Companheiros que salvam vidas

Os cães de assistência farejam crises de diabetes e epilepsia – e até o câncer – antes de todo mundo

25/06/2018 - por Márcia Peltier



Nossos cães são companhias cheias de afeto, generosidade, proteção. Além disso, são animais que também têm instintos e sentidos que podem salvar vidas. Por isso a ciência vem estudando a capacidade desses bichinhos de descobrir doenças em estágios iniciais pelo olfato ou pela capacidade de enxergar sinais, ainda imperceptíveis, de doenças – inclusive do câncer. 

 

A psicóloga inglesa Claire Guest, por exemplo, tinha três cães. Certa tarde, saiu de carro para o campo levando a turma canina para um passeio. Dois deles pularam imediatamente na grama e saíram correndo, mas a labradora Daisy sentou-se do lado de sua dona. Em vez de descer, bateu repetidamente a pata no peito de Claire. Intrigada por aquele comportamento esquisito, ela pressionou o local e sentiu ali um pequeníssimo caroço.

 

Cães de assistência detectam crises iminentes em quem tem doenças como diabetes e epilepsia

“Minha irmã, médica, me aconselhou a procurar um especialista, que encontrou exatamente naquele lugar um tumor maligno profundo, ainda nos primeiros estágios”, conta Claire. “Daisy salvou minha vida, porque, até o momento em que o nódulo se tornasse perceptível, o câncer teria se espalhado.”

 

Isso aconteceu no fim dos anos 1990. Junto com dois médicos, Claire decidiu começar a investigar cientificamente essa incrível capacidade dos cães: a de detectar doenças, principalmente, por meio do olfato.  Nascia a ONG Medical Detection Dogs, que hoje é uma das referências mundiais nas pesquisas e no treinamento de cães para essa função diagnóstica. 

 

Além dessa biodetecção, a MDD treina animais para monitorar pacientes diabéticos, ou portadores de esquizofrenia, entre outras condições que necessitem de alerta, especialmente em crianças e idosos. Há cães ouvintes, para ajudar surdos; outros ainda treinados para acompanhar crianças com autismo... É uma coisa linda de se ver.



A psicóloga inglesa Claire Guest fundou a ONG Medical Detection Dogs depois de ter um câncer diagnosticado precocemente com a ajuda de sua labradora

No Brasil, ainda são poucos os treinadores de animais de assistência. A instituição internacional Bocalan também se dedica a treinar animais, inclusive para assistência, e tem um braço brasileiro. A espanhola Rocio Marin, coordenadora do projeto aqui no Brasil e instrutora de cães de assistência, explica que a procura por esses animais tem aumentado muito. “Ainda não há muitas instituições dedicadas a esse treinamento no mundo. O trabalho desses cães é extremamente importante, vital mesmo. E o treinamento é caro, pode chegar a R$ 35 mil por animal. As entidades que fornecem o companheiro gratuitamente às famílias precisam de apoio e patrocínio.”

 

Rocio explica que a capacidade de alerta dos cães para crises de hipoglicemia em diabéticos do tipo 1 vinha intrigando cientistas há até pouco tempo atrás, mas pesquisadores da Universidade de Cambridge conseguiram descobrir que eles farejam a elevação do isopreno, um composto químico natural, na respiração humana.  “Já no caso dos pacientes com epilepsia, há cães treinados para detectar crises através das mudanças da voz, do odor, do comportamento do seu dono e, assim, prever uma convulsão.”

 

Que fantásticas são a natureza e a ciência quando combinadas a esse amor profundo!

/ Claire Guest entre os cães (esq. para dir.) Lucy, Alrick, Kizzy, Midas, Jobi, Jack, Daisy, Kara e Sye / Divulgação
/ Daisy, a cadela da ONG Medical Detection Dogs/ Divulgação
/ Rocio Marin, da Instituição internacional Bocalan/ Divulgação
/ Um dos cachorros da Bocalan recebendo treinamento/ Divulgação

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