Dentro de nós, o futuro já existe

Você já fez o exercício de imaginar como será a sua vida em daqui a 10, 20 ou 30 anos? Se sim, acredite, o seu futuro já não é tão distante quanto parece

por Márcia Peltier



Compositor de destinos / Tambor de todos os ritmos /

Tempo, tempo, tempo, tempo / Entro num acordo contigo /

Tempo, tempo, tempo, tempo / Por seres tão inventivo /

E pareceres contínuo / Tempo, tempo, tempo, tempo /

És um dos deuses mais lindos

(Caetano Veloso, “Tempo”)

 

Da primeira vez em que fui ao exterior, ainda adolescente, guardo sensações curiosamente paradoxais. Ao mesmo tempo em que os dias voaram, num turbilhão de novidades, eu me recordo de cada momento, cada refeição, cada quadro visto nos museus. Como num filme passando em slow motion!

 

A nossa percepção de tempo é bem relativa. Outro dia, fui pesquisar o assunto. Essa “elasticidade” do tempo interno já está comprovada em muitas pesquisas científicas. Estudiosos do assunto como David Eagleman – que escreveu o best-seller “O andar do bêbado” – se debruçaram sobre as diferentes sensações do passar do tempo que todo mundo experimenta. Esse é inclusive um campo da neurociência.



A sensação de que o tempo está passando mais depressa é natural: o cérebro registra com mais ênfase aquilo que é novo

Quando somos crianças e jovens, tudo é novidade e as experiências se inscrevem de maneira muito forte no nosso cérebro. Quando avançamos em idade, a sensação de que o tempo está passando mais rápido vem do fato de que o cérebro não registra com ênfase aquilo que já conhece. Do primeiro beijo, todo mundo se lembra. Do vigésimo... já nem tanto.

 

Por tudo isso, aprendi que uma das coisas mais bonitas da vida é cultivar o futuro. Como assim? Você dirá: “Se o futuro ainda não existe, como cultivá-lo?”

 

Conversando com o neurologista Beny Schmidt, ouvi dele que o futuro já existe quando a gente se projeta nele, quando nosso sistema cognitivo se ativa em razão e sentimento:

 

“Quando você pensa, ativa sua percepção do tempo”, diz o neurologista. “Assim, você não é surpreendido pela passagem dos anos, mas vivencia cada etapa. Aprende, se desafia. Comecei a surfar aos 60 anos!”, relata.

 

 

 

O futuro já existe quando a gente se projeta nele em desejo e planejamento

O futuro existe dentro de nós, sim. Existe como esperança, a projeção de nossos desejos, das nossas visões de afeto e conforto. E existe como planejamento, uma abordagem mais racional, mais cerebral e tão importante quanto o desejo. Quando a gente reúne essas duas iscas para um futuro que a gente almeja, aumenta muito as nossas chances de chegar lá. E o caminho é mais interessante quando está pontuado pelas descobertas e novidades.

 

O futuro começa no presente, a cada momento. É como escreveu lindamente o poeta Carlos Drummond de Andrade, em sua Receita de Ano Novo. Com amor, com conhecimento e com esperança!

 

Para ganhar um Ano Novo / que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo, / tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente. / É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

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