Bibi Ferreira, uma presença eterna

Bibi Ferreira, uma presença eterna

Essa maravilhosa atriz, cantora e diretora esteve na minha vida desde sempre. Aqui fica a minha homenagem à diva dos palcos brasileiros

15/02/2019 - por Márcia Peltier



Uma parte da genialidade artística do nosso país se foi nesse tórrido fevereiro de 2019: a maior diva dos palcos brasileiros, Bibi Ferreira, nos deixou. Bibi, nascida Abigail Izquierdo Ferreira, tinha trabalhado até pouco tempo. Os amigos disseram que a aposentadoria era um prenúncio da partida, porque Bibi era o palco. Aos 96 anos, partiu por falência cardíaca, em casa.

 

Essa maravilhosa atriz, cantora, diretora esteve na minha vida desde sempre. Cresci ouvindo meu pai, Jaddo Bokel, falar de Bibi Ferreira. Ele era amigo da Bibi, que conhecia desde garota e considerava uma cantora maravilhosa. Minha mãe, Mariza, que sempre adorou musicais, nos levava a tudo: My Fair Lady, A Noviça Rebelde... Para mim, ela era uma estrela, com lugar no firmamento junto daquelas que eu via nos filmes norte-americanos. E quando eu vi a Bibi fazer O Homem de La Mancha, no Teatro Bloch, fiquei irremediavelmente deslumbrada com a voz e a interpretação dela.

 

 

 

“Tenho que ir para um psiquiatra para ele me explicar porque eu não consigo me convencer a idade que eu tenho”

Bibi Ferreira, em entrevista para Márcia Peltier em 2011

Eu a entrevistei diversas vezes, a última delas em 2011. O fato de ser uma mulher ativíssima e continuar trabalhando nesse ritmo intenso sempre me trouxe um estímulo muito grande; ela provou que não existe idade para seguir em atividade. Foi, aliás, o grande exemplo de alguém que não tem idade, como reforça nessa entrevista – Bibi afirmava ali não sentir a idade que tem. E realmente não parecia que o tempo passasse para seu talento.

 

Naquela última conversa, reafirmei que, para mim, Edith Piaf ganhou vida no Brasil por causa dela – aliás, ela mesma diz que as pessoas não conheciam tanto a Piaf, e é verdade. Ao ver Bibi cantar Piaf, todo mundo começou a prestar mais atenção à Piaf original. Mais: o espetáculo original, montado em Londres, era melancólico, um dramalhão. Ela conta que pediu ao diretor Flávio Rangel e a Millôr Fernandes uma versão mais amorosa e exuberante. E a versão brasileira do musical é lindamente inspiradora, não é triste. Só mesmo Bibi para compreender tão profundamente outra estrela e tomar nas mãos a responsabilidade de moldar sua luz de maneira mais afetuosa.

 

Ganhou todos os prêmios do teatro brasileiro. Dominou a cena em qualquer veículo que escolhesse. Amava o público, que a idolatrava de volta. Cultivava um incrível senso de humor. Respeitava a arte, acima de tudo.

 

Bibi, uma presença eterna.

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