Fábulas, fantasias e histórias, o fio de ouro da humanidade

Fábulas, fantasias e histórias, o fio de ouro da humanidade

Todas as sociedades criam mitologias que nos ajudam a entender e explicar a vida

12/02/2020 - por Márcia Peltier



Não faz muito tempo, explodiu pelo mundo o sucesso da coleção “Harry Potter”, da inglesa J. K. Rowling. Quem na época já tinha filhos ou netos ficou feliz ao ver a garotada de olhos grudados nos livros e esperando ansiosamente o próximo volume. Era uma verdadeira alegria.

 

Numa época já dominada pela cultura audiovisual, esse retorno aos livros nos parecia quase um milagre. Mas por quê?

 

 

A resposta é muito simples. Rowling foi mestra em levar para o texto as fantasias e ideias que permeiam a imaginação humana desde o começo dos tempos.

 

A saga dos bruxinhos trazia os ingredientes que nos fazem palpitar: a luta do bem contra o mal, o herói órfão com seu caminho de percalços, competições, criaturas fantásticas, enredos fabulosos... Costurados com linha de ouro, os mitos que nos constroem estavam todos lá. 

 

Outro fenômeno que está até hoje dando filhotes é a saga cinematográfica “Star Wars”, que levou tudo isso para outros planetas e naves espaciais, cravando no coração da trama a luta entre pai e filho em campos opostos.



Harry Potter e Star Wars são mitologias modernas, fábulas que continuam a tradição.

“Ah, mas mitologia não é coisa de deuses gregos e romanos?”. Pois não é! Já convivemos com heróis e sagas o tempo todo!

 

Desde os contos de fadas mais conhecidos no Ocidente, como Chapeuzinho Vermelho e Branca de Neve, as fábulas com cigarras e formigas, até os filmes de ação no cinema, nós construímos e consumimos essas histórias o tempo todo, para entender e explicar a nossa maneira de existir.

 

Por isso são tão importantes para as sociedades a produção artística e as histórias ancestrais. O simbólico está ali para nos ajudar a viver momentos importantes e superar questões.

 

Mitologia, fábulas, contos de fadas, histórias do folclore são ingredientes fundamentais para que a gente possa construir valores e lidar com momentos-chave, tais como nascimento, independência da família, relações afetivas, filhos, envelhecimento e morte. 

 

O psicanalista Carl Jung (1875-1961) enxergou os símbolos expressos nos mitos como parte importante do inconsciente coletivo da humanidade.

 

Histórias assim são fundamentais para entender e explicar a vida.

Interessante conversar sobre isso bem à beirinha do carnaval, essa festa que parece tão brasileira, mas que é ancestral. Tem raízes pagãs, ligadas ao ciclo das estações e das colheitas, e foi incorporada ao calendário de várias civilizações. E, claro, é um marco do ano cristão, os últimos momentos antes da Quaresma.

 

Histórias, sagas, rituais, parábolas, fantasias, fábulas e mitos nos explicam, nos ajudam, nos estruturam.

 

E proporcionam uma conexão especial em momentos íntimos, contando uma história para um uma criança, por exemplo, ou coletivos, como é o carnaval, ou a Festa dos Mortos, no México.

 

É o #tamojunto, o cimento que nos une, parte essencial de ser humano.

 

Viva os nossos bruxinhos, viajantes espaciais e animais falantes dos cartoons!

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