá-los não exige atenção. Basta estar no contexto cer­to, e o programa é automati­camente lançado enquanto você pensa em outra coisa”. Digamos que você entra no modo ‘piloto automático’.

 

Podemos nos treinar para incorporar determinados hábitos positivos.

É claro. Se tivéssemos que pensar em cada etapa do nosso dia a dia, a vida ficaria impossível. Mas podemos nos treinar para incorporar determinados hábitos positivos. Por exemplo: você se levanta várias vezes para tomar um cafezinho. E se, em vez disso, você experimentasse chás de sabores variados? O chá verde, tão repleto de antioxidantes, o delicioso chá de laranja com canela...

 

Outra ideia: em vez de tomar a condução no ponto mais próximo de casa, habitue-se a caminhar até o ponto seguinte. Ou mesmo subir um ou dois lances de escada, em vez de pegar o elevador. Ou se aventurar naquela trilha no parque do seu bairro. Nem preciso dizer que o benefício que o movimento traz é enorme, sem falar no fato de que a gente pode fazer novos amigos, refrescar ideias. E se divertir.

 

É claro que existem hábitos muito difíceis de modificar — especialmente aqueles que envolvem, além do condicionamento, um gatilho químico. Caso do tabaco, grande mal dos nossos tempos. Aí já estamos falando de vícios, e é preciso buscar ajuda especializada para superar a compulsão que, na maioria das vezes, não depende só da famosa “força de vontade”.



Sempre há espaço para sacudir os caminhos já cristalizados e treinar o cérebro para as novidades.

Mas no dia a dia, sempre há espaço para a gente dar uma sacudida nos caminhos que o cérebro automatizou. Treinar o cérebro, digamos assim.

 

Paisagens, sabores, cores... Desafios de mudanças que nos fazem bem. Nosso cérebro precisa mesmo ser desafiado para se manter alerta. Nunca é demais lembrar que as nossas sinapses, as ligações entre neurônios, podem ser estimuladas quando fazemos coisas diferentes, nos propomos a mudar atitudes e jeitos de levar a vida, pelo prazer de tentar algo novo. A renovação cerebral é celular e sistêmica, o que pode ajudar a prevenir ou retardar doenças como Alzheimer.

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