Como evitar que o cansaço se transforme em esgotamento

Exagerar no trabalho causa uma exaustão profunda chamada Síndrome de Burnout – aprenda a se prevenir para não chegar a esse ponto

14/09/2018 - por Márcia Peltier



Aquele cansaço do dia a dia todo mundo conhece. É chegar em casa depois de uma jornada de trabalho ou estudo, tirar os sapatos, esticar o corpo... Um banho quente, um jantar e cama. No dia seguinte, acordamos renovados.

 

O cansaço físico depois de um esforço esportivo nós também conhecemos. Pode até demorar um pouquinho para a gente recuperar as energias depois de uma longa viagem, especialmente, se estivemos em um local com outro fuso horário.

 

Só que tenho encontrado gente que não está conseguindo se restabelecer da sensação de exaustão. Mais do que isso: pessoas que se veem presas em uma contraditória e aflitiva sensação que une, ao mesmo tempo, desânimo e ansiedade. Tenho uma amiga, profissional de ponta, de sucesso, que passou por isso e definiu assim: “Parece que existe uma frigideira com óleo quente fritando um ovo no meu peito!”. Ansiedade extrema!

 

 

Pois não é que essa situação está ficando tão comum que tem até nome? É a Síndrome de Burnout ou do esgotamento profissional. Em inglês, to burn significa queimar. Seria algo como a transformação de toda a energia e a motivação em cinzas. Essa síndrome tem chamado a atenção de médicos e pesquisadores nos últimos 20 anos.

 

Aquela imagem de dedicação integral ao trabalho, de esforço sobre-humano para atingir metas, de disponibilidade permanente às exigências cada vez maiores de um mercado competitivo... Sentiu o clima? São os nossos tempos. Estamos todos sujeitos a não perceber que podemos embarcar num caminho de exaustão e desgaste profundos.

 

“Profissionais com contato interpessoal intenso sofrem mais estresse”, analisa o psicólogo João Borba Neto. “Médicos, policiais, que estão sob pressão e precisam dar 100% de seu desempenho. E quem enfrenta duplas jornadas”, completa.

 

O processo é insidioso. Como é uma síndrome, apresenta conjuntos de sintomas que podem variar — desde mudanças de humor até pessimismo, por exemplo, além de manifestações físicas como insônia, dores de cabeça e gastrite. “Não é uma frescura nem uma fragilidade especial”, adverte o psicólogo. “É que o limite da gente precisa ser respeitado. Para isso, precisamos conhecer esse limite.”

 

A maior lição desse quadro talvez seja a de que vale a pena investir em autoconhecimento

Atenção: portanto, quando sentimos uma ansiedade mais intensa do que o normal, apresentando sintomas de esgotamento, carregando um cansaço que nunca acaba, é hora de pedir ajuda. A síndrome tem saída e, nesse caso, são combinações de terapias, exercício, um resgate da saúde e do amor próprio, que muitas vezes tomba machucado nesse processo. É uma questão médica, sim.

 

E a maior lição desse quadro talvez seja a de que vale a pena investir em autoconhecimento — e não abrir mão de si mesmo. Minha amiga Ana, aquela que sentia a frigideira no peito, cuidou de si com ajuda de um profissional da saúde, mudou seus rumos e expectativas profissionais, caprichou nas caminhadas diárias e está muito melhor. E muito mais feliz!

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