Como a tecnologia ajuda os mais velhos a viverem melhor

A inclusão digital dos idosos, acelerada pela pandemia, traz uma série de benefícios para a saúde e o bem-estar

14/10/2020 - por Márcia Peltier



A tecnologia tem trazido um grande benefício para os idosos: a inclusão social pela troca de mensagens e pelo uso das redes sociais, revela um estudo da Universidade Aberta da Catalunha. Esse efeito pôde ser comprovado durante os primeiros meses de 2020, quando a pandemia de Covid-19 fez com que todos passassem a se conectar, cada vez mais, pela internet.

 

Além disso, diversos estudos publicados nos últimos 20 anos também apontam que o uso de novas tecnologias contribui para exercitar a memória e a escrita. Durante a quarentena, o mundo digital é uma saída para aqueles que vivem sozinhos e precisam ficar isolados.

 

 

O uso da tecnologia aumenta as expectativas de um futuro com uma melhor qualidade de vida, graças ao sentimento de integração na sociedade e aos novos estilos de viver, potencializando, assim, a autoestima.

 

O aumento da população idosa no mundo real acontece também no mundo virtual. O último levantamento da consultoria SeniorLab mostra que, na época, mais de 7 milhões de pessoas com mais de 60 anos estavam no Facebook, o que representa um quarto dos idosos brasileiros. Segundo a empresa, o grande motivo pelo qual eles buscam as redes sociais é a possibilidade de estabelecer uma relação mais próxima com parentes e amigos, além de ter entretenimento constante.

 

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O uso da tecnologia aumenta as expectativas de um futuro com uma melhor qualidade de vida.

Existem também muitas histórias emocionantes de netos e netas que ensinaram seus avós a mexerem em aplicativos, encurtando as distâncias criadas, forçosamente, pelo novo coronavírus.

 

Ao contrário daqueles que estão na casa dos 35 anos, as gerações anteriores não foram criadas com o “DNA” da tecnologia. Por isso, muitas vezes, a comunicação entre as gerações é falha. Para a geração digital, é quase incompreensível a dificuldade de os mais velhos se apropriarem de uma tecnologia que, para eles, é tão natural e automática.

Nascer em mundo cibernético, até então, criava uma espécie de “separação” entre as gerações. Porém, durante a pandemia do novo coronavírus, fomos obrigados a ficar em casa e a refletir. Todos nós — inclusive os mais novos.

 

Assim, a impaciência ao explicar os “meandros” do mundo digital foi substituída pela saudade e por um desejo de querer ensinar os mais velhos a se comunicarem melhor usando as novas tecnologias.

 

Isso, é claro, trouxe um pouco mais de conforto ao ficar em casa e abriu um importante canal de comunicação entre as pessoas. O uso de tablets, smartphones e smart TVs se tornou mais frequente também, fazendo companhia ao já grande amigo WhatsApp.

 

Além de diminuir a distância e, por tabela, a saudade, o fato de ficar menos refém da programação da televisão ou dos livros tornou a quarentena menos entediante e mais participativa.



Nunca é tarde para aprender e nunca é cedo para ensinar

Aliás, na internet podemos ver várias demonstrações de idosos que se sentiram mais independentes, seguros e “acompanhados” depois de um pequeno treinamento sobre as novas tecnologias.

 

Esse incentivo à participação no mundo digital ajuda a exercitar a mente, o que reduz a perda de memória natural dos idosos. As pequenas formas de estímulo cognitivo dos jogos, por exemplo, podem retardar o aparecimento de doenças neurológicas degenerativas, como Alzheimer e outras formas de demência, conclui uma pesquisa da Conferência Internacional da Associação de Alzheimer.

 

A intimidade com a tecnologia também pode dar mais segurança aos mais velhos, já que existem aplicativos que ajudam a evitar erros - como esquecer de tomar remédios - ao oferecer funções personalizadas, como lembretes diários sobre o horário, a quantidade e o tipo de medicamento a ser tomado.

 

Não importa a idade: a possibilidade de continuar aprendendo é mais um lado positivo do uso da tecnologia. Existem diversos tipos de aulas virtuais, como as aulas de idiomas, filosofia e exercícios físicos, além da opção de assistir a peças e admirar museus a distância. Estar na internet também traz possibilidades de entretenimento e diversão, com jogos virtuais, vídeos, filmes e séries. Até a compra virtual já é uma realidade para quase 30% das pessoas acima de 60 anos.

 

Isso tudo, é claro, com um pouco de ajuda dos mais novos. Em troca, os mais velhos ensinam sobre suas experiências de vida, contam suas histórias, enfim, transmitem conhecimento. Ou seja, mais um aprendizado em época pandemia: nunca é tarde para aprender e nunca é cedo para ensinar.


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